A obediência que transforma nossas emoções

Atualizado: 21 de Ago de 2018

Será que se tivéssemos mais sinais nós creríamos mais? Será que precisamos de mais informações para obedecer a Deus? Ao longo de toda a Bíblia, nós vemos o povo de Deus constantemente pedindo mais sinais, e colocando esses sinais como condição para continuar seguindo a Deus. Isso também acontece conosco hoje. Nós temos a Bíblia completa, todas as informações que precisamos, mas sempre queremos mais informações para podermos confiar em Deus de forma completa, para tomarmos as decisões que precisamos sem o perigo de sofrermos as consequências dessas decisões, e para vivermos uma vida que agrade a Deus.


Ou seja, nós criticamos o povo daquela época, mas vivemos da mesma forma hoje em dia. Nós não cremos na Palavra de Deus e nas promessas que Ele nos deixou, e vivemos constantemente com medo, ingratos, insatisfeitos, desanimados e inseguros com a nossa vida.


Vivemos com medo porque não confiamos que Deus está conosco e que na Sua Palavra encontramos todas as respostas que precisamos para as decisões que devemos tomar (mesmo que não sejam as respostas que queremos). Muitas vezes tratamos a Bíblia como um livro de receitas, onde uma junção de ingredientes sempre levará ao resultado esperado, ou como uma caixa de promessas, onde fazer algo garante uma recompensa esperada.


Com isso, nos tornamos ingratos e insatisfeitos porque queremos que Deus nos dê aquilo que Ele não nos prometeu em Sua Palavra, como o relacionamento dos nossos sonhos, as notas dos nossos sonhos, o emprego dos nossos sonhos, os pais dos nossos sonhos, amigos que sejam sempre fiéis, dinheiro para comprar tudo o que queremos, etc.


Quando não vemos essas coisas se cumprindo, ficamos desanimados. Não encontramos mais motivação para ler a Bíblia, para orar, para servir na igreja, para discipular pessoas, para evangelizar... para nada daquilo que Deus nos chamou a fazer – porque afinal de contas, Deus não tem cumprido a parte dele (é o que pensamos muitas vezes).


A consequência disso é vivermos uma vida insegura, porque a nossa segurança está em ter um relacionamento profundo com Deus, que é a única estabilidade que encontraremos nesse mundo. Tudo é instável (dinheiro, relacionamentos entre pessoas, beleza, etc.), mas Deus é estável (Ele nunca muda).


O que todos nós precisamos entender é que a Bíblia não é um simples manual para a vida (embora nela encontremos princípios para viver de uma forma correta), ela é um livro que conta a história de uma pessoa – Jesus Cristo. Ela conta como Jesus viveu uma vida perfeita em nosso lugar. Ela conta como Deus abandonou a Cristo para que nunca fôssemos abandonados. Ela conta como Cristo morreu a morte que cada um de nós merecíamos por causa do nosso pecado. Ela conta como Ele ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte para nos dar nova vida. Ela conta como o sacrifício e ressurreição de Cristo também nos garantem acesso direto ao Pai, por meio do Filho (Hebreus 10.19-25). Ela conta como Jesus fez tudo o que precisava ser feito para nos garantir a vida eterna. E ela nos conta que a vida eterna é conhecer a Cristo (João 17.3).


Nós precisamos entender que o foco da Bíblia é nos mostrar Cristo, para que possamos conhecê-lO cada vez mais e desfrutar de um relacionamento com Ele. A partir disso, iremos começar a entender quais são as promessas que Deus deixou para nós hoje, e qual a nossa real necessidade. O que nos falta não é mais informação, é obediência às informações que nós já temos na Palavra de Deus.


Não há nada errado em querer boas notas, bom emprego, bons relacionamentos, boa situação financeira, etc., mas há um enorme problema quando colocamos essas coisas como prioridades em nossa vida, fazendo delas os nossos deuses e buscando nelas a satisfação que só Cristo pode nos dar. Também precisamos entender que Deus não nos prometeu necessariamente esse tipo de bênção, mas que Ele nos prometeu algo muito melhor, que já está garantido.


Deus nos resgatou do império das trevas (Colossenses 1.13,14), nos deu vida quando estávamos mortos (Efésios 2.1), afirma que nunca irá abandonar Seus filhos (2 Timóteo 2.13), nos dá a vida eterna (João 3.16), diz que estará conosco todos os dias (Mateus 28.20), e porque Ele não pode mentir (Tito 1.2), podemos ter a certeza de que Ele cumprirá tudo isso e muito mais do que imaginamos (Efésios 3.20). Devemos nos apegar à esperança que professamos, pois Deus é fiel, e colocar na perspectiva correta aquilo que realmente vale a pena.


Isso não significa que deixaremos nossa vida aqui de lado, que não nos empenharemos nos estudos, que não buscaremos um bom emprego no futuro, que não nos esforçaremos para construir relacionamentos firmes e saudáveis, mas significa que nossas decisões não serão focadas nisso, mas em Deus.


Se nosso foco for a nossa vida terrena, viveremos com medo, ingratos, insatisfeitos, desanimados e inseguros. Se nosso foco for Cristo, Seu Reino e aquilo que nos aguarda no futuro, viveremos sem medo, pois nada pode nos separar do amor de Deus e todo sofrimento será encarado como uma forma de conhecer mais de Cristo, gratos pela Sua obra, satisfeitos em um relacionamento profundo com Ele, animados e ansiosos pela Sua volta, seguros pelo que Ele já conquistou e pela fidelidade de Deus.


Editorial de Gustavo Henrique Santos



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