Ajuste seus óculos regularmente

Tudo começa com uma leve dor de cabeça. Aos poucos, isso vai evoluindo para dificuldade em ler à noite, problemas ao dirigir, entre outros incômodos. Finalmente, quando você perde o retorno por não enxergar uma placa, você decide ir a um médico. O diagnóstico é taxativo: você está com um problema de vista e vai precisar usar óculos. Na nossa vida diária, problemas de visão não apenas causam pequenos incômodos, mas podem ser a causa de acidentes desastrosos, sendo necessário um exame de vista regularmente. Na nossa vida espiritual não é diferente: nossa visão de Deus é muitas vezes afetada por situações diárias de maneira gradual, levando a resultados nocivos ao nosso relacionamento com Deus e com outras pessoas.


Construindo uma visão errada de Deus

Nossa visão de Deus não muda da noite para o dia. Quando somos alcançados pelo evangelho, parte da nossa visão sobre Deus realmente muda drasticamente nos primeiros contatos com o Deus da Bíblia, mas, mesmo assim, trazemos algumas bagagens em nossa mente que muitas vezes nos levam a um problema de coerência: apesar de crermos no único Deus, ainda tentamos nos relacionar com Ele de maneira diferente do que Ele ordena. Podemos ter a ilusão de que Deus deveria nos dar tudo o que queremos, agora que somos seus filhos, ou até tê-lo como uma versão melhor de um amigo humano, mas sem santidade, disciplina ou ira pelo pecado. No outro extremo, podemos assumir uma imagem de Deus como um grande policial, pronto para punir diante de qualquer deslize, ou mesmo como um mestre de fantoches, com tudo debaixo do seu controle, mas sem um relacionamento pessoal com suas criaturas.


Todas essas visões defeituosas sobre Deus são consequências do pecado que habita em nosso coração, de uma mente que, em seu estado natural, rejeita o Deus verdadeiro. De maneira mais específica, muitas vezes buscamos uma visão que nos seja mais confortável, que mantenha Deus sob nosso controle. Promovemos nosso próprio engano e endurecemos o coração, como em Hebreus 3.12. Negligenciando a Palavra revelada, deixamos de conhecer o Deus verdadeiro da maneira que Ele se revela e o substituímos por imagens falhas baseadas em nossos próprios conceitos, em muito se assemelhando com o comportamento do homem sem Deus, como descrito em Romanos 1.25.


Uma visão errada afeta a vida

As consequências desse tipo de visão são desastrosas. Sua primeira manifestação é no nosso relacionamento com Deus, principalmente porque passamos a questionar as próprias bases da nossa fé. Um exemplo básico: se temos a visão de Deus como alguém que deve satisfazer todos os nossos desejos e quando, eventualmente, Ele não dá aquilo que está no nosso coração, nos perguntamos: “Será que Deus ainda me ama?” Esquecemos de passagens como o Salmo 136, ou mesmo 1João 3.1,16, que atestam tão veementemente o amor de Deus por nós! Por outro lado, se o vemos como nosso melhor amigo, mas sem zelo por Sua glória, perdemos o verdadeiro temor do Senhor e lidamos com o pecado de maneira leviana, que nos levará a uma vida recheada das consequências dos mesmos.


Nosso relacionamento com outras pessoas também é severamente afetado por isso. Dentre as consequências dessa visão errada, vemos pais que, inspirados na sua própria definição de como um pai deve ser (e como Deus deve ser) são severos ou coniventes demais com seus filhos. Vemos irmãos que, focando no próprio conforto, descartam pessoas simplesmente por não se agradarem delas ou por serem difíceis demais. Vemos homens que, por ter uma visão fatalista de Deus, passam a levar sua vida no trabalho, família e igreja de maneira preguiçosa (“afinal, se Deus é soberano, por que se importar?”). Como vemos, o que acreditamos sobre Deus irá afetar tudo na nossa vida horizontal (relacionamentos humanos) e vertical (relacionamento com Deus). Mas como consertar isso?


Ajustando a visão

O primeiro ponto que devemos ter em mente é que conhecer o Deus da Bíblia irá ajudar-nos, seja qual for o problema que estivermos passando. Assim, a melhor maneira de começar é com as Escrituras, buscando entender como Deus se revela aos seus servos e quem Ele diz que é: um Deus compassivo e misericordioso (Êxodo 34.6), uma rocha para se firmar (Deuteronômio 32.4), aquele de onde provém toda a sabedoria (Provérbios 2.6), mas também o Deus glorioso e santo (Isaías 6.3). Mais que isso, devemos olhar para a Sua revelação final na pessoa de Cristo. A encarnação foi a mais clara revelação de Deus (Hebreus 1.1,2). Em Cristo, vemos a própria definição de bondade (Lucas 18.19) e amor sacrificial (Romanos 5.8), partindo daquele que cumpriu perfeitamente a Lei de Deus, nos deixando exemplo para seguir na força do seu sacrifício (1 Pedro 2.21). Dessa maneira, nossa visão só pode ser corrigida pelo conhecimento de Deus e prática, pelo poder do Espírito, encarnando a Palavra da Verdade. Devemos identificar as mentiras que habitam no nosso coração e corrigi-las, confiando que a Palavra de Deus é verdadeira. Só assim podemos, com uma visão bem ajustada, viver pela fé, gozando do amor de Deus em cada situação que passamos.


Editorial de Petrônio Nogueira



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