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Como NÃO falar a verdade em amor

Atualizado: 17 de Set de 2018

A maioria das comunidades cristãs já estão habituadas com o fato de que é importante falar a verdade em amor (“...seguiremos com amor a verdade em todo tempo – falando com verdade, tratando com verdade, vivendo em verdade – e assim nos tornaremos cada vez mais, e de todas as maneiras, semelhantes a Cristo, que é o Cabeça do seu corpo, a igreja.” Efésios 4.15-16)


Essa orientação é anunciada geralmente em contextos de exortação/aconselhamento, que é quando geralmente mais precisamos de controle nesse sentido. No entanto, é comum sermos seletivos sobre o quando vamos fazer isso, de forma que às vezes achamos que não precisamos falar a verdade em amor (por exemplo, quando nos sentimos ofendidos). Precisamos estar alertas para não nos deixar levar pelo que é comumente dito como aceitável e entender o que a Palavra diz que é aceitável nesse assunto. Assim, analisemos algumas formas típicas de negligenciarmos esse propósito.


1. Não FALANDO

Por mais básico que pareça, falar a verdade em amor envolve o falar. O mundo ao nosso redor costuma viver de forma que a comunicação de problemas é evitada. Por um lado, isso pode aparecer na forma de um pecado de omissão, ou seja, o cristão prefere deixar as coisas como estão e seguir sua vida, não se preocupando em conversar com o irmão sobre sua falha. Essa forma costuma ser sutilmente confundida com “buscar a paz” ou “perdoar o irmão”, então é necessário ter atenção (Provérbios 24.24-25). A verdade (que é a Palavra de Deus), porém, nos ensina que amamos nossos irmãos ao exortá-los (Provérbios 27.6, Mateus 18.15-17, Romanos 15.14, Gálatas 6.1).


Por outro lado, talvez mais grave, isso pode tomar a forma de um pecado intencional. Aprendemos com o mundo (e nossas crianças) que se você se sente ofendido você não precisa falar, basta demonstrar sua indignação (de alguma forma pecaminosa) e esperar que o ofensor se redima. Dentre essas formas vemos comumente o “silêncio punitivo” – não falar com a pessoa até que ela perceba o que fez de errado (Provérbios 20.22) –, o “embargo de amor” – não demonstrar amor pelo irmão até que ele perceba seu erro (Levítico 19.17-18) – ou a “comunicação indireta” – passar o recado por meio de uma terceira pessoa que não estaria inicialmente envolvida (Provérbios 25.9-10). Precisamos ter em mente que não podemos agir de forma pecaminosa para ajudar o irmão a perceber o erro, tanto porque não é um método eficaz (Provérbios 13.10) quanto porque não é a vontade de Deus (Provérbios 12.22).


2. Não falando a VERDADE

Primeiramente, creio que seja bem claro que não comunicar fatos verdadeiros (ou omitir informações relevantes), independentemente do fim, não condiz com a postura de um servo de Deus (João 8.42-44, Romanos 2.8), portanto, averigue a situação antes de começar a falar (Provérbios 18.13,17). Mas além disso, é importante entender se a sua fala está baseada na Verdade, que é a própria Palavra de Deus (João 17.17). Portanto, se o conteúdo que falamos não está de acordo com a Palavra, não estamos falando a verdade. Temos que tomar cuidado quando colocamos nossos desejos e vontades acima da Palavra (e acima do outro) e acabarmos selecionando o que vamos dizer apenas para satisfazer nosso coração orgulhoso (Efésios 4.23-25). Um bom antídoto para isso é se preocupar em falar toda a verdade. É importante lembrar que apesar da ofensa cometida, temos um Deus gracioso. Lembre-se da graça de Deus, pois ela faz parte da revelação. Cuide para sua conversa ser saturada de graça, seja dando confiança de mudança para a pessoa, seja identificando avanços que a pessoa já deu.


3. Não falando a verdade EM AMOR

Por fim, após se certificar dos outros itens, podemos pensar no como falamos. Primeiramente, não é amoroso você julgar o próximo antes de avaliar sua própria situação (Mateus 7.1-5), portanto, “tire primeiro a viga do seu olho”. Uma segunda forma de não ser amoroso é dizer no tempo errado, portanto, precisamos pensar bem antes de falar (Provérbios 13.3, 15.13) e até mesmo pensar com quem podemos falar (Provérbios 9.7-9)! Além disso, podemos errar ao não transmitir amor em nossas palavras (Provérbios 15.1).


Enfim, existem várias formas que podemos cuidar para melhorar a forma como transmitimos amor e graça em nossa fala, mas o princípio básico é ter o mesmo proceder de Cristo (1 João 2.6), buscando sempre o crescimento do próximo.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante



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