Dando o Próximo Passo nas Finanças

Não preciso apresentar muitos argumentos para te convencer de que dinheiro é, e sempre foi, um dos assuntos mais populares ao longo dos séculos. Entretanto, durante o ano de 2020, com o agravamento da pandemia causada pela Covid-19, acompanhamos a situação financeira de vários países colapsar. Com isso, o medo da escassez e a preocupação com o tema aumentaram consideravelmente. De acordo com um estudo apresentado pelo site InfoMoney, houve um crescimento de 41% no consumo de conteúdos sobre educação financeira em todo o território nacional, e cerca de 90% dos entrevistados gostariam de um aprofundamento no assunto.


Mesmo que o desejo por aprender sobre o assunto seja algo positivo, os acionadores dessa preocupação são o ponto de atenção. Desesperança, medo ou ganância são os principais agentes motivacionais para o homem. Quer esteja em crise ou não, por natureza, o homem não considera Deus em suas finanças. Infelizmente, isso também acontece entre os cristãos, pois facilmente somos iludidos com propagandas imperativas que nos ordenam: “Venha já!” ou “Compre agora!”, e esquecemos qual é o real motivo de recebermos recursos de Deus.


Por isso, para que os nossos princípios não mudem de acordo com as circunstâncias enfrentadas, precisamos estar com a Palavra enraizada em nossos corações para que possamos dar o próximo passo na área de finanças e sermos bênçãos para aqueles que estão à nossa volta.


Ele é o dono de todas as coisas


“Teus, ó SENHOR, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor,

pois tudo o que há nos céus e na terra é teu. Teu, ó SENHOR, é o reino;

tu estás acima de tudo. A riqueza e a honra vêm de ti; tu dominas sobre todas as coisas.

Nas tuas mãos estão a força e o poder para exaltar e dar força a todos.”

(1 Crônicas 29.11, 12)


Entender que Deus é o dono de todas as coisas e que tudo é por Ele e para Ele (Romanos 11.36), é o ponto de partida. Isso muda totalmente a maneira como lidamos com os recursos que temos, seja financeiro, tempo ou qualquer outro. Além disso, esclarece qual é a nossa posição frente ao que nos é confiado: somos mordomos. Nada do que temos nos pertence, e embora possa ser desmotivador em um primeiro momento, na verdade é uma prova de amor e poder. Através de Sua provisão, Deus nos mostra que tudo acontece por Ele, e em amor, Ele nos deixa participar do Seu plano através dos recursos que Ele mesmo nos dá. Afinal, como seria possível investir e participar de Seu ministério se não tivéssemos tempo nem dinheiro? Seria impossível.


A finalidade do dinheiro


A vida financeira do cristão não se limita a dízimo e investimentos nos ministérios de sua igreja. Vimos que uma das formas de Deus demonstrar Seu amor é através do dinheiro que Ele nos confere, e justamente por ser uma demonstração de amor, não é Sua vontade nos privar de desfrutar dessa dádiva. Entretanto, a forma como usamos o dinheiro em nosso dia a dia, por vezes, demonstra falta de mordomia e desconhecimento de princípios.


Por isso, precisamos nos basear no padrão que Deus determinou. Ao olharmos para as Escrituras, conseguimos entender o que Ele espera de nós e o que Ele quer que façamos com nosso dinheiro:


· Sustento pessoal: Um padrão que Deus utilizou desde o início da criação foi o sustento através do trabalho. Ao longo das Escrituras, somos alertados para que não sejamos um peso para os outros (2 Tessalonicenses 3.8), que sem trabalho não há comida (2 Tessalonicenses 3.10), e somos encorajados de que Ele nos abençoará por meio do trabalho (Salmo 128.2);


· Investir no Reino de Deus: Como participantes de um corpo, é nosso dever a manutenção e sustento do corpo de Cristo. Por este motivo, é de nossa responsabilidade contribuir com dízimos e ofertas (Levítico 27.30–33; Números 18.21–32);


· Ajudar pessoas: É uma obrigação do cristão atentar-se às necessidades à sua volta e ajudar o necessitado (Deuteronômio 15.11; Levítico 23.22; Efésios 4.28). Vemos também que, se temos o recurso e não ajudamos a quem precisa, o amor de Deus não está em nós (1 João 3.17);


· Pagar contas: Inadimplência é pecado! Somos instruídos a pagar as nossas contas (Romanos 13.8), impostos (Mateus 22.21), e a não dever a ninguém;


· Diversão: Deus nos dá recursos para realizarmos aquilo que gostamos, seja viajar, comprar roupas, carro, entre outras coisas. Ele é um Deus amoroso e Se alegra com nossa alegria. Inclusive, Deus é duro com aquele que não desfruta de seu salário (Eclesiastes 6.3);


· Reserva: Há evidências de que é saudável e recomendável montar reservas financeiras (Gênesis 6.21; 41.34; Provérbios 21.20; 30.24, 25).


Em resumo, uma vida financeira cristã é uma vida balanceada. Devemos estar atentos às necessidades ao nosso redor enquanto desfrutamos alegremente de tudo aquilo que o dinheiro pode nos proporcionar.


O coração é revelado pela condução de nossas finanças


“Pois cada árvore é conhecida pelos seus próprios frutos.

Não é possível colher-se figos de espinheiros, nem tampouco, uvas de ervas daninhas.

Uma pessoa boa produz do bom tesouro do seu coração o bem, assim como a pessoa má, produz toda a sorte de coisas ruins a partir do mal que está em seu íntimo.”

(Lucas 6.44, 45a)


É justamente nesse balanceamento que o nosso coração é revelado. Um coração que entende o amor de Cristo irá balancear seus recursos de maneira a utilizá-los para a glória de Deus, sustentando sua família, abençoando pessoas, investindo no Reino de Deus e desfrutando dos benefícios que o dinheiro pode proporcionar. Como consequência, irá desfrutar da plena satisfação em Cristo, mesmo que boa parte de seu dinheiro seja para o benefício do próximo, pois terá cumprido a vontade de Deus.


Por outro lado, um coração que não tem como principal objetivo o Reino de Deus não se preocupará em viver uma vida financeira balanceada, pois é egoísta e pensa somente em si. Gastará todo o seu recurso somente com aquilo que lhe dá prazer. Como consequência, mesmo comprando tudo, será ingrato e incapaz de desfrutar de tudo aquilo que já conquistou, pois seu coração sempre buscará mais.


Balanceando uma vida financeira para a glória de Deus


Deus não espera de nós um desempenho financeiro estratégico como as empresas o fazem. Ele espera fidelidade e amor ao próximo. Por isso, um relacionamento íntimo com Deus através de sua Palavra e da oração são fundamentais para que possamos tomar decisões sábias em nossas finanças. Peça a Ele discernimento e sensibilidade às oportunidades que estão à nossa volta. Lembre-se que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor (Provérbios 9.10). Um temor que é traduzido em reverência, não em pavor. E para que possamos ser reverentes e fazer a vontade dEle, precisamos conhecê-lo cada vez mais. Além de orar, adote outros passos práticos e seja intencional em seu planejamento.