Diário de guerra

Atualizado: 26 de Out de 2018

Eu vivo em uma guerra. Na verdade, todos nós, cristãos, vivemos. Falo da guerra contra o pecado rumo à santificação. Creio que por um bom tempo fui enganado ao não perceber que ela existia, mas pela Sua imensa misericórdia Deus me abriu os olhos não só para que eu percebesse que ela existia como também para o fato de que eu precisava lutar. Ainda assim, para chegar a esse ponto precisei de um intenso treinamento militar, não para me tornar mais forte, mas para me tornar mais dependente do meu Deus. Com isso aprendi lições valiosas.


A guerra é inevitável:

Ao estudarmos a história das civilizações, vemos diversos antecedentes das guerras e diversas circunstâncias que deram início a ela. No nosso caso, no entanto, não podemos atribuir nossa guerra às circunstâncias, pois a causa é sempre o nosso coração (Tiago 1.13-15). Temos desejos errados, corações enganosos (Jeremias 17.9) e é isso vai contra nosso novo ser, o que origina a guerra (Romanos 7.5-6). A santificação é um processo progressivo que leva a vida toda.


A vitória não é assinar paz com o inimigo, mas realmente derrotá-lo:

Guerras geralmente terminam em vitória de um dos lados ou em um acordo de paz. Quando se trata da guerra com o pecado, a paz não é uma opção. Muito pelo contrário, viver “em paz” com o pecado é dar espaço para ele crescer (Gênesis 4.7, 2Pedro 1.9). Isso geralmente é resultado de gostarmos do nosso pecado e estarmos dispostos apenas a eliminar suas consequências desagradáveis. Acreditamos na mentira de que o pecado tem mais a oferecer que Deus. E quando fazemos isso adoramos uma coisa ao invés de Deus (Romanos 1.25) e pecamos.


A vitória não vem pela disciplina, mas pela hierarquia:

Os pilares das forças armadas são a disciplina e a hierarquia. É segundo esses valores que se acredita ser capaz de se vencerem guerras. Porém, quando lidamos com nossa santificação, nossos esforços em viver uma “vida disciplinada” não apenas são inúteis como também atrapalham (Filipenses 3.4-9). Não é por seguir a lei que somos santificados (Colossenses 2.23; Gálatas 3.2). Precisamos de uma mudança de coração que só o Senhor pode fazer (Jeremias 31.31-34; João 15) quando nos submetemos a Ele como nosso Senhor. Não nos basta um exemplo para seguir, precisamos de um Redentor. Ainda bem que Jesus é essa pessoa (Hebreus 4.14-16).


A vitória não é só possível como decretada:

O medo do inimigo e da derrota é uma grande dificuldade para vencermos lutas. Contudo, como cristãos não estamos mais sob a escravidão do pecado (Romanos 6.14), ele não é mais poderoso que nós. Portanto, quando vem a tentação não é inevitável pecar. O contrário é uma mentira que comumente acreditamos e acabamos usando a desculpa de que “a carne é fraca”. Porém, lembremos que somos novas criaturas (2 Coríntios 5.17). Mais do que isso, como cristãos temos a garantia de que nós seremos moldados à imagem de Cristo (Romanos 8.29-30) e por essa garantia devemos continuar lutando pela nossa santificação (Filipenses 2.12-13).


Estou bem certo de que saber essas verdades faz toda diferença na vida de um soldado de Cristo. E quanto mais eu as gravo, mais vejo que são informações, de fato, libertadoras (João 8.32) e agradáveis (1 João 5.3) e me deixam pronto para a guerra (2 Timóteo 3.16-17) não porque eu me torno um campeão, mas porque eu enxergo o grande campeão, Cristo, que já fez tudo por mim.


“Eu ainda sou pecador e serei até o dia em que eu morrer ou Cristo voltar. Mas Deus também é gracioso e será assim até o dia em que eu morrer e por toda eternidade.”

Tim Chester, You can change, 176 (tradução livre)


Editorial de Tássio Cavalcante



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