Ferramentas revitalizadoras: Adoração

Uma vida piedosa sem adoração é inimaginável. Não faz sentido pensarmos em vida cristã sem que haja adoração. Nós fomos criados para adorar ao Criador (Efésios 1.11), e a única forma de encontrarmos verdadeira alegria é cumprindo aquilo que Ele nos criou para fazer. Como o Deus Santo e Todo-Poderoso, o Criador e Sustentador do universo, o Juiz Soberano a quem devemos prestar contas, Ele é digno de todo o louvor e honra (Salmo 96.4; Apocalipse 4.11).


Mas o que é adoração? Cristãos estão acostumados com a palavra, mas talvez não tanto com o conceito. É a típica palavra aprendida rapidamente no vocabulário “gospel”, mas que costuma significar pouco.


Podemos definir adoração como louvar e agradecer a Deus por quem Ele é e pelo que Ele faz. É atribuir o devido valor a Deus, magnificar Sua dignidade de louvor, aproximar-se e dirigir-se a Deus como somente Ele é digno. É reconhecer o caráter de Deus, os Seus atributos. É uma resposta do cristão ao amor gracioso e redentor de Deus revelado a nós em Jesus Cristo. É uma expressão externa de uma realidade interna. Portanto, para que a adoração aconteça, é essencial que haja um conhecimento de Deus, porque não podemos adorar o que não conhecemos — pelo menos não de forma sincera e verdadeira (João 4.22–24).


O texto de João também nos mostra a importância de balancearmos a adoração em espírito e em verdade. Não são somente emoções, mas também não são somente verdades sem valor. As duas coisas precisam andar juntas. Se não é um louvor sincero, então é hipócrita e não tem valor. Mas se louvamos de acordo com a nossa cabeça e não de acordo com a Palavra, não louvamos de forma correta. Donald Whitney descreve da seguinte forma:


“Adoração em verdade é adoração de acordo com a verdade das Escrituras. Primeiro, nós adoramos a Deus como ele é revelado na Bíblia, não como poderíamos querer que ele fosse. Nós o adoramos de acordo com a verdade de quem ele diz que é: um Deus de misericórdia e justiça, de amor e ira, que tanto acolhe no céu como condena ao inferno. Segundo, adorar de acordo com a verdade das Escrituras significa adorar a Deus nos modos pelos quais ele deu sua aprovação nas Escrituras. Em outras palavras, devemos fazer na adoração a Deus o que Deus diz na Bíblia que devemos fazer em adoração¹” (ênfase do autor).


Como diz John Stott, “Toda verdadeira adoração é uma resposta à autorrevelação de Deus em Cristo e nas Escrituras; surge como fruto da nossa reflexão sobre quem ele é e o que ele fez... A adoração a Deus é despertada, instruída e inspirada pela visão de Deus... O verdadeiro conhecimento de Deus sempre nos levará à adoração²". Portanto, é essencial conhecermos a Deus para O adorarmos verdadeiramente, e esse conhecimento se dá por meio do estudo da Palavra — a revelação de Deus a nós.


Além disso, a Palavra também nos mostra que somos chamados a uma vida de adoração, e não a momentos de adoração. Como dizia A. W. Tozer, “Se você não adora a Deus sete dias por semana, você não o adora em um dia por semana”. Adoração é amar ao Senhor “de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua força” (Deuteronômio 6.5). Isso significa que adoração não é apenas os louvores de domingo, e sim uma vida consagrada ao Senhor.


Adoração também tem um aspecto comunitário muito importante. Timothy Keller descreve a importância desse aspecto da seguinte forma:


“A adoração serve a função indispensável de nos unir com ‘todos os santos’, vivos e mortos. Na verdade, uma das coisas mais importantes que a adoração realiza é nos lembrar de que adoramos não apenas como uma congregação ou igreja, mas como parte da Igreja, o povo de Deus... A adoração é a resposta adequada de todos os seres morais e sensíveis a Deus, atribuindo de maneira agradável toda a honra e valor ao seu Deus Criador precisamente porque ele é digno. Neste lado da Queda, a adoração humana a Deus responde adequadamente às provisões redentoras que Deus proporcionou graciosamente... Fortalecida pelo espírito e em linha com as estipulações da nova aliança, manifesta-se em toda nossa vida, encontrando seu impulso no Evangelho, que restaura nossa relação com nosso Deus Redentor e consequentemente, também, com nossos companheiros feitos à mesma imagem, nossos co-adoradores. Tal adoração, portanto, manifesta-se tanto na adoração como na ação, tanto no cristão individual quanto na adoração coletiva, que é a adoração oferecida no contexto do corpo de cristãos, os quais se esforçam em alinhar todas as formas de sua devota atribuição de todo valor a Deus com toda a pompa de mandatos da nova aliança e exemplos que levam ao cumprimento as glórias da revelação precedente e antecipam a consumação³" (ênfase do autor).


Portanto, “Venham, vamos adorar e nos prostrar, vamos nos ajoelhar diante do SENHOR, nosso Criador, pois ele é o nosso Deus” (Salmo 95.6, 7a), pois à medida que crescemos na adoração a Deus, crescemos à semelhança de Cristo.


Editorial de Gustavo Henrique Santos



¹ WHITNEY, Donald S., Spiritual Disciplines for the Christian Life, 2nd. ed. Colorado Springs, CO: NavPress, 2014, p. 107 (Ênfase do autor).

² STOTT, John, The Glory of Christ, Carlisle: Banner of Truth Trust, 1994.

³ KELLER, Timothy; HUGHES, Kent; ASHTON, Mark, Louvor: Análise Teológica e Prática, Rio de Janeiro, RJ: Vida Melhor Editora, 2017 (Ênfase do autor).