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Lendo livros sob uma ótica bíblica

Nesses tempos em que o entretenimento se mostra como um dos maiores ídolos da sociedade, é importante analisarmos como podemos desfrutar das coisas criadas de maneira saudável. Em editoriais anteriores*, exploramos um pouco o relacionamento que o cristão deve ter com a cultura. Vimos que certos elementos são essenciais para analisar de maneira eficaz se alguma manifestação cultural é benéfica ou não para a nossa fé, colocando em foco os princípios da Palavra de Deus e analisando nossas motivações. Agora voltamos nossos olhos a um tipo específico de manifestação cultural, que também é um dos carros-chefe da indústria do entretenimento: a literatura. Como podemos nos relacionar com a produção literária do mundo? Como cristãos, devemos apenas consumir livros escritos por autores cristãos? Podemos ser edificados por livros de ficção, por exemplo?


Que tipos de livros devemos ler?

Em primeiro lugar, devemos lembrar que, em certo sentido, nossa fé é baseada em um livro: a Bíblia. Então, como cristãos, nossa primeira escolha de leitura é a própria Palavra de Deus; é ela que molda todo o nosso corpo de pensamento e é por meio dela que somos transformados à imagem de Cristo. Essa transformação, essa mudança de mente, afeta todas as áreas da nossa vida, incluindo a maneira como lemos um livro qualquer – por isso é natural termos reações diferentes quando relemos nosso livro preferido após nos convertermos. Charles Spurgeon conseguiu resumir esse princípio muito sabiamente dizendo: “Visite muitos bons livros, mas viva na Bíblia”. Só podemos desfrutar completamente de bons livros se estivermos com a mente saturada de princípios do Livro.


Tendo isso em mente, temos a liberdade de escolher quase todo tipo de livro, tomando certos cuidados. Não é saudável escolhermos livros que tratam pecados de maneira leviana, especialmente aqueles que batalhamos no nosso dia a dia (e que podem nos afetar mais facilmente). Da mesma forma, é perigoso mergulharmos em livros que exaltam aquilo que condenamos e ridiculariza aquilo que a Palavra diz que é louvável; a Bíblia deve ser o nosso juiz também nas decisões de quais livros não ler. Tomando esses cuidados, muitos livros podem ser saudáveis e úteis à nossa caminhada cristã, se lermos de maneira crítica e atentos a mentiras que podem ser jogadas de maneira sutil na folha de papel.


Atenção à linha narrativa!

A narrativa bíblica possui quatro temas principais: criação, queda, redenção e consumação. A criação foca principalmente em Gênesis, na atividade de Deus em criar não só o universo em si, mas também o homem para habitar nele. Em certo ponto, o povo de Israel também foi criado por Deus, por meio do chamado de Abraão e do cumprimento das promessas de Deus em Isaque. A queda é relatada em Gênesis 3, mas seus efeitos são descritos de maneira profunda em todo o resto das Escrituras (ela toma uma cor especial na falha de Israel em representar a Deus diante dos povos). Redenção também é uma ação exclusiva de Deus, já relatada de maneira profética no Antigo Testamento, mas cumprida efetivamente no sacrifício de Cristo, que foca no efeito da reversão da maldição da queda e, de maneira mais específica, na restauração do relacionamento do homem com Deus. Finalmente, a consumação é o resultado final da redenção, onde todos os efeitos da queda são efetivamente desfeitos (uma amostra especial disso está em Apocalipse 21). Por ser parte da narrativa bíblica, esses quatro elementos também são parte da história da humanidade. Logo, não deveria ser grande surpresa para nós, cristãos, reconhecermos tais elementos em diversas outras histórias de ficção: qualquer autor toma como base verdades que ele enxerga sobre o mundo. E mesmo num mundo complexo como o nosso, esses elementos brilham nas linhas da nossa história de maneira inegável. Identificar como autores trabalham tais elementos é um trabalho que tornará nossas leituras muito mais interessantes e produtivas.


Com base nisso, há algumas perguntas que podemos fazer diante de qualquer narrativa, que nos ajudam não só a compreender melhor a história, mas também nos ajudam a construir a ponte entre a nossa fé e aquilo que lemos. Por exemplo, como a atitude de tal personagem se liga com os princípios da Palavra? Qual aspecto da queda é ressaltado no livro e qual a solução que o autor dá para esse problema? Existe algum personagem cuja atitude é semelhante à de Cristo? Como os outros personagens reagiram a isso?


Olhando para o mundo como um livro

Um teólogo do passado dizia que todo cristão deveria carregar a Bíblia em uma das mãos e o jornal na outra, querendo ressaltar a importância de relacionar a nossa fé com aquilo que vemos no nosso dia a dia. De certa forma, ler livros de maneira bíblica é um exercício para isso, é ter sempre dois livros nas mãos, tendo em um deles os princípios que regem todo o universo e a revelação da verdadeira história de salvação da humanidade. Em uma mão temos a chave para interpretar corretamente toda e qualquer história, revelando seus pontos ocultos e exercitando nosso juízo diante de situações diversas. Por isso, tal atividade pode muito bem ser usada por Deus para nos edificar cada vez mais, transformando-nos em cristãos mais atentos ao nosso redor, sendo relevantes em palavras e ações para a glória do Seu Nome.


*Editoriais anteriores: "A cultura que agrada a Deus"


Parte 1: https://www.ibmaranata.org.br/editoriais/a-cultura-que-agrada-a-deus-parte-1

Parte 2: https://www.ibmaranata.org.br/editoriais/a-cultura-que-agrada-a-deus-parte-2


Editorial de Petrônio Nogueira



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