Marcas do discípulo: Produtividade

Independentemente do que você faça no seu dia a dia, seja trabalhando fora ou dentro de casa, estudando ou realizando alguma outra atividade, você com certeza já ouviu falar sobre produtividade. Você já inclusive pode ter se sentido improdutivo por não ter conseguido realizar ou finalizar uma atividade que havia planejado. Agora, você já parou para pensar se há algo na Bíblia que dê base para um cristão buscar a produtividade? Será que a produtividade é algo relevante para o Evangelho?


Talvez, influenciados pela grande variedade de literatura e outros conteúdos não cristãos sobre produtividade que encontramos nas livrarias e em sites especializados, você e eu pensamos que isso é um assunto totalmente mundano e que não possui qualquer base bíblica. Mas por incrível que possa parecer, encontramos sim diretrizes na Bíblia que não só remetem à produtividade, mas que também nos mostram a necessidade de um discípulo buscar a produtividade.


O fato de ser um cristão deve me fazer pensar (agir e falar também!) a partir de uma perspectiva bíblica em toda e qualquer área da minha vida. Portanto, nós, como convertidos, devemos ter uma cosmovisão totalmente diferente da cosmovisão de um não convertido, nos fazendo olhar para questões como a produtividade a partir de uma ótica cristã.[1]


Diferente do que encontramos na grande variedade de materiais sobre o assunto, para um cristão ser produtivo não deve focar primeiro em escolher a melhor estratégia ou ferramenta disponível no mercado, e sim entender os motivos pelos quais deve ser produtivo.


Princípios guia

O apóstolo João nos indica que um discípulo de Cristo precisa dar frutos, mostrando por meio desses frutos que é um servo do Senhor Jesus: “Nisto é glorificado o meu Pai: que vocês deem muito fruto; e assim mostrarão que são meus discípulos” (João 15.8 NAA).


Somos chamados pelo apóstolo Paulo, a vivermos com um propósito e a fazermos o melhor uso do nosso tempo: “Portanto, tenham cuidado com a maneira como vocês vivem, e vivam não como tolos, mas como sábios, aproveitando bem o tempo” (Efésios 5.15, 16 NAA).


Com o exemplo de Marta e Maria, podemos ver que há tarefas que precisam ser priorizadas em detrimento de outras: “Marta! Marta! Você anda inquieta e se preocupa com muitas coisas, mas apenas uma é necessária” (Lucas 10.41b, 42a NAA).


E vemos o Senhor Jesus Cristo mostrar de forma prática um último princípio, que deve nos guiar em qualquer atividade que realizamos. Assim como Jesus colocou as nossas necessidades antes das dEle, devemos fazer o mesmo com o nosso próximo, buscando dessa forma o bem dos que estão ao nosso redor, em tudo o que fizermos: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros” (Filipenses 2.3, 4 NAA).


A necessidade de aplicarmos o “amar”

Entendendo os princípios listados acima e tendo o exemplo de Cristo como modelo, podemos afirmar que o princípio orientador para a nossa produtividade (e tudo mais o que fazemos) deve ser o amor. O apóstolo Paulo, inclusive, deixa isso claro durante sua admoestação na primeira carta aos coríntios, ao afirmar que nós cristãos devemos fazer “todas as coisas com amor” (1 Coríntios 16.14 NAA).


Isso significa, então, que por amor a Deus e ao próximo precisamos administrar bem o nosso tempo e executar com excelência as atividades que nos foram designadas. Ao responder um e-mail, por exemplo, nosso objetivo não deve ser apenas zerar todos os e-mails não lidos e sim devemos ter em mente a necessidade de edificar os outros por meio daquilo que escrevemos. Em um contexto de estudos, quando nos é solicitado realizar um trabalho em grupo, ou em uma empresa quando precisamos participar de uma reunião, ao invés de encarar isso como um “mal necessário” ou como algo penoso, devemos ver como uma oportunidade de contribuir em algo e trazer um ganho para o grupo. Quando estamos desenvolvendo um algoritmo, analisando tendências do mercado financeiro, elaborando um artigo, montando a agenda semanal da família ou lavando a louça de casa, não devemos encarar essas atividades apenas como uma forma de receber nosso salário ou de simplesmente realizar algo por ser necessário ou obrigatório. Devemos enxergar cada atividade que realizamos como uma oportunidade de trazer benefícios para o mundo.


Adquirir essa visão e incorporar este significado para todas as atividades que desenvolvemos muda completamente o modo como encaramos e realizamos o nosso trabalho. A produtividade para um filho de Deus tem como principal objetivo administrar bem o seu tempo para servir a Deus e ao próximo.


O resultado

Ao entendermos e vivermos com esse objetivo, a nossa produtividade dará frutos. E como vimos anteriormente em João 15.8, os frutos são importantes, pois eles servem como um identificador dos discípulos de Cristo.


Esses frutos podem ser vistos de diversas formas: no modo como desenvolvemos cada atividade, deixando de fazer apenas o mínimo, buscando a excelência ao executar a tarefa; tomando a iniciativa para solucionar algum problema ou realizar alguma atividade, aproveitando as oportunidades que surgem e não esperando que alguém nos mande fazer; deixando de liderar com o propósito de beneficiar apenas a si mesmo, mas buscando o bem da equipe ou empresa; e ser justo e correto na distribuição de recursos ou no reconhecimento aos outros.


Como cristãos devemos ser conhecidos como pessoas que administram bem o seu tempo e que não apenas se destacam em seu trabalho ou estudo, mas que ajudam os outros a se destacarem também. Dessa forma, além de cumprirmos uma ordenança, estaremos também contribuindo para o bom desenvolvimento de nossa sociedade.


Em última análise, a busca pela produtividade sob a ótica bíblica é um ato de amor a Deus e ao próximo. É uma forma de refletir Cristo no mundo, pois “boas práticas de planejamento e produtividade existem para nos tornar mais eficazes em fazer o bem e promover o evangelho.”[2]


Editorial de Caio Pascote