Minha ingratidão, meu ídolo

“E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto. E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera tivéssemos morrido por mão do SENHOR na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.”

(Êxodo 16.2-4)


Este é apenas um dos inúmeros momentos em que vemos o povo de Israel murmurando contra Deus ou contra um líder do Senhor. E embora a ingratidão fique mais evidente quando lemos a história do povo de Israel, é um pecado que os antecede. Podemos perceber a ingratidão desde o jardim do Éden quando o homem desfrutava do paraíso e tinha um relacionamento privilegiado com o próprio Deus, e mesmo assim, seu coração foi tomado pela ingratidão ao ponto de querer ser como Ele quando comeu do fruto proibido.

E por conta destes acontecimentos, sempre tive uma postura de julgar tanto Adão e Eva quanto o povo de Israel, desconsiderando totalmente o meu coração nos dias de hoje e me colocando na posição de Deus. E acredito que assim como eu, você que lê este editorial já passou pela mesma experiência. Infelizmente somos ingratos por natureza e somos chamados a lutar todos os dias, a fim de mortificarmos nossa velha, porém, por muitas vezes, atual natureza.


Um coração ingrato é incapaz de ver as bênçãos do Senhor

É triste quando lemos a história da libertação do povo de Israel e vemos uma sequência de murmurações. A primeira logo quando o povo sai do Egito e rapidamente é cercado por faraó: “Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito?” (Êxodo 14.11). E logo em seguida, quando Deus acabara de os libertar abrindo o mar vermelho, novamente lemos: “E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Êxodo 15.24). Avançando alguns versículos, novamente veremos o povo reclamando com relação ao alimento (Êxodo 16.3). Não importava o quanto Deus os livrava, Israel sempre encontrava algo para se queixar, e mesmo havendo momentos de gratidão e alegria (Êxodo 15), sua peregrinação foi marcada por inúmeras murmurações, pois a ingratidão os cegava e os impossibilitava de olhar para as muitas bênçãos que o Senhor estava derramando sobre eles.


Um coração ingrato é um coração infiel

Dificilmente um coração ingrato é um coração fiel a Deus, e vemos isso claramente em Êxodo 32, quando Moisés sobe ao monte Sinai para receber os Dez Mandamentos e logo o povo esculpe para si um bezerro de ouro e o começa a adorar no lugar do Senhor. E o mesmo ocorre conosco nos dias de hoje, perdemos tanto tempo preocupados em adquirir algumas coisas triviais, que aquilo que Jesus fez por nós passa a ser secundário em nossos corações, há uma inversão de valores em um coração ingrato. Trocamos o poder da cruz por coisas sem importância e naturalmente nossos corações diminuem o poder da cruz e maximizam as coisas triviais que buscamos, e quando o que Cristo fez por nós se torna algo trivial em nossos corações, deixamos de adorá-Lo como Deus e então abandonamos nossa fidelidade para com Ele. E como consequência começamos a criar inúmeros ídolos em nossos corações que em algum momento substituem o trono de Deus.


A Ingratidão consome nossa alegria

Definitivamente não há alegria em um coração ingrato. Infelizmente esta afirmação foi uma verdade em minha vida nos últimos meses. Mesmo tendo sido abençoado por Deus em várias áreas da minha vida, não conseguia encontrar alegria em meu coração. Inúmeras murmurações me fizeram perder minha alegria. É impossível murmurar alegremente, isso não existe! Mas muitas vezes preferimos trocar a alegria em Cristo, por quem Ele é e pelo que Ele fez por nós, pela tristeza de nossa ingratidão. Estamos sempre cobrando a Deus, e muitas vezes de coisas que Ele mesmo nunca nos prometeu. Criamos necessidades que são falsas e queremos que Deus as supra. Estamos sempre preocupados com nossas falsas necessidades não supridas, que esquecemos de olhar para a única necessidade real que Deus já supriu em Cristo Jesus.


Deus tem agido no nosso meio ao longo dos séculos. O mesmo Deus que operava milagres no passado continua operando nos dias de hoje. O mesmo Deus que livrou o povo de Israel das mãos de Faraó, continua trabalhando em nosso favor. Oremos por um coração grato e satisfeito em Cristo por quem Ele é e por tudo o que Ele tem feito em nossas vidas.


Editorial de Rafael Ceron de Souza



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