O outro lado da moeda: porque você não é grato?

Atualizado: 26 de Out de 2018

A gratidão não é apenas uma prática desejável, mas uma marca de uma vida alinhada com a vontade de Deus: em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1 Tessalonicenses 5.18). Mas por que você não é grato? Usando alguns episódios de Israel no livro de Números, seguem três possíveis razões de sua ingratidão:


1) Porque você quer (demais) o que não tem

Uma das razões que impede uma vida grata é o desejo intenso pelas coisas do presente. Em Números 11.1-9, o povo de Israel exemplifica o poder da cobiça em gerar a ingratidão. Libertos do Egito e em peregrinação no deserto, o povo queixou-se aos ouvidos do Senhor (Números 11.1). Debaixo da disciplina divina, clamaram ao Senhor e Ele respondeu com misericórdia (Números 11.2, 3). É nesse contexto que alguns começaram a contaminar o povo com saudades das comidas do Egito. Saudades dos peixes, pepinos, melões e de um suposto banquete (Números 11.4, 5). Mas o que o povo fazia no Egito? Pela queixa apresentada, até parece que viviam num resort na beira do Rio Nilo. O povo de Israel era escravo! Influenciados por alguns estrangeiros que saíram com eles (um bando de estrangeiros que havia no meio deles - NVI - Números 11.4), o povo de Israel queixou-se de sua condição. Cobiçaram o que os estrangeiros relataram sobre as comidas do Egito. Esse povo liberto de forma miraculosa ainda tinha o Egito em seus corações. Não eram gratos porque a cobiça pela comida do Egito governava seus corações.


2) Porque perdeu de vista a salvação

A história de Israel também mostra como o pecado traz consequências tristes, ofuscando a beleza da salvação que deve ser testemunhada na vida de cada um. No deserto, Israel perdeu de vista a grande salvação dada por Deus. Mesmo repleta de milagres, a obra de libertação do Egito era constantemente ignorada por Israel, levando o povo à ingratidão.

Em Números 14.1-4, o povo de Israel chega ao ponto de desejar a própria morte diante do relatório dos doze espias (Números 13.25-33). O povo reage como se nunca tivesse testemunhado as obras milagrosas de libertação. Chega ao ponto de pedir para voltar para o Egito (Números 14.4). Esquecido da obra salvadora do Senhor, o povo murmura contra Moisés e contra Arão (Números 14.2).


O Novo Testamento traz um paralelo a esse momento da história de Israel. O apóstolo Pedro afirma que aqueles que estão inertes no desenvolvimento das virtudes cristãs são cegos, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora (2 Pedro 1.9). Ou seja, viver num estilo de vida marcado pela ingratidão é viver esquecido da salvação que um dia lhe alcançou.


3) Porque tem os olhos fixos em circunstâncias, esquecido de que o Senhor está no controle

A murmuração tem sempre um referencial terreno, mas é sempre contra Deus. O povo de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão (Números 14.2). Porém, não foi assim que Deus encarou essa ingratidão: até quando sofrerei esta má congregação que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações que os filhos de Israel proferem contra mim (Números 14.27). O povo queixava-se contra Moisés e contra Arão na perspectiva horizontal, sem esperança vertical. Era uma queixa contra líderes terrenos, porém revelava uma ingratidão contra o próprio Senhor. Israel estava com os olhos fixos em suas circunstâncias, esquecido do controle soberano do Senhor.


Focado em circunstância, você esquece do controle soberano, amoroso e sábio de Deus sobre tudo. Esquecido desse controle, alimenta a ingratidão em seu coração. Sai da gratidão para a murmuração num estado de “ateísmo prático.” Não se esqueça, Deus está orquestrando todas as suas circunstâncias para forjar em você o caráter de Cristo (Romanos 8.28, 29). Até lá, agradeça ao Senhor por sua obra de salvação em sua vida, convicto de que o melhor que pode acontecer é você se tornar parecido com Cristo.


A gratidão é desenvolvida num coração tomado pelas verdades do Evangelho, que faz morrer a cobiça pelo que não tem. É presente naqueles que têm os seus olhos fixos no Salvador e não nas circunstâncias terrenas. Assim é possível crescer para em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1 Tessalonicenses 5.18).


Editorial do Pr.Alexandre "Sacha" Mendes



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