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O Papel da Família na Igreja

Um tempo atrás, meio que sem motivo, comecei a passear pelas fotos do celular. Algumas delas eram de acampamentos passados. Foi muito bom rever essas fotos e lembrar de alguns momentos especiais da época de infância e juventude. Ao mesmo tempo, foi difícil olhar para algumas pessoas que hoje já não fazem parte da igreja — e que, muito provavelmente, não conhecem de fato a Cristo.

 

Infelizmente, essa é uma realidade comum, e muito mais comum do que gostaríamos. Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que de 70% a 88% dos adolescentes cristãos deixam a igreja no segundo ano de faculdade. O motivo que o resultado da pesquisa identificou foi de que esses jovens não foram discipulados em casa.¹ Ou seja, se não há acompanhamento em casa, dificilmente a igreja será capaz de suprir as necessidades espirituais de uma pessoa. Dificilmente alguém se torna um discípulo maduro de Jesus se não houver discipulado e instrução dentro de casa.

 

Famílias fortes, igreja forte

 

Esses números nos ajudam a entender a importância da família para as igrejas. Quando as famílias da igreja são fortes, a igreja é forte. Imagine como seria sobreviver, humanamente e fisicamente falando, se alimentando apenas aos finais de semana. Sim, seria impossível! Ou pelo menos pouquíssimo saudável. Mas é assim que muitas pessoas vivem, se alimentando apenas da pregação de domingo, e sendo acompanhadas apenas aos finais de semana. O impacto disso é visto na saúde da igreja.

 

Quando famílias não entendem para qual motivo foram criadas (primeiro editorial da série), quando pais não entendem seu papel (segundo editorial da série), e quando filhos também não compreendem seu papel (terceiro editorial da série), os resultados são esses que as pesquisas nos mostram. Obviamente, Deus age de forma graciosa ao salvar e transformar pessoas de contextos familiares quebrados. Mas, em geral, quando há um discipulado “interno”, os resultados são consideravelmente melhores.

 

É por isso que a família tem um papel fundamental na saúde da igreja e, consequentemente, no cumprimento da missão da igreja: fazer discípulos! Aliás, não existe discipulado mais intenso do que a criação de filhos.

 

A importância do culto doméstico para a igreja

 

Uma prática familiar que contribui grandemente para a vida da igreja é o culto doméstico. Livros já foram escritos a respeito do tema, mas basicamente a ideia é “replicar” o culto de domingo num contexto menor e mais informal. Porém, antes de falar sobre formas de fazer, quero destacar a sua importância.

 

O culto doméstico é uma ferramenta que ensina muito sobre reverência. Desde cedo, as crianças aprendem a importância de participarem do culto e de ficarem em silêncio. Essa cultura, então, molda até mesmo como a igreja se comporta durante o momento do culto público no domingo.

 

Além disso, o culto doméstico traz as famílias para perto de Deus, uma vez que é um tempo separado para cantar, orar e ler a Palavra. Isso tudo glorifica a Deus e nos ensina mais sobre quem Ele é. O que as famílias consideram importante evidencia-se pela maneira como gastam seu tempo durante a semana. Logo, o culto doméstico regular mostra aos filhos que seus pais creem que Jesus Cristo é o centro de tudo.²

 

E como podemos fazer esse culto em casa? Sejam simples e consistentes. O segredo da eficácia é a consistência, e o segredo da consistência é a simplicidade. Cantem um cântico, leiam um trecho da Bíblia, e orem sobre o que leram. Se tiverem dificuldade com a música, façam só a parte da leitura e oração. Por vezes, este momento juntos não levará mais do que dez minutos. Conforme as crianças crescem, abram espaço para elas fazerem perguntas sobre o texto. Não precisa ser uma superpregação expositiva, apenas a leitura do texto.

 

Sim, parece algo pequeno e simples demais para fazer diferença. Mas o segredo está na constância e perseverança. Pequenas práticas, com o tempo, trazem resultados impressionantes.

 

A família, portanto, tem um papel fundamental no funcionamento da igreja, tanto no que se refere ao cumprimento da missão de fazer discípulos, quanto na participação das pessoas no culto público.

 

Editorial de Gustavo Santos

¹ BAUCHAM JR., Voddie, Família Guiada pela Fé: Faça o Necessário para Criar Filhos e Filhas que Andem com Deus, São Paulo: Editora Monergismo, 2012, p. 7.

² Ibid., p. 97–98.


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