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Os Dez Mandamentos - Desmontando a Fábrica de Ídolos

Atualizado: 24 de jan. de 2023

Um ídolo é tudo o que colocamos no lugar de Deus. Em Romanos 1.20–23, vemos o processo natural do ser humano de, ao observar a criação, decidir adorar “coisas e seres criados no lugar do criador”. Assim, desde o início da história humana, o homem escolhe substituir Deus por outra coisa que satisfaça seus desejos. Vemos isso na queda do homem em Gênesis 3.1–7, em que o homem decide colocar como ídolo o “ser igual a Deus” ao invés de adorar o próprio Deus.


O mesmo aconteceu com o povo de Israel, de forma mais específica no período que ficou no Egito. Após 400 anos no país, o povo se acostumou aos modos dos egípcios e passou a adorar os ídolos deles, tanto os concretos (deuses, animais e natureza) quanto os abstratos (cultura, ciência e sistemas). Assim, ao retirar Seu povo do Egito, Deus precisava purificar o povo para que ele pudesse, de fato, ser o Seu povo, Sua nação santa.


Para isso, Deus iria desconstruir tudo aquilo que o povo conhecia e apreciava no Egito, de forma que o primeiro Mandamento de Êxodo 20 “não terás outros deuses” vem como a formalização de um processo já iniciado.


Vamos analisar esse processo de Deus com o povo de Israel, sabendo que Ele age de forma muito similar conosco para nos purificar da nossa própria idolatria.


1. Pesando a mão


O primeiro ponto é que Deus pesa a Sua mão quando o Seu povo está fora da Sua vontade. O povo estava acostumado com o Egito. Vemos que até mesmo quando Deus enviou Moisés como libertador, o povo ainda assim continuava acreditando que o Faraó era maior do que Deus (Êxodo 5.21), uma forma de idolatria. Assim, se fosse depender da livre inciativa do povo, eles continuariam sob o julgo da escravidão do Egito por mais insustentável que a situação fosse ficando. Da mesma forma, quando alguém do povo de Deus hoje esteja vivendo em rebeldia à sua Palavra, Deus pesa Sua mão para chamar a atenção de Seu filho. Deus não divide a Sua glória com nenhum ídolo (Isaías 42.8), e não deixará que um filho Seu viva na escravidão do pecado.


2. Mostrando que os ídolos são inúteis


O próximo passo de Deus é mostrar que os ídolos que Seu povo adora não são nada perante Ele e não são capazes de entregar o que prometem. As dez pragas (Êxodo 7–12) foram uma demonstração de que os deuses egípcios não eram nada (Números 33.4). Os deuses do Nilo, da ciência, da chuva, das colheitas, do sol que os egípcios tanto veneravam, nada puderam fazer diante do poder do único Deus verdadeiro.


O povo estava aprendendo que não era racional adorar ou temer qualquer um daqueles deuses, pois havia um único Deus que poderia dar a eles tudo o que precisavam. Se eles estavam sofrendo no Egito, seria Deus quem iria libertá-los; se eles eram pobres no Egito, seria Deus quem iria inclinar o coração dos egípcios para entregarem ouro e prata para eles; se eles eram fracos, seria Deus quem daria vitória diante dos inimigos.


Hoje, Deus também age assim conosco. Nossos ídolos, aquilo no que colocamos nossa confiança ou alegria, constantemente nos frustram e revelam o nosso coração idólatra para que voltemos para Deus, o único que pode realmente satisfazer nossas necessidades.


3. Expondo ídolos “menores”


Não há como negar que a libertação dos israelitas do Egito foi um grande feito de Deus. Além das pragas que assolaram o Egito, Deus abriu o mar para o povo passar e destruiu o exército do Faraó (Êxodo 15). No entanto, logo após esse episódio de libertação, o povo fica preocupado com o que comer (Êxodo 16) e beber (Êxodo 17). Observa-se a idolatria do povo quando eles começam a murmurar por não terem comida e quererem voltar ao Egito. Talvez o povo tenha pensado que Deus era capaz de grandes atos de demonstração de poder, mas que Deus não trataria as coisas “menores”.


Mas será que o Deus que demonstrou ter domínio sobre a natureza não seria capaz de alimentar o povo? Quando olhamos para o povo de Israel, talvez pensemos que isso seja um absurdo, mas basta olhar para as nossas vidas para vermos que somos iguais. Nós até acreditamos em Deus para fazer grandes milagres, mas recorremos a ídolos (pessoas, governo, judiciário, bancos, etc.) para satisfazer nossas necessidades e vontades menores.


Vale ressaltar que, nesse ponto, vemos que Deus é bem didático com o povo. No caso da comida, Ele não só fornece alimento, mas aproveita para ensinar o quanto é melhor depender dEle. Enquanto no Egito o povo era escravo e não tinha descanso, agora o povo recebia o alimento de Deus com apenas o esforço de colher o maná, bem como tinham uma folga no sábado. Além disso, em Êxodo 17.8, logo após Moisés tirar água da pedra, os israelitas precisaram enfrentar os amalequitas. Vemos que, enquanto Moisés manteve as mãos levantadas, o povo de Deus prevalecia; mas quando ele abaixava as mãos, o povo perdia. Deus está ensinando que a vitória é por meio dEle, e não pela habilidade do povo. Até nas coisas do dia a dia é Deus quem dá a vitória.


4. Corrigindo a adoração


Após ensinar ao povo sobre a confiança que deveriam ter nEle, Deus chama o povo para a adoração a Ele em Êxodo 19. Ao chegarem ao monte Sinai, Deus revela mais um aspecto importantíssimo do Seu caráter: a Sua santidade. Por isso, o povo é orientado a se consagrar para poder se aproximar de Deus e, ainda assim, não podem nem sequer tocar no monte, senão morrerão. Nesse ponto, vemos a figura do mediador entre Deus e o povo, nas pessoas de Moisés e Arão. Ou seja, para um povo pecador se aproximar de um Deus santo é necessário um mediador, apontando para Jesus Cristo.


Abandonar os ídolos implica também em abandonar a adoração equivocada. A adoração a Jeová envolve consagração e não apenas execução de sacrifícios vazios; ela visa reconhecer a santidade de Deus e não apenas receber favores. Abandonar os ídolos não é simplesmente adorar a Deus da forma como estávamos acostumados a adorar os ídolos (buscando prazer pessoal, tentando provar ser digno por meio de boas obras e sacrifícios, reagindo mal quando não conseguir o que se quer, se tornando um escravo do pecado etc.), mas sim adorá-lO da forma como Ele determina e desfrutando do prazer que é servi-lO.


Ao término desse processo, então, Deus anuncia de forma imperativa o que estava construindo com o povo ao longo dos últimos capítulos: “Não terás outros deuses além de mim” (Êxodo 20.3). Essa pequena ordenança significava muito mais do que simplesmente uma declaração e, sim, um comprometimento ao abandono dos ídolos por parte do povo para se dedicarem à submissão e adoração exclusiva e correta a Jeová.


Falar que Deus é o único Deus traz implicações práticas. Portanto, esse processo descrito é útil para nós hoje também. Da mesma forma que as pessoas no passado se entregavam a ídolos, as pessoas de hoje também o fazem, e a solução é a mesma: adoração verdadeira ao único Deus.


Graças a Deus por Jesus Cristo, que é quem nos tira da nossa idolatria e nos capacita a viver de forma digna para Deus, como povo santo.


Editorial de Tássio Cavalcante



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