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Os Dez Mandamentos – Somos Todos Adúlteros

A exclusividade é uma coisa muito procurada pela nossa sociedade. Ter um carro único, supercaro e com detalhes que só você desejou seria legal. Uma roupa feita por um grande estilista de moda, em um corte ao seu molde e somente para você seria demais! Carregar algo exclusivo traz valor, significado e status. Mas, em algumas ocasiões, a exclusividade não tem essa característica tão legal e empolgante dos exemplos citados. Por quê?


Talvez você já imagine o que será falado mais à frente, mas já parou para pensar realmente o motivo que leva as pessoas a não levar tão a sério a exclusividade conjugal e sua relação de devoção com o único Deus? Por que não apreciamos estes relacionamentos tanto quanto apreciamos a exclusividade material?


Definindo adultério


O texto de Êxodo 20.14, que traz o sétimo Mandamento, diz: “não adulterarás”. Esta curta frase já nos dá o suficiente para entendermos o que não devemos fazer. Porém, é preciso expandir a compreensão e a relação que Deus quer que tenhamos dessa ordem. O decálogo não faz tanto sentido se lido como uma lista de tarefas ou um checklist cristão, mas quando lido teocentricamente, ou seja, conectando a Deus todos os aspectos. Só assim tudo fará sentido — e fará muito mais sentido.


O adultério é o relacionamento sexual envolvendo um homem (ou mulher) com uma pessoa que não é o seu cônjuge — é, portanto, uma quebra da aliança instituída por Deus no Éden, quando um homem e uma mulher se tornam uma só carne (Genesis 2.22–25). Esse Mandamento visa proteger a santidade do lar e a base da sociedade.


Semelhantemente, a palavra de Deus nos exorta no nosso relacionamento diretamente com Ele (Êxodo 34; Deuteronômio 7). Quando tiramos o Senhor do Seu trono em nossos corações e substituímos por outra coisa, estamos cometendo adultério (Tiago 4.4), estamos nos prostituindo com falsos deuses (Ezequiel 16; Oséias 4).


Tratando na vertical


Nesse sentido, somos todos adúlteros quando falamos do nosso relacionamento com Deus, pois quem não amou mais algo do que amou a Deus? E a Bíblia nos mostra que essa troca da adoração a Deus por outros deuses tem aspectos e consequências muito profundas e devastadoras.


Tanto o Antigo como o Novo Testamento falam sobre o adultério. No Antigo Testamento, a pena para o adultério em Israel era apedrejamento (Levítico 18.20; 20.10; Deuteronômio 22.22), mostrando a seriedade das consequências da infidelidade conjugal. No Novo Testamento, Jesus não só condena o ato final, mas o caminho que pavimenta o ato final — a luxúria (Mateus 5.27–32) manifestada pelo nosso coração.


O primeiro Mandamento (Êxodo 20.3), “Não terás outros deuses diante de mim”, é o Mandamento que rege e calibra todos os outros Mandamentos. Quando substituímos o Senhor por outras coisas colocamos novas regras e diretrizes em nossa vida. Imagine alguém que só vive apertado financeiramente porque gosta de viver uma vida boa. Para alcançar isto é necessário ter dinheiro, o que o leva a trabalhar muito. Veja, a necessidade para ter o que se adora (boa vida) é recheada de coisas que nos dominam e nos escravizam. Nosso tempo, nossa família e a igreja provavelmente serão comprometidos por esse estilo de vida. O prazer da “boa vida” como um falso deus parece ser muito bom pelo exemplo citado, mas também cobra seu preço, um fardo extremamente pesado, cansativo e sem fim.


Em contrapartida, o Senhor Jesus nos traz descanso em nossa jornada (Mateus 11.28–30). Sua obra nos libertou da ira vindoura de Deus e da escravidão que tínhamos em nossa carne e em nossos desejos. Amando o Senhor sobre todas as coisas conseguimos viver vidas guiadas pelo amor e gratidão a Ele.


Tratando na horizontal


A exclusividade da adoração ao Deus verdadeiro não só nos direciona no caminho de uma vida correta diante dEle, mas também muda aspectos da nossa relação com as pessoas. E é aqui que entra a questão do adultério como prática. O que falamos até agora acontece, num certo sentido, internamente. Mas tudo aquilo que acontece internamente pode, em algum momento, se externar.


E embora pareça um assunto do mundo masculino, não se engane! De fato, a pornografia — uma forma de adultério — é um meio pelo qual os homens são facilmente atraídos, mas as mulheres não estão isentas disto. Um meio que fomenta esse caminho nas mulheres muitas vezes são filmes ou literaturas que desenham o homem perfeito, carinhoso, sedutor e que as satisfariam em tudo.


João nos chama a atenção para as coisas que o mundo nos oferece:


“porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne,

a concupiscência dos olhos e a soberba da vida,

não procede do Pai, mas procede do mundo.”

(1 Joao 2.16)


A fidelidade ao relacionamento conjugal está intimamente ligada a quem — ou ao que — nós amamos. Quando amamos a Deus sobre todas as coisas e desejamos viver sua Palavra, nosso cônjuge é abençoado, pois o amaremos nos moldes que o Senhor manda. Nossa dedicação e amor ao cônjuge são calibrados pelo amor que temos pelo Senhor e gratidão pelo o que Ele fez por nós. O contrário disto é dar vazão aos desejos do nosso coração e às concupiscências que o mundo oferece.


Reflexão

  • Você tem o hábito de avaliar os seus desejos por traz de algo que vai fazer e do que está pensando? Lembre-se de Tiago 1.12–15;

  • Você já parou para avaliar o que tem consumido de entretenimento, seja em filmes, streamings e redes sociais? Lembre-se de 1 Pedro 1.13–21;

  • É um hábito frequente avaliar seu relacionamento com Deus? Leitura bíblica, oração, serviço e frequência à igreja, são hábitos em sua vida? (Mateus 22.37 e 38; 1 João 2.3–6);

  • Se você é casado, você e seu cônjuge têm se dedicado a ter bons tempos de comunhão e momentos sozinhos de intimidade? (Colossenses 3.18 e 19; 1 Coríntios 7.1–6; Eclesiastes 9.9; Provérbios 5.18 e 19);

  • Se você é solteiro, você tem se guardado em pureza? (1 Tessalonicenses 4.3–8).

Editorial de William Rubial


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