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Passa à Amazônia!

“E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia,

mas o Espírito de Jesus não o permitiu. E, tendo contornado Mísia,

desceram a Trôade. À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.”

(Atos 16.6-10)


Há alguns dias, tive a oportunidade de acompanhar um grupo de homens de nossa igreja numa viagem missionária à Amazônia. Lá, fomos recebidos por obreiros da missão SEARA (searapv.org), que, por mais de 10 anos, têm-se dedicado à evangelização de pequenas, mas muito numerosas, comunidades ribeirinhas.


Após muitas horas de barco, navegando por rios cujas margens conservam quilômetros de distância entre si, começamos nossa série de visitas às comunidades propriamente ditas. Logo de início, fomos confrontados com uma realidade totalmente diferente da que estamos acostumados nas cidades em que vivemos.


A eletricidade era limitada a algumas horas da noite em que o gerador estava ligado, iluminando as pequenas casas de madeira com telhas de zinco. Não havia qualquer sinal de celular, na verdade, isso já havia sido constatado por nós muitas horas antes, no início da navegação. Era domingo, e as pessoas começavam a chegar para o culto que seria celebrado na igreja local, vindo de comunidades vizinhas, enfrentando vários minutos em lentos barcos para se reunirem e navegando já no escuro da noite para as suas casas após a celebração.


Foi um choque. O estilo de vida no lugar era diametralmente oposto ao que fomos, por muito tempo, acostumados a ter por certo. Vimos um povo com grandes necessidades, um povo que, sem dúvida, precisa de nossa ajuda.


É interessante notar que, na passagem citada no início desse texto, lemos que o varão macedônio clamava exatamente por ajuda. Certamente, a Macedônia nos tempos bíblicos também era uma terra muito necessitada. De fato, em 2 Coríntios 8.1,2, o apóstolo Paulo diz que as igrejas dessa região passavam por “muita prova de tribulação” e “profunda pobreza”.


A real necessidade

Ao receber um pedido de ajuda de um povo em profunda pobreza, Paulo e seus colaboradores imediatamente concluem que isso era um chamado para a anunciação do evangelho (Atos 16.10) e não para os atender em necessidades materiais.


Muitas vezes é difícil olharmos para uma pessoa necessitada e enxergarmos que a real necessidade dela é o evangelho. Ficamos perplexos pela falta de itens básicos, de cuidados médicos, de alimentos, esquecendo-nos de que, comparadas a Cristo, nenhuma dessas coisas têm valor, já que Ele mesmo nos promete prover delas ao recebermo-Lo como Senhor de nossas vidas.


Necessidades materiais não impedem a prática de boas obras

“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade.”

(2 Coríntios 8.1,2)


Foi patente para nós a generosidade do povo amazônico. As crianças, ao receberem doces, logo os dividiam com as outras e estas dividiam novamente com outras. Os próprios adultos ao voltarem de uma pescaria, por exemplo, repartiam o que pegavam com os outros membros da comunidade. Ou seja, as necessidades materiais não são obstáculos para essas pessoas agirem de forma altruísta, mesmo sem a presença do evangelho, já que é algo imposto por sua própria cultura. Logo, quando Jesus entra na vida delas, Ele não só potencializa esses atos de generosidade e expressões de alegria, como também muda as motivações por trás deles, gerando visíveis mudanças inclusive no aspecto geral da comunidade e na saúde de seus habitantes.


Sem dúvida, foi uma experiência singular ter visto como o poder do Evangelho tem transformado a vida daquelas pessoas e compartilhar de alguns dos desafios que os missionários naquele campo enfrentam. Muitos passam por situações próximas às narradas por Paulo na Macedônia (2 Coríntios 7.5), certamente necessitando de nossas orações. Porém, além de nossas orações, se realmente queremos ajudar os necessitados, só nos resta uma coisa: pregar o evangelho!


Editorial de André Negrão



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