Provações e maturidade: graça

Existem muitas formas de se noticiar ou informar sobre a chegada de uma tempestade. Hoje, é muito comum telejornais e sites especializados divulgarem mapas e esquemas, que delimitam áreas e instruem pessoas sobre a iminência desse perigo e o risco que ele trará.


A tempestade que enfrentei há quase dois anos, veio também através de uma informação, mas de um médico na sala de emergência de um hospital: “Walter, infelizmente, o senhor terá que permanecer internado. Os exames revelaram a presença de um tumor de 5,5 centímetros em seu rim direito e nós precisamos operá-lo com urgência.”


Naquele dia eu havia chegado em casa com minha família e já era noite, coloquei minha filha para dormir e, enquanto minha esposa se preparava para o banho, eu fui ao banheiro urinar e quase desmaiei quando vi a quantidade de sangue que começou a sair. Era estranho, porque havia muito sangue, mas não havia dor alguma. Corremos, então, para o hospital e, embora estivesse sem dor, o tumor já estava lesionando o rim direito e coágulos passaram a cair na bexiga, entupindo o canal e me impedindo de urinar. Eu tremia e suava frio, porque com a bexiga cheia eu só conseguia eliminar algumas gotículas de sangue.


A aflição era tão grande que eu não conseguia raciocinar, somente repetia: Jesus me ajuda! Misericórdia, Senhor! A tempestade parecia forte demais, porque soprava dúvidas demais, o sol parecia distante demais, os próximos acontecimentos sombrios demais e, as respostas, poucas demais.


Nos dias de internação, antes da cirurgia, passei por momentos, realmente, desesperadores por não conseguir urinar. E, talvez isso escandalize você leitor, mas eu, um crente em Cristo Jesus, tive medo, senti tristeza, não conseguia descansar e nem desfazer aquele angustiante nó, teimosamente amarrado na minha garganta. Mas, como sempre existe uma razão para estarmos numa tempestade, aos poucos, Deus ia me revelando o motivo pelo qual eu estava passando por tudo aquilo. Meus erros e pecados, muitos deles intocáveis, que consegui enxergar, nem chegavam perto da principal razão que Deus, embora em silêncio, gritava em minha mente: “VOCÊ ESTÁ AQUI PORQUE AINDA NÃO CONFIA EM MIM”.


E a prova disso veio logo em seguida, quando uma amiga, enfermeira da U.T.I., veio me ver e, após conhecer todo o ocorrido, me perguntou qual médico iria me operar. Quando mencionei o nome do médico, ela abriu um enorme sorriso ao me falar que aquele era o melhor médico do hospital e que eu podia ficar tranquilo. Ah, como é fácil nos esquecermos do Senhor! Meu coração aflito que, há poucos instantes, clamava pela misericórdia de Deus, agora, se acalmava nas hábeis e promissoras qualidades de um médico. Nem imaginava, no entanto, que eu estava prestes a receber uma maravilhosa e emocionante lição de Graça.


À noite, no quinto dia de internação, fui levado ao centro cirúrgico. Estava confiante, mas um pouco agitado porque o médico não havia chegado. Acredito que tenha perguntado para todos os enfermeiros e auxiliares sobre o seu paradeiro. Foi quando dois médicos entraram na sala. Um deles estava com alguns exames nas mãos e explicava para o outro, que parecia estagiário, o esquema de toda operação. “Olá, Walter! Sou o doutor Fulano, vou te operar no lugar do seu médico que, em função de alguns problemas, não pôde comparecer, ok?” Naquele momento, na mesma medida em que meus olhos físicos se fechavam pelo efeito da anestesia, Deus, graciosamente, ia abrindo os olhos do meu coração e me fazendo enxergar quem verdadeiramente Ele é. Ao deixar o centro cirúrgico, minha esposa e alguns irmãos me aguardavam. Todos com sorriso nos lábios, me diziam que a operação tinha sido um sucesso. Deus havia escolhido o olho do furacão para me conceder, ali mesmo, a Graça de experimentar todo o Seu cuidado, toda Sua bondade, toda Sua misericórdia e o imenso Poder do Seu amor ao me fazer compreender que a minha vida está completa e absolutamente em Suas mãos e que nada, nem ninguém, pode mudar isso.


Deus tirou o melhor médico da equipe para que eu entendesse que foi o Senhor Jesus que me operou e que toda glória pertence somente a Ele. LOUVADO SEJA O MEU DEUS!


E, pode parecer loucura eu dizer isso, mas, na vida espiritual, a calmaria é pior que a tempestade, porque os grandes atos de fé raramente nascem de situações tranquilas. A fé verdadeira começa, quando em mar revolto, conseguimos enxergar Deus no alto do farol e, mesmo tendo a consciência de que somos incapazes de chegar até lá, prosseguimos, confiantes na única certeza de que Cristo está conosco.


A biópsia revelou que se tratava mesmo de um câncer, mas o tumor estava restrito ao rim e, portanto, não houve metástase. Não precisei tomar nenhuma medicação, apenas deveria cuidar bem do outro rim e realizar exames periódicos para acompanhamento. No total foram seis dias de internação, mas no sétimo o Senhor me deu alta da minha maior enfermidade: a incredulidade. E, embora o meu corpo necessitasse de dieta, minha alma deixava, definitivamente, o genuíno leite espiritual, para, agora, nutrir-se de alimento sólido (Hebreus 5.11-14), do verdadeiro alimento celestial, que continuará fortalecendo a minha fé e, a cada dia, me fazendo mais parecido com Cristo.


A Graça que recebi de Deus não pretendeu apenas me ensinar, mas me chocar, não pretendeu só esclarecer, mas me acordar, não pretendeu somente abrir meus olhos, mas dobrar meus joelhos em dependência e confiança, obediência e perseverança e, acima de tudo, em temor e gratidão ante a majestade do meu, somente meu, exclusivamente meu, SENHOR E SALVADOR!


Editorial de Walter Feliciano



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