Socorro para os que sofrem

O sofrimento é algo inescapável para o ser humano. Após a queda do homem narrado na Bíblia em Gênesis capítulo 3, o sofrimento passou a ser parte quase que inseparável de nossas vidas. Diante do sofrimento sem precedentes experimentado por Jó, seu amigo Elifaz exclama sabiamente: “Mas o homem nasce para o enfado, como as faíscas das brasas voam para cima” (Jó 5.7).


Mesmo sabendo disso, as dores e perdas por vivermos neste mundo caído nos afetam. Na última semana, fomos impactados pelo desastre que aconteceu em Brumadinho, Minas Gerais. Com o rompimento de uma barragem, dezenas de pessoas morreram e centenas estão desaparecidas. As cenas de pessoas sendo resgatadas do meio da lama e de bombeiros chorando nos comovem. Mas o fato de sabermos que vivemos em um mundo amaldiçoado pelo pecado e ainda assim nos assombrarmos com este tipo de acontecimento aponta para a realidade de que não fomos criados para este mundo.


Diante de uma catástrofe como esta, como Deus espera que os cristãos reajam? Seguem três pontos que descrevem parte do que nós devemos fazer como cidadãos que vivem neste mundo, mas que não são deste mundo.


Lamente e ore!

Lamentar e orar são atividades espirituais e os cristãos são os únicos que podem cumpri-las de forma integral. Diante de uma tragédia como esta, podemos ser tentados a buscar um culpado ou simplesmente dar opiniões sem reflexão. Porém, antes de tudo, Deus nos chama a lamentar e orar.


Quando Neemias soube que os muros de Jerusalém estavam em ruínas, ele não foi imediatamente ao rei terreno da época ou culpou seus irmãos israelitas pecadores. Neemias lamentou e chorou diante do Rei dos reis: “Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Neemias 1.4).


Se sacrifique e ame!

Se primeiramente devemos lamentar e orar, em seguida devemos nos sacrificar e amar as pessoas. Neste caso específico, talvez você tenha a oportunidade de doar financeiramente para as vítimas, enviar suprimentos ou até mesmo ir até o local ajudar. Isso é ótimo, mas talvez a maioria de nós não possa ajudar desta forma. Isso não significa que não podemos nos sacrificar ao amarmos pessoas.


O ocorrido em Brumadinho é algo que aconteceu com diversas pessoas ao mesmo tempo. Porém, da mesma forma, o sofrimento por causa do pecado é sentido por nós todos os dias, em todos os lugares. Talvez seja um vizinho que esteja próximo do suicídio porque sua filha não quer mais vê-lo, talvez seja um casal que esteja perdendo seu filho para uma doença mortal ou talvez seja um irmão que perdeu um ente querido em um acidente. Em todas estas situações, somos chamados a nos sacrificar e amar essas pessoas, seja chorando com elas, seja consolando-as, seja ministrando a elas. Porém, tudo isso vai exigir sacrifício amoroso de todos nós.


Proclame e viva!

Ao lamentarmos, orarmos e amarmos as pessoas com todas nossas forças, talvez algo mais profundo que não enxergamos agora se torne visível. O pecado está num estágio muito avançado para ser curado simplesmente pelo nosso amor. Talvez na sua interação com alguma vítima de um desastre descubra que sua miséria seja o fato que antes ela era um esportista e ficou de cadeira de rodas. Talvez ao ajudar e amar alguém que foi abusado sexualmente você veja que algumas feridas são muito profundas.


É nesse momento que a nossa fé passa a fazer mais sentido, quando vemos a feiura do pecado e nos colocamos de joelhos para lamentarmos, orarmos e proclamarmos a esperança da ressurreição que temos em Jesus Cristo. A glória de sermos embaixadores do ministério da reconciliação é que a maior obra que podemos fazer ainda é proclamarmos, da parte de Cristo, que as pessoas se reconciliem com Deus!


E ao perseverarmos lamentando, orando, amando, proclamando e vivendo a verdade, passaremos a enxergar cada vez mais o quão central é a vida futura com nosso Salvador Jesus Cristo!


“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem,

mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais,

e as que se não vêem são eternas”.

(2 Coríntios 4.17, 18)


Editorial de Leonardo Cordeiro



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