A cultura que agrada a Deus (Parte 1)

Atualizado: 19 de Set de 2018

Toda pessoa que já passou pela experiência de conversão sabe da revolução que se passa em sua mente. Quando o Espírito Santo nos toca, somos confrontados com nossos pecados, admitimos que seguíamos uma dinâmica em que nós éramos o centro das nossas vidas e nos dispomos, pela graça, a seguir uma dinâmica em que Deus é o centro de tudo. Isso nos leva a reavaliar todas as coisas que fazíamos anteriormente, desde o tipo de música que escutávamos, o tipo de entretenimento que tínhamos e até mesmo o jeito que trabalhávamos. Todas as coisas passam por uma transformação, passamos a vê-las de maneira diferente. Diante dessa experiência, somos chamados a pensar cada uma dessas coisas de maneira bíblica, procurando na Palavra a maneira certa de encarar cada uma, como Paulo menciona em Romanos 12.2. Com isso, surge automaticamente a pergunta: Como o cristão deve se relacionar com a cultura em que está inserido?


Muitas pessoas têm uma resposta pronta para esse tipo de pergunta: “Já que eu sou uma nova pessoa e pertenço a um novo povo, não há nada de aproveitável na cultura ao meu redor. Logo, eu devo rejeitar toda a minha bagagem cultural, visto que ela não foi construída com o foco de glorificar a Deus”. Essa visão tem um ponto de verdade: pensando em cultura como conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos e costumes que distinguem um grupo social, devemos sim analisar todas essas coisas sob uma nova ótica, usando os óculos da Palavra de Deus. É por isso que dizemos que todo cristão deve ser contracultural. Ele não deve se amoldar à dinâmica social dominada pelo egoísmo, destruição e tudo o mais que vem a desonrar a Deus, mas deve agir de modo a mostrar os padrões de comportamento do Reino, apontando sempre para o fato de que temos um Rei que nos ama e que nos salvou para andarmos com Ele e como Ele (1Jo 2.5,6). Porém, se admitirmos que cultura é mais do que um sistema ou uma maneira de se comportar, mas abrange também os costumes, tradições e manifestações artísticas em geral, encontramos um problema: a Bíblia é clara em nos dizer qual é a maneira de andar do filho de Deus, mas ela não especifica o tipo de manifestação cultural que agrada a Deus. Ela não diz o tipo de pintura ou ritmo musical que Deus prefere e muito menos se ele prefere versos decassílabos ou alexandrinos em seus hinos de louvor. Mais profundo que isso, a Bíblia trata de princípios e motivações. A verdade é que a Palavra condena a cultura por um lado, mas a exalta por outro. Antes de entender como podemos nos relacionar positivamente com a cultura, é importante ressaltarmos dois perigos que são comuns nesse processo.


O perigo de se amoldar à cultura

Existem elementos da cultura que claramente afrontam a santidade de Deus. Como bons crentes brasileiros, sabemos que diversas músicas, festas e manifestações artísticas acabam por desprezar a dignidade humana, principalmente porque desconsidera que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Somos muito bons em identificar os exemplos mais gritantes, como os tradicionais desfiles de carnaval, mas somos lentos em discernir quais tipos de música nos afastam de Deus, quais peças teatrais nos fazem pensar como se não tivéssemos sido regenerados ou quais filmes incitam as nossas paixões carnais. É nesse momento que devemos lembrar das advertências da Palavra e do nosso chamado à pureza, sabendo que vivemos num mundo cuja dinâmica gira em torno do prazer egoísta. Mesmo nesse meio podre, somos chamados a refletir o caráter de um Deus santo.


“Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora,

quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo aquele que os chamou,

sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito:

Sejam santos, porque eu sou santo.”

(1 Pedro 1.14-16)


O perigo de confiar em uma cultura para a justificação

O segundo perigo é bem mais sutil do que o primeiro e parece estar mais presente mesmo em comunidades cristãs ditas maduras e era um tipo de problema que a igreja de Colossos enfrentava em seu tempo. Havia um grupo dentro da igreja que defendia “Cristo e algo mais” para uma aceitação da parte de Deus. Daí vem a recomendação de Paulo:


“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.”

(Colossenses 2.8)


A tentativa desses falsos mestres era pegar elementos de sua própria cultura (partes da lei mosaica, por exemplo) e mesclá-los com o evangelho que havia sido pregado aos Colossenses. Assim, indo na contramão da liberdade que o evangelho traz, se impunha sobre eles a observância de dias sagrados, festas específicas, restrições alimentares... O que eles não entendiam era que qualquer coisa que venha do homem para tentar uma reconciliação com Deus é inútil. Mas essa é a boa notícia do evangelho que eles haviam desprezado: Deus mesmo proveu um meio para nos aproximarmos dEle! O sacrifício de Cristo é suficiente. Ele pagou totalmente o preço que era devido. Qualquer coisa que adicionamos a isso é desprezar esse sacrifício e só nos afastará mais e mais de Deus.


Ou seja, existe um perigo real de misturarmos tradições humanas com ordenanças divinas. E não precisamos ir muito longe para identificarmos isso: quantas vezes não ficamos incomodados quando uma música é tocada de uma maneira diferente no momento do louvor? Quantas vezes não nos pegamos dizendo que certos tipos de instrumentos não são compatíveis com a adoração? É nesses momentos que precisamos ser relembrados da nossa liberdade em Cristo: agora, pela graça, podemos nos manifestar de diversas formas para o louvor da glória dEle, desde que permaneçamos firmes nos seus princípios.


Mas a pergunta persiste. Já sabemos como não devemos nos relacionar com a cultura, mas qual é o lugar dela na adoração e como ela reflete o caráter de Deus? Vamos tentar entender isso melhor na semana que vem! 


Editorial de Petrônio Nogueira



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