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Discípulos: pessoas como nós

Atualizado: Fev 8

O estudo sobre a vida dos discípulos de Jesus é surpreendente. Num contexto religioso marcado pela presença da idolatria aos apóstolos, somos levados a enxergá-los como figuras excepcionais e num patamar de espiritualidade inalcançável. Sem dúvida, os apóstolos foram homens transformados pela presença, ensino e obra de Jesus em suas vidas. Porém, os registros bíblicos descrevem homens comuns, com lutas semelhantes às nossas. Dúvidas, resistência, confusão e até mesmo negação foram atitudes presentes na vida desses homens especiais e especialmente comuns.


John MacArthur tem razão ao afirmar que “o que tornava esses homens importantes era o Senhor ao qual serviam e a mensagem que proclamavam” (12 Homens Extraordinariamente Comuns). Diante de tanta coisa que poderia ser destacada, considere alguns pontos de contato entre a experiência apostólica e a nossa hoje.


Encontrados como estavam para nunca mais serem os mesmos

Os discípulos foram chamados para seguir Jesus em circunstâncias e situações pessoais diferentes. É difícil identificar um padrão claro nas características desses homens escolhidos. Jesus escolheu pescadores, cobrador de impostos, ativista político e até homens que pouco sabemos de suas atividades prévias e posteriores ao tempo com Jesus.


Porém, fica evidente no acompanhamento da narrativa que esses homens foram encontrados como estavam para nunca mais serem os mesmos. Em suas atividades, esses homens foram transformados: quem pescava peixes passou a pescar homens (Mateus 4.19) e quem cobrava impostos passou a distribuir graça (Mateus 9.9). Também foram tocados pela graça de Deus que os transformou de homens confusos a discípulos ousados em suas pregações (Mateus 26.69-75; Atos 2.14-36).


Assim é a vida de cada discípulo encontrado por Jesus. Tanto a sua quanto a minha. Fomos encontrados por Jesus como estávamos para nunca mais sermos os mesmos. A vida com Jesus transforma nossa vida por completo. Discípulos são transformados evidenciando que estiveram com Jesus (Atos 4.13), andando como Ele andou (1 João 2.6) e exalando o bom perfume de Cristo (2 Coríntios 2.14-17).


Um processo, não um evento

Crescimento lento num processo longo é difícil de ser percebido. Mas é assim que comumente Jesus trabalha na vida dos seus discípulos. Nas histórias dos primeiros seguidores de Jesus, somos confrontados com a realidade de que maturidade cristã não é resultado de um evento instantâneo, mas um processo marcado pelo relacionamento com o Salvador e Senhor de nossas almas. Foi o conhecimento de Jesus que transformou homens pecadores em instrumentos úteis nas mãos do Senhor (João 17.3; 2 Coríntios 3.18; Filipenses 3.8-11).


Um homem irado, filho do trovão (Marcos 3.17), é transformado no apóstolo do amor: João. O inconsequente e inconstante Pedro é transformado num líder corajoso que marcou o início da Igreja primitiva. Cada um dos discípulos, exceto Judas Iscariotes, experimentou uma transformação progressiva, rumo à utilidade nas mãos do Senhor nos propósitos do Senhor.


De forma semelhante, observamos o mesmo padrão hoje. Jesus nos salvou, nos santifica e irá nos glorificar (Romanos 8.29, 30). Fica claro que sem Ele nada podemos fazer (João 15.5) e é para Ele que fazemos todas as coisas (Colossenses 3.23). Numa caminhada cujos obstáculos nos são desconhecidos fica cada dia mais claro que é o Senhor quem dirige os passos dos Seus discípulos enquanto nos transforma no caráter de Jesus (Salmo 25.12; Romanos 8.28).


Gente fraca nas mãos do Deus forte

Jesus usa pessoas fracas e comuns. Os discípulos eram homens que oscilavam entre fé e incredulidade, até quando davam passos de fé extraordinária sobre as águas (Mateus 14.22-33). Os discípulos nem sempre entendiam o plano de Jesus (Marcos 9.30-32; João 14.9) e eram marcados por fraquezas, até quando receberam poder para curar (Marcos 9.14-29). Alguns até passaram desapercebidos: Tiago, filho de Alfeu; Simão, o Zelote; e Judas (não o Iscariotes). No entanto, dotados do Espírito Santo (Atos 1.8), os primeiros discípulos de Jesus foram usados grandemente para edificar a Igreja (Efésios 2.20). Assim Deus agiu, usando gente fraca para deixar claro que a força vem dEle (1 Coríntios 1.27-29).


Deus continua agindo dessa forma. Louvado seja o Senhor pela vida dos discípulos apóstolos. Aprendemos lições valiosas do agir do Senhor em suas vidas e gratos pela instrumentalidade desses homens feitos de barro como nós e vivificados pelo mesmo Espírito. Somos encorajados com o progresso da fé e a certeza de que Deus usa discípulos de vários momentos da História, pessoas como nós.


Editorial do Pr. Alexandre "Sacha" Mendes




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