Gratidão Em Ação...
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... mesmo quando a vida nos der… uma meia.
Há alguns anos, soube de uma companhia aérea canadense que fez uma ação natalina interessante. Na sala de embarque, na véspera de Natal, os passageiros foram convidados a escrever o que gostariam de ganhar.
Teve de tudo: gente pedindo uma TV gigante, um videogame, passagens aéreas, boneca… e lembro bem de um engraçadinho que pediu meias.
Ao chegarem ao destino, encontraram o Papai Noel esperando por eles no desembarque com todos os pedidos atendidos. Todos! Da TV à passagem aérea. E, sim, isso incluía o camarada das meias, que imagino que até hoje esteja arrependido da brincadeira. O coitado ganhou exatamente o que pediu.
A cena é curiosa porque escancara algo que todos sabemos: desde que as meias existem, poucos são os que gostam de ganhá-las! E, ainda assim, ensinamos nossos filhos a sorrir e dizer “muito obrigado” quando recebem uma, não é?
Ensinamos porque, no fundo, não queremos formar apenas reações positivas a presentes desejáveis, mas um coração verdadeiramente grato. Um coração que reconhece e entende que gratidão não depende daquilo que se recebe.
Mas, se formos honestos, precisamos admitir: aquilo que ensinamos nem sempre praticamos com a mesma constância.
Sabemos agradecer quando a vida nos entrega aquilo que queremos. Quando os planos funcionam, quando as portas se abrem, quando as respostas chegam. Nesses momentos, a gratidão parece quase automática.
Mas e quando a vida nos dá… uma meia?
Quando o que chega é simples demais, ou diferente do que esperávamos. Quando as respostas não vêm. Quando aquilo que recebemos não se encaixa no que gostaríamos de ter recebido.
É aqui que a pergunta se torna inevitável: a gratidão é algo pontual, condicionada às circunstâncias — ou algo que somos chamados a viver o tempo todo?
A Bíblia não deixa essa questão em aberto. O apóstolo Paulo escreve: “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1Tessalonicenses 5.18). E também: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas, em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus” (Filipenses 4.6 e 7).
A gratidão, portanto, não é seletiva. Ela não aparece apenas quando tudo vai bem. Ela atravessa todas as circunstâncias.
E isso nos mostra algo essencial: a gratidão não é natural. Se fosse, não precisaríamos ensiná-la às crianças. Não precisaríamos ser lembrados. Não precisaríamos ser exortados a viver assim.
Nossa inclinação é outra. É agradecer quando tudo se alinha ao que desejamos, e fora disso, permitir que o coração seja moldado pela frustração, pela comparação ou pela ansiedade. Em nossa própria força, a gratidão sempre será uma resposta ao que ganhamos ou deixamos de ganhar.
É por isso que a Palavra de Deus nos conduz a algo mais profundo.
A gratidão pode ser descrita como um sacrifício de louvor. Essa expressão é útil porque nos ajuda a perceber que agradecer, muitas vezes, envolve “abrir mão” de deixar que as circunstâncias determinem o estado do coração.
Paulo não apenas ordena que sejamos gratos em todas as circunstâncias; ele também nos mostra o caminho. Em Filipenses 4, a gratidão aparece no contexto da ansiedade. Não é um detalhe isolado, mas parte de uma orientação mais ampla: em vez de sermos dominados pela inquietação, somos chamados a levar tudo a Deus em oração — e fazer isso com ação de graças!
Por isso, a gratidão não é o resultado de uma vida sem preocupações. Ela é, na verdade, um dos meios pelos quais enfrentamos a ansiedade.
Quando oramos com gratidão, fazemos um movimento deliberado de lembrar quem Deus é. Não levamos a Ele apenas nossos pedidos, mas também aquilo que já sabemos ser verdade: Seu caráter, Sua fidelidade, Seu cuidado constante.
O texto continua dizendo que a paz de Deus guardará o coração e a mente em Cristo Jesus (Filipenses 4.7). Perceba: não é a resolução imediata das circunstâncias que produz paz, mas a forma como nos colocamos diante de Deus no meio delas.
A gratidão, nesse sentido, forma a nossa mente. Ela nos impede de viver apenas reagindo ao que vemos e nos ensina a interpretar a vida à luz de quem Deus é.
Isso não significa ignorar a dor. Podemos reconhecer perdas, angústias e dúvidas, e ainda assim, oferecer ao Senhor um coração grato. Não porque entendemos tudo, mas porque confiamos nAquele que está no controle de todas as coisas.
Em Cristo Jesus, isso se torna possível!
Fora dEle, permanecemos presos ao balanço das circunstâncias. A alegria oscila conforme os acontecimentos, a gratidão se limita ao que conseguimos explicar, e a paz depende do que conseguimos controlar.
Mas, em Cristo, tudo se reorganiza. A gratidão deixa de ser uma resposta ao que acontece conosco e passa a ser uma resposta ao Deus que temos (Colossenses 2.6 e 7).
Esse é o poder da gratidão!
A gratidão nos liberta de uma vida centrada nas circunstâncias e nos conduz a uma vida ancorada no caráter de Deus. Ela nos ensina a louvar não apenas pelo que entendemos, mas também pelo que ainda não faz sentido. Ela nos molda para confiar.
Por isso, a gratidão não é pontual. Não é circunstancial. Ela é a vontade de Deus para nós, e ao mesmo tempo, um dos caminhos pelos quais somos guardados em paz.
Que o Senhor nos dê um coração que aprenda a agradecer, mesmo quando a vida nos der… uma meia.
Editorial de Naná Castillo

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