I love genealogias (Parte 1)

Atualizado: 26 de Out de 2018

Uma das grandes dificuldades de se seguir um plano de leitura bíblica é o fato de acharmos que certos trechos da Bíblia não precisavam existir. Talvez as genealogias sejam as campeãs nesse assunto, visto que para a maioria das pessoas esses textos são considerados a parte “complicada” da leitura. Este ano, porém, motivado pela teologia bíblica, resolvi prestar mais atenção e tentar achar quais são as coisas para as quais os autores querem chamar a atenção.


1. As genealogias revelam o caráter do homem

Primeiramente, em Gênesis 4.17-26;5 vemos uma comparação entre a descendência de Sete e a descendência de Caim. Na de Caim, há grandes feitos humanos: cidades, tendas, rebanhos, instrumentos musicais, ferramentas de bronze. Porém, vemos também o grande destaque à bigamia de Lameque e ao seu homicídio desproporcional. Já na sequência, vemos a descendência de Sete e a “única” menção é que se começou a invocar o nome do Senhor, nada de grandes feitos humanos. Moralmente, vemos Enoque, na mesma geração de Lameque (7ª a partir de Adão) que anda com o Senhor e é arrebatado. Gênesis 5 evidencia que linhagem escolhida não tinha sido aquela que tinha feito grandes conquistas, mas aquela que invocava o nome de Deus.


Algo parecido é visto em Gênesis 10, sobre as descendências dos filhos de Noé. Os filhos de Cam realizam grandes feitos: o primeiro homem poderoso na terra e as grandes cidades do mundo antigo. Porém, vemos que é de Cam que surgem os grandes inimigos de Israel, desde os que ficam na Terra Prometida quanto aos futuros babilônicos. Enquanto isso, Gênesis 11 repete a genealogia de Sem, enfatizando que a linhagem escolhida é a sua e que nela todas as nações (dispersas nos capítulos 10 e 11) seriam reunidas (Apocalipse 7.9).


Se por um lado as genealogias condenam os homens maus, por outro ela também dá esperança a eles. A genealogia de Gênesis 11, nos apresenta Abrão. A nossa grande esperança é ver que Abrão é escolhido, mas sem mérito próprio algum. É a primeira vez em que vemos de forma explícita essa escolha incondicional de Deus, que não é uma resposta a uma vida de adoração de Abrão (Josué 24.2), mas uma iniciativa misericordiosa de Deus. Além disso, vemos a própria genealogia de Jesus em Mateus 1.1-17, na qual somos lembrados de várias pessoas que consideraríamos indignas: Judá e Tamar (Gênesis 38); Raabe (Josué 2); Rute (Rute 1); Davi e Bate-Seba (2Samuel 11); a linhagem de reis perversos de Judá (destaque para Manassés, 2Crônicas 33). Ainda assim, Deus os quis e os restaurou em sua misericórdia, o que nos enche de esperança.


2. As genealogias revelam o caráter de Deus

Uma das grandes verdades que vemos nas genealogias é a soberania de Deus. Em Gênesis 11, vemos o estado espiritual da família de Abrão e vemos que Deus o elege soberanamente. Além disso, esse capítulo revela que Sarai era estéril, para que a grandeza de Deus fosse evidenciada pelo nascimento de um filho nessas condições. Vemos também o caráter misericordioso, fiel e justo de Deus. Mesmo Jacó tendo uma vida de enganação, Deus permanece com sua promessa pra ele, de forma que na genealogia de Gênesis 46, vemos que Israel tinha 70 descendentes. Soberanamente levados ao Egito, os israelitas passam a crescer em número (Êxodo 1) de forma que em Números 1 eles são 625.550. Depois de Deus matar toda a geração que ele tinha prometido matar (exceto Moisés) em Números 26 esse número é 624.730, ou seja, quase não há diferença. Deus se mostrou extremamente misericordioso em preservar o povo e consistente em cumprir sua promessa.


Nas genealogias vemos uma oposição do nosso caráter com o de Deus. É incrível acreditar que esse Deus realmente manteve sua promessa com as pessoas que são apresentadas. O grande mistério disso tudo é o terceiro e mais importante aspecto das genealogias: Elas apontam pra Cristo.


Continua na próxima semana...


Editorial de Tássio Cavalcante



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