Mecanismos de defesa

Atualizado: 21 de Ago de 2018

Algo comum ao ser humano, principalmente dentro da cultura brasileira, é a dificuldade de receber qualquer comentário negativo em relação a seu comportamento. Mesmo que esse tipo de comentário venha sem qualquer outra ofensa, sentimos dificuldade quando alguém põe em evidência a nossa falha e temos, então, os difíceis papéis de assumir o erro e o de mudar nossa atitude. Isso é uma grande evidência do nosso orgulho, e, mesmo sabendo as advertências da palavra (Provérbios 11.2, 13.10, 15.25, 16.18, 21.4), ao invés de reconhecermos o erro, sempre queremos nos defender. O que queremos é que as acusações contra nós parem (e infelizmente, conseguimos isso muito facilmente).


Vejamos algumas formas que geralmente fazemos isso.


1. Contra-ataque (Provérbios 13.10)

Talvez a principal forma de reagirmos a comentários negativos de outras pessoas é tentar nos justificar ao condenar a outra pessoa.  Sabemos em teoria que isso não livra ninguém da culpa (Romanos 2.1-4), porém nossa prática não mostra isso.


Consequência: O que começa como uma repreensão se torna uma discussão, na qual prevalece aquele que conseguir provar que os erros do outro são piores. Seu mecanismo de defesa é fazer com que o outro pareça hipócrita se te repreender.


2. Defesa judiciária (1 Coríntios 8.1)

Nossa sociedade adora se beneficiar com brechas legais. Nós, cristãos, também temos frequentemente apelado para o “tecnicamente estou certo”, em que nos satisfazemos em seguir a letra da lei mesmo que haja clara violação de um princípio. A partir daí, começamos a tentar levantar uma série de argumentos para mostrar que a ordem (seja da bíblia, seja de uma autoridade humana) não foi clara.


Consequência: o que vai prevalecer não é a Palavra de Deus e sim a opinião daquele que consegue articular melhor as suas próprias palavras para convencer. Seu mecanismo de defesa é fazer com que o outro pareça injusto se te repreender.


3. Autocomiseração (2 Coríntios 7.10)

Uma outra reação é, ao receber a repreensão, ficarmos introspectivos e focarmos no “quanto somos ruins”. Começamos a nos fazer de coitados e a desviar o foco da conversa do pecado declarado para o nosso sofrimento.  Dessa forma, criamos uma aparência de arrependimento, mas na verdade estamos nos escondendo da solução do problema, fingindo que o nosso remorso é arrependimento.


Consequência: o pecado não vai ser tratado e a autocomiseração prevalece sobre a repreensão da palavra. Seu mecanismo de defesa é fazer com que o outro pareça insensível se te repreender.


4. Espiritualização (Ageu 1.1-6)

Alguém nos repreende e isso exige de nós uma atitude prática. Ao invés de nos arrependermos, começamos a falar palavras que são realmente verdades da escritura, mas que não demonstram arrependimento. Já sabemos as frases que as pessoas querem ouvir. Começamos a falar que estamos esperando Deus dar um sinal, falamos que precisamos de graça, etc., mas não damos passos práticos para uma mudança verdadeira. “Esperar em Deus” vira a desculpa para sua inércia.


Consequência: a conversa vai ser vazia e a aparência de santidade prevalece sobre a ação de mudança. Seu mecanismo de defesa é fazer com que o outro pareça mundano se te repreender.


5. Humor (Provérbios 21.24)

Quer melhor forma de evitar ser repreendido do que fazer uma piada sobre o seu pecado? Alguém nos repreende e respondemos à repreensão com humor. Negligenciamos que Jesus morreu pelo nosso pecado e achamos que nosso pecado não é tão grave assim, logo não precisamos mudar. Sabemos que é errado, como é socialmente aceito, nos livramos facilmente ao zombar do nosso “pequeno deslize”.


Consequência: o caráter espiritual da conversa é quebrado e prevalecem as frases que são mais leves e “amigáveis”. Seu mecanismo de defesa é fazer com que outro pareça ser chato se ele te repreender.


Certamente, tudo isso que foi dito aqui não exclui a necessidade de que a repreensão seja sempre feita em amor. Porém, o foco aqui é do lado de quem recebe a repreensão. Em nossa realidade atual, repreender alguém é muito difícil, visto que as pessoas tendem a receber mal, o que desmotiva os cristãos a obedecerem a ordem de exortação (Colossenses 3.16; 1 Tessalonicenses 5.11). Dessa forma, sejamos cristãos que apreciam a repreensão (Provérbios 12.1) e que isso seja visto nas nossas reações.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante



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