Pessoas sofrem

Atualizado: 14 de Dez de 2018

Pessoas sofrem. Quer o abracemos, pensemos nele ou procuremos evitá-lo, o sofrimento é real e presente em nossas vidas. Às vezes ele vem e vai rapidamente, outras vezes permanece mais tempo do que nós queremos — até mesmo por mais tempo do que parecemos capazes de suportar. Às vezes por coisas que fazemos, outras, por coisas que outras pessoas nos fazem, outras porque vivemos em um mundo caído. No entanto, o nosso problema não é acreditar que o sofrimento existe — nós acreditamos e experimentamos sofrimento.


O problema é que, quando o sofrimento persiste, é fácil perder a esperança, questionar Deus e pensar que não é justo. Nos concentramos cada vez mais em nossos problemas, tentando encontrar uma resposta em nós mesmos ou em outras pessoas, esquecendo que nada transitório, nada que pertença a este mundo, é capaz de nos dar a resposta que precisamos. Diante da nossa instabilidade e da instabilidade das coisas ao nosso redor, precisamos de algo permanente, estável, eterno.


Essas características só podem ser encontradas em Jesus, o Filho de Deus. Ele veio, viveu a vida que somos incapazes de viver, morreu a morte que nós merecíamos (Isaías 53.4–9), e ressuscitou para a glória do Pai e para nos dar uma nova vida. Por causa de quem Ele é e do que Ele fez, podemos ter esperança e coragem para lidar inclusive com o sofrimento que experimentamos. Temos esperança porque ele promete nos libertar (João 14.2,3) e coragem porque Deus nunca nos abandonará (Josué 1.9).


Nesse sentido, a conclusão que chegamos pode não ser a que nós gostaríamos, mas é a que nós precisamos. Não, Deus não promete uma vida sem sofrimento aqui nessa terra (João 16.33). Mas em Sua bondade e soberania, Deus usa todas as coisas — até mesmo nosso sofrimento — para Sua glória (Romanos 11.36) e nosso bem (Romanos 8.28–30). Ele está nos moldando, conformando-nos à imagem de Seu Filho glorioso, e usará os nossos pecados, o pecado de outras pessoas contra nós e até mesmo o sofrimento como resultado desse mundo caído para realizar Seu grande propósito em nossas vidas.


Isso não significa que Ele se deleita em nossas aflições, significa que Ele não nos poupará daquilo que precisamos para crescer à semelhança de Seu Filho (Romanos 8.28–30). Em Sua soberania e onisciência, Deus não apenas sabe do que precisamos, mas quando e como precisamos passar por diferentes situações para compreendermos quem Cristo é e podermos experimentar o poder da Sua ressurreição (Filipenses 3.10).


No entanto, é importante lembrarmos que nossa maior esperança não está no “aqui e agora”, mas no que acontecerá a seguir. O apóstolo Paulo trata disso em 2 Coríntios 4.16–18. “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.”


Ao mesmo tempo em que o apóstolo Paulo reconhece o nosso sofrimento, ele nos lembra de que devemos colocar esse sofrimento em perspectiva. Deus prometeu que o sofrimento tem uma data para acabar. Para aqueles que colocam sua fé em Cristo, há a certeza de que o sofrimento terminará e um novo mundo existirá. Quando nos concentramos em nosso sofrimento, nunca encontraremos esperança. No entanto, quando olhamos para as coisas invisíveis, para as promessas que Deus tem para Seus filhos, podemos afirmar como Paulo que “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2 Coríntios 4.17).


Este novo mundo é o que João descreve nos capítulos finais de Apocalipse, onde Deus estará conosco em um relacionamento perfeito, onde não haverá lágrimas, nem morte, nem luto, nem choro, nem dor, pois as primeiras coisas passaram (Apocalipse 21.1–4).


Jesus levou sobre Si nossa culpa, foi oprimido e afligido, sofreu como ninguém jamais sofreu ou sofrerá para satisfazer o Pai e para nos dar a solução eterna para todo sofrimento (Isaías 52.13 a 53.12). Esta é a esperança incomparável que Cristo nos oferece. Podemos confiar em Deus, mesmo quando a vida nos aflige e machuca. É fato que, muitas vezes, não é fácil viver essas verdades; no entanto, negar o sofrimento não irá resolver. Cristo é o único lugar onde podemos encontrar descanso — não apenas um alívio momentâneo, mas uma restauração eterna.


Editorial de Gustavo Santos



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