Por Nós — A Substituição
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Minissérie:
TEOLOGIA DAS PREPOSIÇÕES
Chegamos ao final da nossa minissérie explorando como pequenas preposições carregam grandes verdades. Vimos que fomos unidos "com" Cristo em Sua morte e ressurreição, e aprendemos que agora vivemos "em" Cristo, desfrutando de uma nova posição e identidade segura.
Contudo, resta uma pergunta fundamental: Como isso é possível? Como Deus, que é perfeitamente Santo, pode unir-se a pecadores e colocá-los dentro da esfera de Seu Filho amado sem violar a Sua própria justiça?
A resposta está na preposição "por". Ela aponta para a causa, o meio e o sacrifício. Ela nos apresenta a doutrina da substituição. Tudo o que temos com Ele e nEle só é possível porque Cristo se entregou por nós.
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós;
para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.”
(2 Coríntios 5.21)
Este versículo resume o que teólogos chamam de “a grande troca.” Na cruz não houve apenas um martírio ou um exemplo de amor, houve uma transação legal e espiritual. Jesus tomou o nosso lugar. A preposição “por”, aqui indica que Ele agiu em nosso favor, recebendo o que nós merecíamos, para que pudéssemos receber o que Ele merece.
Vejamos três implicações práticas dessa obra substitutiva de Cristo por nós:
1) Ele Levou a Nossa Culpa: O Fim da Condenação
“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele...”
(Isaías 53.5)
A primeira parte da substituição é que Jesus carregou o fardo que nos esmagaria. Segundo Isaías 53.4–6, Ele não morreu pelos próprios erros, pois “não conheceu pecado” (2 Coríntios 5.21). Jesus foi moído por nós.
Na prática, isso significa que a conta foi paga. Muitos cristãos vivem atormentados por culpas passadas ou tentam “pagar” a Deus através de penitências emocionais quando erram. Mas se Jesus já foi castigado por nós, Deus não cobrará essa dívida duas vezes. A justiça divina foi satisfeita na cruz. Aceitar a obra de Cristo por nós é descansar na certeza de que não há mais condenação pendente. O castigo já foi aplicado no substituto, Jesus Cristo.
2) Ele Nos Deu a Sua Justiça: a Base da Nossa Aceitação
“...e seja encontrado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei,
senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.”
(Filipenses 3.9)
A substituição não é apenas Jesus tirando o nosso negativo (pecado); é Ele nos dando o Seu positivo (justiça). 2 Coríntios 5.21 diz que fomos “feitos justiça de Deus”. Isso é o que chamamos de justiça imputada.
Imagine que você está diante de um tribunal, vestido com trapos sujos (nossos pecados). Jesus não apenas remove os trapos; Ele veste você com o manto real da Sua perfeição. Isso muda a maneira como nos relacionamos com Deus. Não somos aceitos porque tivemos um “bom dia” espiritual ou porque oramos o suficiente. Somos aceitos porque, quando Deus olha para nós, Ele vê a justiça de Cristo que foi dada por nós. Isso destrói o orgulho religioso e nos enche de humilde gratidão.
3) Ele é a Nossa Suficiência: a Liberdade de Vivermos Atrás de Uma Performance
“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus,
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.”
(1 Coríntios 1.30)
Porque Cristo fez tudo por nós, Ele se torna tudo para nós. O texto de 1 Coríntios nos lembra de que a nossa santificação e redenção não são conquistas autônomas, mas derivam de quem Jesus é.
A implicação prática é a liberdade. Somos libertos da escravidão de tentar ser “suficientes” sozinhos. Quando nos sentimos tolos, Cristo é a nossa sabedoria. Quando nos sentimos impuros, Ele é a nossa santificação. A vida cristã deixa de ser uma tentativa exaustiva de ganhar o favor de Deus e passa a ser uma resposta de amor Àquele que já conquistou esse favor por nós. Não vivemos para sermos salvos, vivemos porque fomos salvos.
As Preposições da Graça
Ao encerrarmos esta minissérie, olhe para a cruz e veja a preposição “por” em ação. Foi o amor de Cristo "por" nós que nos permitiu sermos crucificados e ressuscitados “com” Ele, para que agora possamos viver eternamente seguros “em” Cristo.
Que essas pequenas palavras transformem sua grande caminhada de fé. Você não é definido pelo que você faz, mas pelo que foi feito por você. Que essa verdade nos leve a viver uma vida de adoração e santidade, não por medo, mas por gratidão ao nosso substituto perfeito, Jesus Cristo.
Editorial do Pr. Alexandre "Sacha" Mendes

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