Questões Cruciais: Posso Saber se Sou Salvo?

Começo com uma pergunta de reflexão e peço que você pense um pouco antes de continuar. Se você se considera salvo, como sabe que você, de fato, o é?


A maioria das pessoas vai iniciar a reflexão lembrando do dia em que levantou a mão em um culto e aceitou a Cristo ou até mesmo no fato de que desde criancinha sempre foi à igreja com seus pais. O próximo passo nessa reflexão normalmente é olhar para sua vida hoje, e tentar pensar se a forma como você vive mostra que você é salvo. Nesse ponto, algumas pessoas vão pensar que não precisam se preocupar com a forma como vivem, pois Cristo morreu pelos seus pecados. Algumas outras vão pensar que a sua salvação é provável já que vivem uma vida socialmente aceita. Porém, a Bíblia nos exorta a, de fato, examinarmos a nossa vida seguindo um padrão definido por Deus (e não pela sociedade), de forma que nenhuma dessas duas posturas é adequada para se ter a certeza da sua salvação. Mesmo que você se apoie em versículos isolados da Escritura (provavelmente fora de contexto), você pode estar se enganando, visto que há outras verdades na Escritura que você está ignorando.


Apesar de talvez eu ter começado o texto com uma notícia ruim para você, meu objetivo é trazer alegria. Quero convidar você a fazer uma reflexão na Primeira Epístola de João, cujo objetivo é justamente apresentar evidências da salvação. Assim, você poderá fazer parte do terceiro grupo, que além de ter confessado Cristo como Senhor, examina biblicamente sua vida para observar as evidências da salvação.


1) A Primeira Epístola de João


“Escrevi estas coisas a vocês que creem no nome do Filho de Deus,

para que saibam que têm a vida eterna.”

(1 João 5.13)


O versículo acima explicita o objetivo da carta. A grande vantagem de basearmos nosso entendimento de um assunto em um livro inteiro é que não corremos o risco de nos apegar a versículos fora de contexto e interpretá-los de uma forma que nos é conveniente.


A primeira carta escrita pelo apóstolo João nos mostra que Deus transforma e motiva Seus filhos não pela incerteza do medo, mas pela segurança do amor. Não ter certeza da nossa salvação limita a nossa obediência, porque nosso amor será abafado, nossa confiança será abalada e nossa coragem será pequena.


“Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele quando o nosso coração nos condenar.

Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas.”

(1 João 3.19, 20)


Também é importante entendermos que muito do que pensamos sobre a salvação é porque nós mesmos estamos tentando definir qual é o padrão aceitável. Isso serve tanto para que nos sintamos melhores com o nosso bom comportamento quanto para nos condenar quando falhamos. Mas o padrão de Deus não é compreendido por um sentimento do nosso coração, ou pelo nosso bom senso, e sim pelas palavras que Ele explicitamente revelou na Bíblia.


“Filhinhos, eu escrevo a vocês porque os seus pecados foram perdoados,

graças ao nome de Jesus.”

(1 João 2.12)


Por fim, preciso ressaltar que João está escrevendo para pessoas que já se consideram salvas, de forma que ele não está focando seu texto na causa da salvação e sim na consequência. Você não pode entender os itens apresentados pelo autor como formas de obter a salvação (a salvação é pela graça e não por obras), e sim como evidências de que você é salvo. Confundir isso vai te levar a conclusões erradas.


2) Pontos de exame


Não pretendo apresentar todos os pontos da carta. Meu objetivo é salientar os mais importantes para um primeiro exame.


a) O cristão anda na luz (1 João 1.7): O mesmo autor nos diz em João 3.20 e 21 que “quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas, mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que suas obras são realizadas por intermédio de Deus”. O verdadeiro cristão se deleita em se aproximar de Jesus, mesmo que isso represente a exposição da sua pecaminosidade. E a verdade de Jesus é revelada por meio da Palavra! Como você se sente quando ouve uma pregação que confronta seu pecado? Como você se sente quando alguém te exorta sobre seu estilo de vida?


b) O cristão confessa o pecado (1 João 1.8–10): O cristão não fica livre do pecado ao se converter. Na verdade, uma evidência da salvação é justamente a confissão do pecado. O termo grego para “confissão” aqui significa “dizer a mesma coisa”, ou seja, o cristão concorda com o padrão e as definições de Deus para o pecado. Dessa forma, o cristão usa o padrão de Deus para se avaliar e se arrepende. Muitos cristãos acabam considerando pecado só aquilo que não é socialmente aceito, e ficam sem se arrepender de pecados condenáveis por Deus. Não pode ser assim! Qual foi a última vez que você reconheceu seu pecado e buscou formas concretas de abandoná-lo? Você abriga pecados “aceitáveis” no seu coração (orgulho, ira, maledicência, inveja, preguiça)?


c) O cristão imita Cristo (1 João 2.5, 6): Primeiramente, precisamos conhecer como Cristo andou aqui na terra. Você lê regularmente os Evangelhos para se lembrar disso? Há uma pergunta comum no meio evangélico: “Em seus passos o que faria Jesus?”. Tal pergunta é comumente aplicada para decisões em momentos difíceis. Porém, não aplicamos para situações do dia a dia: como Jesus agiria em um trânsito intenso, como Jesus se portaria se fosse injustiçado no trabalho, como Jesus agiria se estivesse com dificuldades no negócios, etc. O cristão deve imitar a Cristo até nas coisas “simples” do dia a dia.


d) O cristão ama os irmãos (1 João 2.7–11): A primeira questão que emana deste ponto é: como amar os irmãos e não estar na igreja? (Inclusive esse ponto volta nos versículos 18 e 19). O cristão que não está em comunhão com seus irmãos está em desobediência a todos os mandamentos de amar os irmãos e a igreja. Ficar na igreja, mesmo as pessoas sendo complicadas e imperfeitas, é um forte sinal de amor ao próximo e, assim, é uma forte evidência de salvação. Vale ressaltar, porém, que simplesmente ir à igreja não é suficiente. Amar aos irmãos envolve desenvolver relacionamentos, servir aos irmãos em amor, participar dos sofrimentos e alegrias, se preocupar com o crescimento espiritual deles etc. Você tem servido aos irmãos na sua igreja com seus dons? Você tem procurado desenvolver relacionamentos baseados na palavra de Deus com outros cristãos?


e) O cristão rejeita o mundo (1 João 2.15–17): O “mundo” é o sistema do Diabo, que existe ao nosso redor e se opõe a Deus. O cristão é tirado do mundo na sua conversão e é chamado a repudiar o mundo na sua caminhada. Infelizmente, na prática, os cristãos têm vivido seis dias no mundo e parte de um dia (domingo) na igreja. A forma como você pensa na educação dos filhos, saúde mental, resolução judicial de problemas, ética de trabalho, relacionamentos amorosos, entretenimento e cultura, uso do dinheiro, modéstia e moda, entre outros assuntos que fazem parte da sua vida é direcionada por quais princípios? Você pode até pensar que essas questões não têm respostas na Bíblia, mas elas estão lá! Se você passa a maior parte da sua semana tomando suas decisões da mesma forma que o mundo, você está rejeitando o mundo ou a Deus?


3) Exame e Graça


Conforme mencionado, o objetivo deste editorial é encorajar cristãos a avaliarem a sua vida cristã para verificar se, de fato, estão mostrando as evidências esperadas de alguém que foi salvo. A mensagem de esperança é que podemos, sim, ter certeza da nossa salvação ao verificar os frutos na nossa vida.


O outro sentido dessa afirmação também é verdade. Assim, nossa segunda esperança é que a salvação nos dá certeza de conseguirmos desenvolver as suas evidências. Portanto, se você se sentiu impactado pela falta de alguma das evidências acima na sua vida, ore para que a graça de Deus aja em sua vida para que você possa crescer nessa área, pois “aquele que começou a boa obra em vocês há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6).


No entanto, pode ser que a leitura desse texto tenha mostrado que talvez a sua conversão não tenha sido verdadeira. Talvez a ausência de qualquer evidência de salvação na sua vida o levou à conclusão de que você ainda não experimentou o novo nascimento. Nesse caso, o chamado de Deus não é para que você busque resultados pelas suas próprias forças, mas sim que você se arrependa e busque a Jesus Cristo como Senhor da sua vida, como O único capaz de te livrar do pecado e te colocar no Reino da luz.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante