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A Busca Por Aprovação Nas Redes Sociais

  • há 18 horas
  • 4 min de leitura

O som ou o ícone vermelho destacando as notificações no celular. O número de curtidas subindo logo após a publicação de uma foto ou de uma opinião. Para muitos de nós, essa pequena sequência de eventos tornou-se um dos momentos mais aguardados do dia.


As redes sociais trouxeram inúmeros benefícios, conectando pessoas e ampliando as possibilidades de comunicação. Entretanto, também se tornaram uma grande praça pública onde nossos corações são diariamente expostos. Por trás das telas, existe um perigo silencioso: o desejo de sermos vistos, reconhecidos e aprovados.

 

O problema, porém, não está nas redes sociais, mas naquilo que elas revelam sobre nossos corações. A questão central não é o desempenho de nossos perfis, a quantidade de seguidores ou o número de curtidas que recebemos. A pergunta é muito mais profunda: de quem estamos buscando aprovação?


A resposta a essa pergunta nos expõe muito mais do que imaginamos. Ela revela quem ocupa o centro do nosso coração, define a direção da nossa vida e influencia até mesmo nossa capacidade de crer, amar e servir. Viver em busca da aprovação dos homens é um caminho de inquietação e escravidão. Em contrapartida, o Evangelho nos chama a descansar em uma realidade infinitamente melhor: a aprovação que recebemos de Deus por meio de Cristo, única capaz de libertar o coração da necessidade constante de ser validado pelas pessoas.

 

A Glória Que Buscamos Revela a Quem Adoramos

 

Não é por acaso que Jesus tratou esse assunto com tanta seriedade. Ao confrontar os líderes judeus, perguntou:

 

"Como vocês podem crer,

se aceitam glória uns dos outros e não procuram a glória que vem do Deus único?".

(João 5.44)

 

Essa pergunta revela que a busca pela aprovação humana não é apenas um comportamento inadequado, mas um problema de adoração. Os líderes religiosos estavam tão comprometidos em preservar a honra e o reconhecimento que recebiam uns dos outros que se tornaram incapazes de reconhecer o próprio Filho de Deus. A glória dos homens havia ocupado o lugar que pertence somente à glória de Deus, tornando-se um obstáculo à fé.

 

Embora o contexto seja diferente, o princípio permanece atual. As redes sociais não criaram o desejo de reconhecimento; apenas lhe deram novas formas de expressão. Quando fazemos da aprovação das pessoas a medida do nosso valor, passamos a buscar nas criaturas aquilo que somente o Criador pode oferecer. Não por acaso, Paulo adverte: "Não nos tornemos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros" (Gálatas 5.26). A comparação, a inveja e a necessidade constante de reconhecimento revelam um coração que perdeu de vista a glória de Deus.

 

No fim, a questão não é quantas pessoas nos aprovam, mas qual glória estamos buscando. A glória que perseguimos revela quem governa o nosso coração e, consequentemente, a quem verdadeiramente adoramos.

 

O Temor Dos Homens Nos Impede De Viver a Liberdade Do Amor

 

Quando a aprovação humana ocupa o lugar que pertence a Deus, inevitavelmente passamos a viver em função dela. A Bíblia chama essa escravidão de temor dos homens. Salomão afirma:

 

"Quem teme ao homem arma ciladas,

mas o que confia no Senhor está seguro".

(Provérbios 29.25)

 

Temer os homens é atribuir à opinião das pessoas um peso que pertence somente a Deus. Aos poucos, nossas decisões passam a ser guiadas mais pelo desejo de aceitação do que pela vontade do Senhor. Em uma cultura que transforma curtidas, comentários e seguidores em indicadores de valor, essa tentação torna-se ainda mais intensa. Quanto mais buscamos essa validação, mais dependentes nos tornamos dela.

 

E quando chegamos nesse estágio, vivemos um perigo. Em Jeremias, lemos: "[...] Maldito o homem que confia no homem [...]. Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor" (Jeremias 17.5–7). Quem deposita sua segurança na aprovação humana vive como um arbusto no deserto, sempre vulnerável às circunstâncias. Em contrapartida, aquele que confia no Senhor é como uma árvore plantada junto às águas: permanece firme porque suas raízes não estão na opinião das pessoas, mas na fidelidade de Deus.

 

Essa escravidão nos impede de viver a liberdade para a qual Cristo nos chamou: "Porque vocês foram chamados à liberdade [...], porém sirvam uns aos outros pelo amor" (Gálatas 5.13). O coração preso à própria imagem está sempre perguntando: "Como estou sendo visto?". O coração liberto pelo Evangelho pergunta: "Como posso amar e servir?". Enquanto buscarmos nossa identidade na aprovação das pessoas, permaneceremos voltados para nós mesmos. Mas quando nossa segurança está no Senhor, somos finalmente livres para amar o próximo sem a necessidade de conquistar sua aprovação.

 

A Aprovação De Deus Nos Liberta Para Viver Para a Sua Glória

 

Se a busca pela aprovação dos homens nos aprisiona, o Evangelho nos oferece a liberdade. A cura para um coração sedento por reconhecimento está em descansar na aprovação que Deus concede, pela graça, àqueles que estão em Cristo.

 

Foi essa convicção que sustentou o ministério de Paulo: "Como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar a pessoas, mas a Deus, que prova o nosso coração" (1 Tessalonicenses 2.4). A identidade de Paulo não era determinada pelos aplausos ou pela rejeição dos homens, mas pela graça daquele que o chamou.

 

Essa também é a realidade de todo cristão. Em Cristo, fomos reconciliados com Deus, justificados pela fé e recebidos como Seus filhos. Não precisamos mais construir nosso valor diante das pessoas, porque a nossa identidade já está segura em Cristo. À medida que andamos no Espírito (Gálatas 5.16 e 17), nossos desejos são transformados: a busca pela própria glória dá lugar ao desejo de viver para a glória de Deus.

 

Por isso, a pergunta que deve orientar também a nossa presença nas redes sociais não é: "Quantas pessoas irão me aprovar?", mas: "Isso glorifica a Deus?". Quando descansamos na aprovação que já recebemos em Cristo, somos libertos da ansiedade da comparação e da necessidade constante de reconhecimento dos homens. Livres da escravidão da opinião humana, podemos finalmente viver para aquilo para o que fomos criados: glorificar a Deus e servir ao próximo em amor.

 

Assim, as redes sociais deixam de ser uma vitrine para a nossa própria glória e tornam-se mais uma oportunidade para refletir a beleza de Cristo. Afinal, "quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus" (1 Coríntios 10.31). Somente quando a glória de Deus se torna o maior desejo do nosso coração encontramos a verdadeira liberdade.

 

Editorial de Rafael Ceron


 
 
 

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