A mensagem da Bíblia

Atualizado: 13 de Nov de 2020

Todo livro transmite uma mensagem, e todo livro tem um propósito. Inclusive, entender o propósito e a mensagem central de um livro nos ajuda a ler esse livro corretamente. Partindo desse princípio, duas perguntas importantes surgem:


  • Qual a mensagem da Bíblia?

  • Qual o propósito da Bíblia?


Você saberia dizer, em uma frase, qual a mensagem da Bíblia e qual o seu propósito?


Não é uma resposta fácil. Ainda assim, é uma resposta importante, que nós, como cristãos, deveríamos saber. A Bíblia é o livro que governa nosso relacionamento com o Deus vivo, e entendê-la é essencial para que vivamos vidas agradáveis ao Senhor.


Portanto, o objetivo desse artigo é ajudá-lo a responder essas duas perguntas de forma objetiva e clara. Para concluir, veremos como essa mensagem nos auxilia a compreender o conceito de Teologia Bíblica, que tem como objetivo unificar a mensagem das Escrituras e apontar cada texto para Cristo.


I. Qual a mensagem da Bíblia?


Será que é possível resumir a mensagem de toda a Bíblia em uma frase? Será que há um tema central que coordena todas as narrativas bíblicas? Será que a mensagem do Antigo Testamento é a mesma mensagem do Novo Testamento? E como essa mensagem é comunicada a nós? Há muitas respostas — e boas respostas — para essas perguntas. Ainda assim, a que eu creio ser a mais acurada é composta de 3 partes.


Para explicar essas 3 partes, eu quero que você pense em um corpo. De forma simplificada, nosso corpo é composto de um esqueleto, que é a parte estrutural. De um coração, que é o que nos dá vida. E segurando tudo junto temos a pele. Essas três partes aparecem em um único versículo, que será a passagem diretora para respondermos nossa primeira pergunta:


“Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de

Paulo na sua própria residência. Então, desde a manhã até à tarde,

lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus,

procurando persuadi-los a respeito de Jesus,

tanto pela lei de Moisés como pelos profetas.”

(Atos 28.23)


Então, qual a mensagem da Bíblia? A Bíblia fala sobre o Reino de Deus e sobre Jesus — o Rei do Reino. E como ela nos comunica essa mensagem? Através da lei de Moisés e dos profetas — que são uma referência a toda a Bíblia (cf. Lucas 24.44). Basicamente, é isso; mas sim, nós podemos desenvolver um pouco mais nossa resposta usando a ilustração do corpo.


I. a. [Pele] A estrutura temática: o Reino de Deus


O Reino de Deus é o tema que mantém todos os outros temas juntos. O Reino de Deus abrange tudo. Podemos falar sobre a criação porque ela é o domínio do Reino. Podemos falar sobre a lei porque ela é a lei do Reino. Podemos falar sobre os sacerdotes porque eles são os mediadores do Reino. Tudo existe dentro do Reino de Deus.


Como era de se esperar, o tema do Reino é mais explicitamente abordado nos Evangelhos, quando o Rei do Reino se faz presente entre nós. Inclusive, Jesus falava muito sobre o seu Reino (Mateus 4.17). O Reino foi o resumo de tudo o que Ele ensinou aos seus discípulos nos 40 dias após a ressurreição (Atos 1.3). O Reino é o que nos ajuda a unificar o Antigo e o Novo Testamento.


Sem a pele, não há compreensão — não há como colocar as outras coisas juntas sem ela. Não há como unificar a Palavra de Deus sem o Reino de Deus.


I. b. [Coração] O centro teológico: Jesus


A segunda parte que Paulo fala em Atos 28.23 é Jesus. Ele é o centro teológico das Escrituras. Isso é diferente da estrutura temática. O centro teológico é o coração, o objetivo, o alvo da revelação bíblica. Em outras palavras, Jesus é o coração das Escrituras — Ele é o Rei do Reino. Sem Cristo, não há vida nas Escrituras. Se você remover o coração, o corpo estará morto. Se nós retirarmos Jesus, não há mais nada. Como o apóstolo Paulo diz em Romanos 11.36: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”


Em termos da relação de Jesus com a Palavra de Deus, Ele mesmo afirma ser a Palavra encarnada. Ele é a fonte e o significado de cada palavra encontrada em cada uma das páginas das Escrituras, inclusive nas páginas do Antigo Testamento (Provérbios 8.23; Isaías 44.6; Lucas 24.25–27, 44–47; João 1.1–4; 5.39; 2 Coríntios 1.20).


Compreender isso muda a forma de como lidamos com as histórias do Antigo Testamento. Somente dessa forma aprenderemos corretamente sobre Deus em sua Palavra, ao invés de usá-la como um livro de autoajuda moralista. Essa é uma grande mudança hermenêutica.


“Ouse ser um Davi… seja como Salomão… seja como Elias e Eliseu…” Existem algumas coisas que não podemos fazer, e o papel dessas narrativas não é, necessariamente, nos ensinar como devemos viver. Em vez disso, elas nos mostram tipos de Cristo, mostrando-nos que Deus é fiel em manter sua aliança, nos salvar e nos redimir do início ao fim. Consequentemente, usaremos essa passagem para encorajar nossa fé com o Evangelho, e não impor sobre nós — e aqueles que nos ouvem — o peso esmagador do moralismo que normalmente vem em nossa exposição do Antigo Testamento.


I. c. [Esqueleto] A estrutura canônica: a Lei e os Profetas


A última parte da nossa analogia é o esqueleto