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A vida Centrada no Evangelho – Conflito (cap. 9)

Encerrando esta série baseada no livro “A Vida Centrada no Evangelho" de Robert Thune e Will Walker, iremos ver neste editorial um pouco sobre conflitos.

 

A vida cristã é cheia de conflitos. Nosso coração, a todo momento, deseja coisas que não são boas e agradáveis a Deus. Satanás nos tenta, problemas no trabalho nos tiram do sério etc. Estes são apenas alguns exemplos de conflitos que temos diariamente. Agora pare e pense, em qual conflito você teve boas atitudes, foi sábio ou pacificador? É bem provável que foram ataques de todos os lados, uma chuva de acusações cheias de certezas e razão.

 

Os conflitos

 

Quando os conflitos vêm, geralmente temos dois tipos de comportamento: os que atacam e os que recuam. Os que atacam são aqueles que gostam de desabafar, destilam ira e frustação com suas palavras. Discutem e insistem no seu ponto com toda certeza do mundo, são os que têm sempre “razão”, acham que estão sempre certos. Os que tendem a recuar, embora pareçam pacificadores, são em muitos casos fujões de conflitos, que não pretendem resolvê-los, e se esforçam para “manter a paz” se esquivando de atritos.

 

Observe o conflito em Gálatas 2.11–14:

 

“Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável. Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios. Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios, temendo os que eram da circuncisão. Os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar. Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do evangelho, declarei a Pedro, diante de todos: Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a viverem como judeus?”.

 

Paulo agiu biblicamente neste conflito. Primeiro, uma vez que o pecado de Pedro foi público, ele se aproxima de Pedro e expõe publicamente o seu pecado. Segundo, Paulo não demonstrou interesse próprio, não era uma causa sua, mas a defesa da verdade, do Evangelho. Terceiro, Paulo foi claro sobre o pecado que Pedro estava cometendo, com a intenção de resolver a questão em jogo naquele momento.

 

Pré-requisitos para a resolução de conflitos

 

Efésios 4.1–3, escrito pelo apóstolo Paulo, traz quatro aspectos essenciais à resolução de conflitos:

 

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;” (Ênfase do autor).

 

Observe que o texto faz uma abordagem pessoal, ele está falando que para ter condições de resolver conflitos biblicamente é necessário ter aspectos de alguém transformado por Cristo. Deve ser alguém que não finge uma vida cristã, alguém capaz de se arrepender com o coração que ama a Deus, e capaz de perdoar como Deus nos perdoa. O fim de tudo isso é para manter a unidade, seja na igreja, no lar ou em qualquer lugar.

 

Abordagem centrada no Evangelho para a resolução de conflitos

 

Talvez você possa pensar que resolver seus conflitos é muito difícil, e é verdade. É mais fácil criá-los do que resolvê-los. Muitas situações são complexas e demandam muito tempo de aconselhamento, tempo de reflexão e instrução bíblica para resolver. Nem sempre é rápido e tranquilo. Porém, quero dar alguns passos para reflexão e começar a pensar no conflito e aplicar o Evangelho na solução dele:

 

  1. Você já identificou o problema em termos bíblicos? O problema não pode ser solucionado biblicamente até que seja encontrado o causador do conflito. A Bíblia é quem vai dizer para você qual é o problema: se orgulho, mentira, preguiça, infidelidade etc. Geralmente há confusão com sentimentos, o que na verdade é uma reação ao problema e não o problema real.  

  2. Há alguma orientação nas Escrituras que deve ser obedecida para que o conflito seja solucionado? Muitos problemas seriam solucionados se os Mandamentos bíblicos fossem cumpridos. Como não mentir, ou amar sua esposa como Cristo ama sua igreja, servir etc. Mandamentos não cumpridos geram conflitos.  

  3. Há princípios nas Escrituras dos quais uma solução para este conflito pode ser derivada ou deduzida? Às vezes as soluções para conflitos não estão tão claras na Palavra de Deus, então precisamos de uma instrução derivada de princípios bíblicos adequados para clarear as situações. Por exemplo, algumas coisas que precisam ser avaliadas na escolha de um novo emprego: será que este novo emprego vai deixar o marido muito tempo fora de casa? Será que essas viagens com colegas serão boas? De fato, não há uma resposta bíblica para aceitar ou não o emprego, mas existem princípios que dizem sobre prioridades ao pensar numa decisão assim, sobre responsabilidade de sustentar a casa, amar a família, cuidar da esposa etc.  

  4. Alguém nas Escrituras já passou pela mesma situação? A Bíblia contém ordens e princípios que são uteis e bons para resolver problemas, também contém diversas situações que homens de Deus passaram que podem dar bons exemplos de qual princípio seguir ou como não seguir para não cair em erros e problemas. Tudo que foi escrito é para nossa instrução, precisamos caminhar pelos princípios e olhar para exemplos bíblicos, sejam eles do que se fazer ou do que não se fazer.

 

Para reflexão:

 

  • Como seus comportamentos em conflitos impactam seus relacionamentos? Você já se arrependeu de algo que disse ou fez em uma briga?  

  • Como você lida com suas emoções durante um conflito? Consegue expressá-las de maneira saudável ou tende a reprimi-las ou explodir de raiva?

  • Como o Evangelho pode te guiar na comunicação honesta, respeitosa e empática durante um conflito?

  • De que forma o Evangelho pode te capacitar a lidar com conflitos de maneira mais madura, buscando a restauração e o bem de todos os envolvidos?  

  • Como a mensagem do perdão que você recebeu em Cristo pode te inspirar a perdoar e buscar a reconciliação com aqueles que te ofenderam?

 

Editorial de William Rubial 

Referências bibliográficas: 

  • A Vida centrada no Evangelho, Robert Thune e Will Walker, Ed. Vida Nova

  • Resolução de conflitos, Lou Priolo, Ed. Nutra

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