top of page
Buscar

Testemunho Digital: O Quinto Evangelho?

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Série:

O CRISTÃO NA PRAÇA PÚBLICA

 

Talvez nunca tenha sido tão fácil falar com tanta gente e tão difícil medir o peso do que dizemos. A internet transformou a praça pública: hoje ela cabe no bolso, nos acompanha no trabalho, entra na sala de casa e invade a mente antes de dormirmos. E, nesse novo cenário, uma realidade simples se impõe: muitas pessoas leem nossas postagens antes de lerem a Bíblia. Para alguns, o primeiro “contato” com a fé cristã não é um culto, mas um comentário, uma indireta, um meme, uma discussão no grupo da família, uma postagem indignada. Por isso a expressão faz sentido como alerta: existe um “quinto Evangelho”, não inspirado, mas percebido: o Evangelho segundo o nosso testemunho digital.

 

Não se trata de dizer que a nossa vida substitui as Escrituras. O Evangelho é o que Deus fez em Cristo, anunciado na Palavra. Mas a nossa presença online pode confirmar esse anúncio ou contradizê-lo. Paulo diz que somos “carta… conhecida e lida por todos” (2 Coríntios 3.2); e hoje essa leitura acontece também nas telas, nos comentários, nas mensagens e nos compartilhamentos. Diante disso, a pergunta é inevitável: como devemos falar e nos posicionar nesse ambiente? A resposta bíblica é clara:

 

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo,

porque somos membros uns dos outros.”

(Efésios 4.25)

 

O texto não oferece técnicas de comunicação. Ele nos chama a viver como um povo unido em Cristo. A mentira fere; a verdade sustenta. Aquilo que dizemos, inclusive online, não é neutro: aproxima ou afasta, constrói ou destrói, honra ou desonra o nome do Senhor que confessamos.

 

A Verdade Em Um Ambiente De Ruído

 

O ambiente online tende a premiar velocidade, reação e espetáculo. A verdade, porém, costuma ser mais lenta: exige checagem, contexto, paciência e, muitas vezes, silêncio. Já a mentira, a meia-verdade, a distorção e a insinuação viajam com extrema velocidade: são rápidas, emocionalmente atraentes e “compartilháveis”. Por isso Efésios 4.25 é tão contracultural. Paulo não diz: “fale o que rende mais engajamento”. Ele diz: “deixem a mentira. Não brinquem com ela. Não flertem com ela. Não usem só um exagero para fortalecer o argumento. Não alimentem a reputação de alguém com suspeitas. Não espalhem o que ouviram dizer. Não repassem algo porque confirma o que vocês já queriam acreditar”.

 

E aqui precisamos ser honestos: grande parte do dano do nosso testemunho digital não vem de heresias sofisticadas, mas de pecados cotidianos de fala. É a postagem que acusa sem prova. É o corte de vídeo que manipula. É o print sem contexto. É a ironia que humilha. É o prazer de “dar uma resposta”. É a coragem para ferir, disfarçada de zelo pela verdade. As Escrituras não chamam isso de “opinião forte”, e sim de falta de domínio da língua e de amor ao próximo.

 

O Velho Problema Em Um Novo Palco

 

“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua,

antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã.”

(Tiago 1.26)

 

A tecnologia não inventou a língua; ela apenas lhe deu um megafone. O que antes se perdia no vento, agora fica registrado, “printado”, republicado. O que antes atingia um círculo pequeno, agora alcança centenas, milhares de pessoas. A praça pública digital amplia tanto o alcance quanto a responsabilidade.

 

Jesus diz que “a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12.34). Isso vale para o teclado. E, se o coração está cheio de vaidade, a fala busca palco. Se está cheio de ira, a fala busca alvo. Se está cheio de medo, a fala busca controle. Se está cheio de inveja, a fala busca diminuir o outro. Por isso, a ética cristã online não é apenas “pense antes de postar”; é: arrependa-se e creia. É submeter também a vida digital ao senhorio de Cristo.

 

A Verdade Que Serve Ao Próximo

 

Na internet, a verdade costuma ser tratada como arma: um recurso para vencer, humilhar e expor. Mas em Efésios a verdade tem outra finalidade: “fale cada um a verdade com o seu próximo”. Ou seja, a verdade tem endereço. Ela não é lançada ao vento para uma plateia abstrata; ela é dita a alguém, por amor a alguém. O “próximo” é uma pessoa real, feita à imagem de Deus e não um perfil a ser derrotado. Isso muda o tom, o alvo e até o momento de falar.

 

 

A verdade cristã é inseparável do amor cristão. “Seguindo a verdade em amor” (Efésios 4.15) não é suavizar a verdade até virar relativismo; é recusar o pecado de usar a verdade sem amor, que, no fim, também é uma forma de mentira, porque comunica um Cristo que não é o Cristo dos Evangelhos.

 

Uma Carta Lida Diante Do Mundo

 

O mundo pode ignorar nossas confissões, mas presta atenção nos nossos hábitos. E muitos só verão Cristo através do que escrevemos quando estamos cansados, irritados, provocados, entediados, ansiosos para sermos ouvidos. Por isso, a pergunta é simples: o que as pessoas aprendem sobre Jesus ao lerem o que postamos?

 

Que Deus nos dê uma presença digital marcada por abandonar a mentira, praticar a verdade com responsabilidade, falar com temor e agir com amor, lembrando que “somos membros uns dos outros”. E que, quando alguém “ler” primeiro o nosso testemunho, que isso não substitua a Bíblia, mas desperte fome pela Palavra de Deus e aponte para o Salvador que realmente transforma não só a língua, mas também o feed.

 

Editorial de André Negrão Costa


 
 
 

Comentários


© 2023 Igreja Batista Maranata. Todos os direitos reservados.

bottom of page