Vocação: O Altar da Segunda-Feira
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Série:
O CRISTÃO NA PRAÇA PÚBLICA
Somente os pastores são chamados por Deus? Não!
Prezado leitor, dentro do meio cristão ouve-se muito sobre um termo: O chamado para o ministério pastoral. Essa vocação particular e específica não deve ser confundida com o chamado eficaz, ou especial. Na realidade, há mais aspectos sobre esse termo que trarei aqui. Há o chamado geral, que consiste na proclamação verbal do Evangelho pela qual todos os pecadores são chamados a abandonarem os seus pecados e a depositar sua confiança em Cristo para a salvação (Mateus 22.14).
O chamado não é exclusivo para os pastores. A verdade bíblica, apresentada com clareza pelo apóstolo Paulo, é que todo filho de Deus é chamado.
O Chamado Que Define o Cristão
O cristão não é definido, primeiramente, por sua função na igreja, por seu ministério ou por sua profissão, mas pelo chamado soberano de Deus. Paulo afirma:
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus,
daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Pois aqueles que Deus de antemão conheceu
ele também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho,
a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou,
a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.”
(Romanos 8.28–30 – ênfase do autor)
Para Paulo, o chamado específico não é um convite genérico nem uma inclinação subjetiva. Ele é um ato eficaz de Deus, inserido em um processo que começa na eternidade passada e termina na glória futura. Os que são chamados são os mesmos que foram conhecidos, predestinados, justificados, e com absoluta certeza, serão glorificados.
Essa verdade preencheu o vazio do meu coração, e até hoje é o combustível que torna possível levantar diariamente da minha cama. No soberano propósito de Deus, alguns pecadores, como eu, foram escolhidos antes da fundação do mundo e chamados pelo próprio Deus com um propósito definido: serem conformes à imagem de seu Filho.
Vocação: Da Eternidade Para a Segunda-Feira
A vocação que você, filho de Deus, recebeu é gloriosa. Ela não nasce no tempo, mas na eternidade; não começa na segunda-feira, mas no decreto eterno de Deus. Contudo, ela se manifesta no tempo e no espaço, na vida comum, no trabalho, na rotina, nas responsabilidades ordinárias.
O chamado descrito por Paulo culminou no nascimento, vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus. E agora continua, de forma concreta, na vida daqueles que foram unidos a Ele. Por isso, a segunda-feira deixa de ser um fardo existencial e torna-se um altar. O altar da segunda-feira é o lugar onde o chamado eterno de Deus é vivido no ordinário da vida cristã.
Essa é a maravilha do Evangelho, foi-nos dado uma nova vida, um novo propósito, um chamado divino — como o povo de Israel no Egito foi chamado, fomos também chamados de nossa escravidão. Se eu acordasse toda segunda-feira lembrando das palavras de Deus, por meio de Paulo, minha vida seria muito melhor.
Conformidade: O Conteúdo do Chamado
O chamado de Deus para a salvação implica necessariamente em um processo. Paulo não diz apenas que fomos chamados, mas que fomos chamados para sermos conformes à imagem de Jesus. O chamado não é apenas para escapar da condenação, mas para participar da transformação.
Quando somos alcançados pelo Senhor, no cumprimento da vocação eterna, recebemos uma missão inevitável: conformidade. Não se trata de uma tarefa simples. Pelo contrário, é custosa, contínua, e humanamente falando, impossível. Exige a mortificação do pecado, a submissão da vontade e a perseverança na fé, em outros termos, mais do que somos capazes.
Ainda assim, esse é o chamado. Não escolhemos seu conteúdo, apenas o recebemos. E é exatamente isso que torna o chamado glorioso: ele não depende da nossa capacidade, mas da fidelidade de Deus, que chama, justifica, e ao final, glorifica.
Apêndice: O Chamado Pastoral
Antes que você condene esse breve escrito ao concluir o chamado de Deus como não exclusivo, note que o Novo Testamento reconhece um chamado específico para o ministério pastoral e para outros ofícios na igreja (Efésios 4.11 e 12; 1 Timóteo 3.1–7; Tito 1.5–9). No entanto, esse chamado não substitui, nem supera, o chamado eficaz de todo eleito descrito em Romanos 8.28–30.
O pastor não é “mais” chamado do que qualquer um outro; ele é chamado de maneira distinta. Seu chamado diz respeito à função e ao ofício, não a um nível mais elevado de espiritualidade ou a uma vocação mais “sagrada”. Antes de ser pastor, ele é cristão — chamado, justificado e destinado à conformidade com Cristo, como qualquer outro filho de Deus.
Quando o chamado pastoral é separado do chamado comum, cria-se uma falsa hierarquia espiritual que as Escrituras não sustentam. O púlpito não é o único altar. A igreja reunida não é o único espaço de vocação. A segunda-feira também pertence a Deus.
Entretanto, entre os chamados por Deus, alguns são separados para uma excelente obra: o ministério pastoral. São dignos de dobrada honra entre nós, pois, no exercício desse ofício, abdicarão de suas próprias vidas para o cuidado das nossas almas. São dádivas do Altíssimo à Sua Igreja, instrumentos para edificação, guarda e ensino do povo de Deus. Que o Senhor seja com a alma de cada pastor, sustentando-os em fidelidade até o fim.
A Deus, glória para todo o sempre. Amém!
Editorial de Lucca Giffoni

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