As Bem-aventuranças: Os Que Choram

Neste editorial abordaremos a segunda bem-aventurança que se refere àqueles que choram. É fascinante observar que o choro é uma experiência humana universal. Por exemplo, bebês choram ao nascer, e choram pedindo comida. Crianças choram porque não ganharam presentes, ou porque não ganharam mais presentes do que seus amigos. Adultos também choram, quando circunstâncias desfavoráveis parecem se multiplicar, e o sentimento de impotência abate-os. O choro também parece sempre estar acompanhado da fama de fraqueza. No entendimento comum, aquele que chora é considerado fraco e impotente.


Diante da experiência humana universal em relação ao choro, a quem Jesus se refere ao mencionar aqueles que choram? Inclui todo e qualquer tipo de choro, ou um tipo de lamento em particular? Qual é o consolo prometido aos que choram? Com estas perguntas em mente meditaremos na segunda bem-aventurança:


“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.”

(Mateus 5.4)


1. Chorando pelo nosso próprio pecado


É verdade que aquele que chora tem fama de fraqueza, mas Jesus se refere ao tipo correto de fraqueza, aquela que nos leva a depender de Deus. Vemos isso na progressão entre a primeira e a segunda bem-aventurança. Aqueles que reconhecem que são humildes de espírito são os que choram. E não existe uma realidade maior que deve nos mover ao choro e ao lamento do que o nosso próprio pecado (Tiago 4.8-10).


O rei Davi entendeu esta realidade profundamente ao escrever o Salmo 51. Neste cântico, Davi se coloca diante de Deus arrependido e contrito de seus pecados de adultério e assassinato. É notável especialmente o versículo 4a: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos”. Davi entende que a seriedade do seu pecado está ligada ao fato de que é contra o Senhor. Nossa tendência é ver os efeitos de nossos pecados primeiramente em nossas próprias vidas, porém o tipo correto de lamento pelo pecado foca na nossa ofensa contra a Lei de Deus. Ao final do Salmo 51, Davi parece provar do consolo do Senhor ao declarar confiante no verso 17: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus”.


As bem-aventuranças não são opcionais para o cristão, portanto devemos nos perguntar como temos crescido em chorar pelo nosso próprio pecado. Você tende a considerar algo um pecado quando aquilo te afeta, ou quando afeta o Senhor? Você gasta tempo lamentando e pedindo perdão a Deus pelos seus pecados?


2. Chorando pelo pecado dos outros


Neste segundo ponto a nossa tendência é suportar ou reclamar por conta do pecado dos outros. Porém, o nosso Salvador nos chama a chorar pelo pecado ao nosso redor. Um grande exemplo nesse sentido é Esdras, quando ele fica sabendo do pecado do povo de Israel em Esdras capítulo 9. Ele poderia reclamar dos seus compatriotas, porém escolheu lamentar diante de Deus, dizendo: “Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus” (Esdras 9.6).


Talvez alguém na sua família tenha pecado contra você, talvez alguém na igreja tenha te desapontado, ou talvez até mesmo um governante que você votou tenha feito um péssimo trabalho. Em todos esses níveis devemos tratar o pecado, mas também devemos lamentar pelo pecado ao invés de reclamar. Você já imaginou o quanto nossa sociedade poderia ser diferente se os cristãos aprendessem a lamentar pelo pecado ao invés de reclamar? Como você vai buscar crescer em chorar na presença de Deus pelo pecado que te cerca?


3. Chorando por vivermos em um mundo caído


Jesus também nos chama a chorar por vivemos num mundo caído, e a ansiarmos por Seu retorno que trará o consolo eterno. Neste mundo caído ainda existem dor e sofrimento intensos em diversos níveis, e condições como câncer, Covid-19, desânimo, saudade, morte, etc. É neste contexto que nós cristãos somos chamados a nos alegrar “com os que se alegram” e a chorar “com os que choram” (Romanos 12.15).


Você tem buscado chorar com os que choram em seu círculo de relacionamento? Você tem buscado crescer em sua habilidade de lamentar biblicamente? Sua oração frequente enquanto lamenta por esse mundo caído é “Maranata” (que significa “vem, Senhor!”)?


A segunda bem-aventurança nos ensina que o cristão é alguém que chora e lamenta pelos seus próprios pecados, pelos pecados dos outros e por vivermos em um mundo caído. Que possamos crescer a cada dia aprendendo a lamentar biblicamente até que o Senhor Jesus Cristo nos console definitivamente na Sua vinda!


Editorial de Leonardo Cordeiro