Crentes Revitalizados: Fidelidade

Vivemos em um mundo que, embora diga valorizar a fidelidade, demonstra com suas atitudes exatamente o contrário. Adultérios e traições, divórcios, golpes, e tantas outras formas de infidelidade e quebras de promessas são comuns. Se não convém ser fiel, não seja — isso é o que a sociedade promove. “Você não está feliz? Peça o divórcio... não importa o que você prometeu no altar”. “Você precisa de dinheiro? Minta na sua declaração de Imposto de Renda... o governo já toma tanto do nosso dinheiro”.


Eu poderia continuar citando diversas outras situações em que a nossa fidelidade é desencorajada abertamente, simplesmente para satisfazer um “bem maior”. No entanto, o que a Bíblia nos mostra é que Deus, por meio do Seu caráter, estabelece um padrão no que se refere à fidelidade — e que nada tem a ver com essa permissividade e apoio que o mundo nos oferece.


1. Fidelidade estabelecida

O padrão de fidelidade é estabelecido em Deus. Ela é oposta ao oportunismo, e sinal de alguém que é completamente confiável. Fidelidade “significa fazer consistentemente o que se diz que fará¹”. Isso é exatamente o que vemos Deus fazendo ao longo de toda a história. Tudo aquilo que Ele disse, Ele fez; e, portanto, tudo o que Ele prometeu, Ele cumprirá. Em outras palavras, se Deus deixasse de ser fiel, Ele deixaria de ser Deus.


Talvez você esteja lutando com questionamentos relacionados à fidelidade de Deus: “Será que ele permanece fiel, mesmo com a morte desse familiar?”; “Será que Deus continua fiel, mesmo com o meu desemprego, que já dura tanto tempo?”; “Será que Deus ainda é fiel, mesmo com tantos problemas no meu casamento?”. Ainda que cada uma dessas situações seja extremamente difícil, em nenhuma delas Deus deixou de ser fiel. Deus é fiel em tudo o que faz — não há erros ou infidelidade nEle (Deuteronômio 7.9; 32.4; Salmo 33.4; 146.5, 6).


O Senhor é a testemunha fiel e verdadeira (Apocalipse 1.5; 3.14; 19.11). Graças a Deus pela Sua fidelidade!


2. Fidelidade demonstrada

Essa fidelidade estabelecida pelo Senhor desde o início é demonstrada, de forma perfeita, no Filho. Ele foi fiel até o fim (Filipenses 2.8), se entregando voluntariamente por amor ao Pai e a nós. Ele foi fiel, mesmo sabendo que continuaríamos lutando com nossa infidelidade (2 Timóteo 2.13). Cristo sabia que não havia outra maneira de sermos salvos — a única forma era por meio do Seu sacrifício na cruz. Jesus precisava vir para cumprir as promessas feitas no Antigo Testamento, viver uma vida perfeita e plenamente fiel em nosso lugar, morrer na cruz e ressuscitar, oferecendo a nós a oportunidade de redenção.


3. Fidelidade imitada

Por estarmos em Cristo, Deus espera que O imitemos — sendo fiéis ao Pai como Ele foi. Com certeza, é Deus quem produz fidelidade em nós. Mas ao mesmo tempo, não nos tornaremos fiéis se não tentarmos. Nós não nos tornamos fiéis porque tentamos — é Deus quem produz o fruto; mas nunca seremos fiéis sem buscarmos fidelidade. Paradoxal? Certamente, e apenas mais um dos tantos paradoxos da nossa fé. Além disso, vemos em 1 Coríntios 10.13 Paulo afirmando que é a fidelidade de Deus que nos capacita a vencer nossas tentações.


Desenvolvendo o que definimos no nosso primeiro ponto, podemos dizer que, em relação a nós, fidelidade é a obra do Espírito de Deus que produz cada vez mais um compromisso e uma motivação de ser confiável com tudo o que Ele nos confiou, e isso se expressa em nossa confiabilidade e vida fiel.


E no final de tudo, o que a Palavra nos mostra é que Deus pede de nós fidelidade, e não resultados. A famosa frase citada por Jesus na parábola dos talentos não é “muito bem, servo bom e bem-sucedido”, mas sim “muito bem, servo bom e fiel” (Mateus 25.21, 23 – ênfase do autor). Portanto, ainda que não sejamos perfeitos, é possível sermos fiéis. Não se acomode na desculpa de que “somos todos pecadores”; busque impulso na fidelidade do nosso Salvador, sabendo que Ele nos capacita a desejar e fazer Sua vontade (Filipenses 2.13).


4. Fidelidade consumada

Enquanto estamos aqui, nesta terra, aguardamos a consumação das promessas do Senhor. E longe de serem apenas promessas possíveis, elas são realidades garantidas. Em Romanos 8.30 (ênfase do autor), o apóstolo Paulo diz: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também GLORIFICOU”. Todos os verbos utilizados por Paulo estão no passado, inclusive “glorificar”. Como isso é possível, se é algo que aguardamos para o futuro? É possível porque tudo o que Deus promete, será — sem dúvida alguma — consumado, a ponto de podermos considerar como tendo acontecido no momento da nossa eleição. A certeza da nossa glorificação não está em nós, e sim na fidelidade do nosso Deus!


Para pensar

Você é alguém que as pessoas consideram íntegro e confiável, ou você é alguém que se aproveita de oportunidades para satisfazer desejos do seu coração?


Você é alguém disposto a dizer a verdade, mesmo quando pessoas não querem ouvir?


Você é alguém consistente em seus princípios, mesmo quando isso é inconveniente ou impopular?

Editorial de Gustavo Henrique Santos



¹ CROSSWAY BIBLES, The ESV Study Bible, Wheaton, IL: Crossway Bibles, 2008, p. 2255; “πίστις pode significar o ato ou atitude de crença [...] mas o fator decisivo no presente caso é o contexto em que a palavra aparece. Seus oito acompanhantes denotam qualidades éticas, e deve-se esperar que πίστις denote também uma qualidade ética, a qualidade de ser πιστός. O adjetivo πιστός, nos escritos de Paulo, geralmente significa ‘fiel’, ‘confiável’, embora ocasionalmente, como em Gálatas 3.9, significa ‘crer’ (cf. 2 Coríntios 6.15). [...] Porque Deus é fiel, porque ele pode ser confiável, seu povo também deve ser fiel, e o Espírito capacita-o a ser fiel.” Ver BRUCE, F. F., The Epistle to the Galatians: A Commentary on the Greek Text, Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1982, p. 254.