Dando o Próximo Passo no Trabalho

Trabalho é uma palavra que causa as mais variadas reações quando ouvida. Por um lado, quando estamos sem ele, desejamos tê-lo, tanto pelo sustento que traz, quanto até para termos algo “de útil” para fazer. Por outro lado, quando temos muito dele, ficamos ansiosos por nossas férias ou um fim de semana que nos permitirá tirar uma folga. Nosso relacionamento com o trabalho é algo complexo e isso já vem de muito tempo, na verdade, desde a própria Criação.


A origem do trabalho


Apesar de comumente pensarmos no trabalho como algo penoso e maçante, conforme descrito em Gênesis 3.19 (No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.), o trabalho é algo planejado por Deus antes mesmo da queda do homem:


“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos,

enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar,

sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.”

(Gênesis 1.28)


Ou seja, o trabalho sempre fez parte do plano que Deus tem para o homem desde quando o criou e não como uma “punição” por seu pecado.


O objetivo do trabalho


Assim como tudo o que podemos fazer na vida, o objetivo do trabalho é dar glória a Deus (1 Coríntios 10.31). Para que isso aconteça, temos de fazer tudo em amor (1 Coríntios 16.14) e com fé (Romanos 14.23), sem considerar que, ao trabalharmos estamos fazendo algo terreno e não espiritual. Até porque, se olhamos para alguns dos objetivos práticos que a Bíblia nos dá para o trabalho, vemos que possuem implicações espirituais:


“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.”

(1 Timóteo 5.8)


“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe,

fazendo com as próprias mãos o que é bom,

para que tenha com que acudir ao necessitado.”

(Efésios 4.28)


O fruto do nosso trabalho deve ser usado para cuidar dos nossos e para acudir ao necessitado, duas coisas extremamente importantes no plano de Deus. Tais coisas transcendem o objetivo de simplesmente agradar a homens (nossos chefes, por exemplo), algo que pode sempre nos tentar, e nos ajudam a termos a consciência de que o nosso trabalho é para o Senhor (Colossenses 3.22, 23).


A pressão do trabalho


A origem e o objetivo do trabalho podem colocar sobre nós um sentimento de culpa, de que não estamos trabalhando o suficiente (ainda mais em situações de desemprego), ou com as motivações certas e até mesmo no ramo certo. Podemos pensar que gostaríamos de estar investindo tempo em coisas espirituais, em vez de “perder tempo” com as coisas terrenas de nosso trabalho secular. Podemos enfrentar um grande desafio em como balancear o trabalho e todas as outras responsabilidades que Deus nos deu, tanto relativas ao nosso próprio crescimento espiritual, quanto ao das pessoas que Ele colocou em nossas vidas, tais como cônjuge, filhos, outros familiares, amigos e irmãos da igreja.


Entretanto, em vez desse sentimento de culpa, o que Deus nos propõe como solução para todas essas questões é confiarmos nEle. Devemos lançar sobre Ele toda nossa ansiedade (1 Pedro 5.7) na certeza de que é Ele quem cuida de nós. Nossa ansiedade com relação às necessidades básicas deve ser substituída pela confiança em suas promessas (Mateus 6.25). Já a ansiedade com relação a coisas que suprem desejos do nosso coração deve ser substituída pelo deleite no Senhor (Salmo 37.4), pois Ele, em Sua infinita sabedoria, proverá tais desejos caso estejam de acordo com a Sua vontade (1 João 5.14).


Por fim, devemos sempre lembrar que o sucesso de nosso trabalho está nas mãos do Senhor:


“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.”

(Salmo 127.1, 2)


Não são sacrifícios de tempo, de vigor físico, intelectual ou emocional que irão garantir nosso trabalho, mas um coração dependente de Deus, que O ame verdadeiramente e que entenda que o trabalho é para Ele, assim como todas as outras coisas de nossa vida. Apesar de todo o esforço que é trabalhar, Deus nos garante que isso não deve ser penoso, porque, no fim, é Ele mesmo quem nos dá aquilo que precisamos.


E se nem mesmo um emprego eu tenho? Invista na sua capacitação (Provérbios 22.29), foque nos dons e talentos que Deus lhe deu (Provérbios 28.19), tenha um plano (Provérbios 24.27) e não pare de trabalhar (Provérbios 14.23), seja em sua busca por um emprego, seja no desenvolvimento de algum trabalho que irá facilitar uma possível contratação. Se a falta de emprego é porque ainda está estudando, encare o estudo como um trabalho, honrando a seus professores e investindo na vida de seus colegas. Se a falta de emprego é porque já está aposentado, certamente há muitos outros tipos de trabalho que podem ser desempenhados com vistas a cuidar dos seus e dos necessitados. Se ainda o seu trabalho é em casa, veja que os objetivos do que faz são exatamente os mesmos e em nada inferiores a quem tem um emprego formal, até porque, no final das contas, nosso trabalho é para demonstrar amor a Deus e ao próximo.


Para refletir

  • Considerando o que foi dito, qual é o próximo passo para você no seu trabalho?

  • Você tem trabalhado para a glória de Deus, ou para a sua própria? Você tem feito o seu melhor para que as pessoas reconheçam, ou para que Deus seja exaltado?

  • Como você pode usar seu trabalho para testemunhar do Senhor e discipular pessoas?


Peça a sabedoria de Deus para dar os passos que precisam ser dados no seu trabalho, caminhando em direção ao Criador não só do trabalho, mas também do descanso, tanto físico, quanto de nossas almas!


Editorial de André Negrão Costa