Decepcionados com a igreja

Atualizado: 22 de Ago de 2018

Se você já está na igreja há algum tempo, você já ficou decepcionado com ela. Talvez você tenha tido uma decepção leve que gerou uma tristeza inconveniente e que logo foi embora. Mas é fato que alguns carregam grandes decepções que deixaram feridas que ainda doem e custam a sarar. Será que um dia essa dor vai ter fim?


Precisamos encarar o problema. Não falar sobre o assunto não irá resolver, mas perpetuará uma cultura de "faz de conta" e de isolamento uns dos outros. Para não sermos lembrados da dor do problema, fingimos que está tudo bem quando não está ou nos isolamos das pessoas. A Palavra de Deus nos dá informações importantes sobre a natureza do Homem, a Igreja e o plano de Deus para ambos, que nos ajudam a pensar sobre esse assunto desconfortável. Precisamos da graça de Deus numa abordagem amorosa e repleta de verdade para encarar as decepções com a igreja (isto é, com as pessoas dentro dela). Só assim viveremos o maravilhoso plano de Deus para a Igreja do Senhor Jesus. Sim, maravilhoso!


Expectativas

Cientes ou não, carregamos expectativas acerca da igreja. Como tudo na vida desse lado do céu, nem sempre essas expectativas são supridas. E como tudo na vida nesse mundo caído no pecado, nem sempre essas expectativas são corretas. Frustradas ou erradas, as decepções não curadas levam à amargura. O entusiasmo em servir ao Senhor já não é mais o mesmo e tudo o que acontece ao redor se torna suspeito de trazer mais decepções e tristezas. Precisamos crescer na habilidade de discernir nossas próprias expectativas diante da realidade revigorante do Evangelho.


Expectativas erradas 


Subestimamos a influência que o mundo ao nosso redor tem ao moldar nossa forma de vê-lo e, por conseguinte, a igreja. Vivemos numa cultura consumista, centrada no Homem como cliente último e fim de todas as coisas. Aos poucos, passamos a enxergar a igreja por esse prisma também. Muitas das decepções que experimentamos estão relacionadas com expectativas erradas sobre o que a própria igreja deveria ser (ou oferecer). Uma mente consumista pensa constantemente em "O que a igreja pode fazer por mim? Do que eu gosto e deixo de gostar da igreja? Como a igreja irá me servir? A igreja reconhece o meu valor e potencial?". Nessa mentalidade consumista, deixamos de ser servos para vivermos como senhores. A igreja deixa de ser uma comunidade de adoradores de Deus para ser um grupo de servos pessoais ao meu serviço, clube de fãs particulares do meu próprio show ou o meio para que o "eu" seja reconhecido.


Essas expectativas erradas levam a decepções carregadas de dores e marcas profundas. A cura não é finalmente ter o que gostamos ou sermos o centro de tudo o que acontece na igreja. A solução começa com o reconhecimento de que deixamos de servir a Deus para sermos o centro do serviço dentro da igreja. Porém, a igreja não existe para satisfazer desejos, preferências ou sonhos pessoais. A Igreja do Senhor Jesus é do Senhor Jesus. O corpo de Cristo tem uma cabeça, que é Cristo. Ele tem a proeminência e deve estar no centro de tudo. De fato, todas as coisas estão sujeitas a Ele (Efésios 1.20). Avalie, sua decepção tem a ver com a inversão dos lugares do Senhor e dos Seus servos?


Expectativas legítimas


Nem todas as expectativas são erradas. Muitas das decepções envolvem expectativas legítimas. Pessoas se decepcionam com a falta de amor dentro da igreja, falha no cuidado pastoral, superficialidade de comunhão entre os irmãos, preferência musical, pecado não tratado e a falta de tantos outros elementos que deveriam fazer parte de uma igreja saudável e dentro do plano de Deus. Nesses casos, a decepção pode ser ainda mais intensa e desanimadora, ao ponto de levar pessoas a deixar uma determinada igreja local. Somos confrontados com a dura realidade de que as coisas são de um jeito que não deveriam ser. Sua decepção tem a ver com a percepção de que coisas legítimas estão fora do lugar dentro da igreja?


Seja você alguém com expectativas erradas ou legítimas, a dor da decepção é uma oportunidade para avaliar o estado do seu coração para tomar um curso correto de ação. Se a dor evidencia uma expectativa errada, é hora de correção. Se a dor evidencia uma expectativa legítima, é hora de consolo. E a boa notícia é que tanto a correção quanto o consolo vêm da mesma fonte: o Evangelho. O plano de Deus é suficiente para corrigir e consolar os corações doídos pela decepção com a igreja e as pessoas dentro dela.


O plano de Deus

Os ensinamentos e as promessas ao redor da realidade da Igreja são empolgantes. As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mateus 16.18), que foi comprada pelo precioso sangue de Jesus (Atos 20.28), para se tornar um povo exclusivamente dEle (Tito 2.14), um lugar de habitação do Espírito Santo (Efésios 2.19-22) e a noiva triunfante e gloriosa do Cordeiro de Deus (Apocalipse 19.7-8).


Ter uma visão gloriosa e triunfante da Igreja corrige expectativas erradas sobre quem está no centro de todas as coisas: Jesus Cristo. O Vitorioso é Jesus Cristo, o sangue foi dEle, o povo é dEle e a noiva é dEle. Diante da gloriosa realidade da autoridade de Jesus, somos chamados ao arrependimento de expectativas erradas acerca de Sua igreja. Lembre-se, a igreja é dEle e para Ele. Somos servos.


Além da visão gloriosa e triunfante da Igreja, essas passagens nos consolam com a realidade da purificação e edificação da Igreja. Nesse lado do céu, a Igreja é um projeto em andamento, uma obra aguardando o seu término. Estamos no meio da construção inacabada com posse de uma visão real e majestosa da obra acabada. Quando trabalhamos numa construção, sabemos que podemos pisar num prego, arranhar a canela num pedaço de madeira fora do lugar, espirrar com o pó ou ter qualquer outro inconveniente de uma obra inacabada. Porém, a visão da obra perfeita nos mantém no trabalho da edificação. Por que? Por causa do Dono da obra: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (2 Coríntios 11.2). Por isso, “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10.24, 25).


Com os olhos fixos no Senhor da obra, corrigimos expectativas e nos consolamos quando elas são frustradas, ajudando a cada um no árduo trabalho de edificação da Igreja do Senhor Jesus Cristo até que Ele venha ou nos chame para estar com Ele. Aí, não haverá mais decepção, só alegria.


Edificando junto com vocês,


Editorial do Pr.Alexandre "Sacha" Mendes





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