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Novas Metas, Mesma Fé

O início de um novo ano carrega sempre um significado especial. O calendário vira, os dias recomeçam numerados do um, e o coração humano, quase que instintivamente, se enche de expectativas. É tempo de planos, listas, resoluções e promessas silenciosas feitas a nós mesmos. Queremos ser melhores, viver melhor, organizar a vida, cuidar mais da saúde, da família, do trabalho e da fé. O desejo de recomeçar é legítimo, e profundamente humano.

 

No entanto, para o cristão, o recomeço vai além de metas bem escritas ou sonhos cuidadosamente planejados. Recomeçar, à luz da fé, é sobretudo alinhar o coração à vontade de Deus. É reconhecer que, antes de qualquer plano traçado, existe um Senhor soberano que governa o tempo, sustenta a vida e conhece o futuro. Por isso, mais do que um ano novo no calendário, o que buscamos é um recomeço com Deus.

 

A Bíblia nunca foi contra o planejamento. Pelo contrário, ela nos orienta a viver com sabedoria. Mas também nos lembra que planos sem Deus se tornam frágeis. “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor” (Provérbios 16.1). Quando começamos o ano conscientes dessa verdade, mudamos a forma de olhar para o futuro. Planejar deixa de ser um ato de controle e passa a ser um exercício de confiança.

 

O ano que passou, certamente, deixou marcas. Algumas boas, que nos enchem de gratidão. Outras difíceis, que ainda doem quando lembramos. Houve orações respondidas e outras que pareceram não ter resposta. Houve momentos de alegria e também de silêncio. Recomeçar com Deus não significa apagar o passado, mas aprender com ele. É reconhecer o que precisa ser deixado para trás e seguir adiante com mais maturidade.

 

Um erro comum nessa época do ano é achar que precisamos de uma fé completamente nova para enfrentar novos desafios. A verdade é que não precisamos de uma nova fé, mas de uma fé viva. O Deus que cuidou de nós até aqui continua sendo o mesmo. Ele não muda com as estações, não se abala com nossas instabilidades e não se cansa das nossas limitações.

 

Jesus foi claro quando disse: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6.33). Esse versículo não é apenas um conselho espiritual, é uma forma de vida. Quando colocamos Deus em primeiro lugar, nossas metas encontram direção, nossas decisões ganham equilíbrio e o coração aprende a descansar, mesmo sem termos todas as respostas.

 

Recomeçar com Deus também nos convida a revisar nossas prioridades espirituais. Como está nossa vida de oração, nosso tempo com a Palavra de Deus, nossa disposição para ouvir a voz de Deus no meio da correria? Muitas vezes queremos mudanças externas sem cuidar da raiz dos problemas. Mas a transformação verdadeira começa por dentro. Um ano abençoado não nasce de grandes promessas, mas de passos simples e constantes de obediência.

 

Outro ponto importante é lembrar que a nossa fé não se vive sozinha. Recomeçar com Deus amplia nosso olhar para o outro. Não se trata apenas do que eu quero alcançar, mas de como posso amar mais, servir melhor e ser instrumento de esperança. Metas que ignoram o próximo perdem o sentido do Evangelho.

 

É preciso reconhecer também que não sabemos o que este novo ano nos reserva. Há caminhos que ainda não enxergamos, decisões que ainda não foram tomadas e desafios que ainda nem imaginamos. Mas há uma promessa que nos sustenta: “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento” (Provérbios 3.5). Essa confiança não elimina as dificuldades, mas nos dá coragem para enfrentá-las.

 

Recomeçar com Deus não é pedir um caminho sem lutas, mas uma caminhada com propósito. Não é desejar mares sempre calmos, mas aprender a navegar mesmo quando o vento muda de direção. É aceitar que nem tudo estará sob nosso controle, mas que tudo permanece sob o cuidado de Deus.

 

Que este novo ano não seja apenas uma repetição do anterior. Que seja um tempo de crescimento, amadurecimento e dependência do Senhor. Que nossas metas sejam renovadas, mas que nossa fé permaneça firme. E que, dia após dia, aprendamos que o melhor recomeço sempre acontece quando damos o primeiro passo com Deus.

 

Finalizo com parte de uma oração extraída da coletânea de orações puritanas “O Vale da Visão”¹, a qual entrega o novo ano nas mãos do Senhor.

 

Senhor soberano,

lanço meu barco no mar desconhecido deste novo ano,

não confiando na força dos meus remos,

nem na clareza do meu olhar,

mas na firmeza da Tua mão.


Os caminhos à frente me são ocultos,

as águas, profundas,

os ventos, imprevisíveis;

contudo, Tu és o Deus que governa mares e estações.


Que Deus Pai seja meu Porto Seguro,

que Jesus seja meu leme,

que o Espírito Santo seja o vento que impulsiona meu barco

quando minha fé e meus braços fraquejarem.


Que eu não busque mares calmos,

mas um coração firme;

não controle absoluto,

mas confiança humilde;

não sucesso visível,

mas fidelidade constante.


Se eu chegar ao fim deste ano com cicatrizes,

que sejam marcas de dependência;

se chegar cansado,

que seja por ter caminhado Contigo.


Leva-me onde minha fé precisa crescer,

ancora-me quando o medo quiser dominar

e recebe-me sempre de volta em Ti,

meu descanso eterno.


Amém!

 

Editorial de Dimas Rodrigo

¹The Valley of Vision – A Collection of Puritan Prayers & Devotions,Arthur Bennett (org.), p. 112. Tradução livre e adaptação: Dimas Rodrigo.

 
 
 

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