Pai da Eternidade
- 18 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Poucas palavras mexem tanto conosco quanto a palavra PAI. Para muitos, ela traz lembranças boas: proteção, carinho, presença. Para alguns, desperta saudade de quem já se foi. E, para outros, é uma palavra dolorosa, marcada por ausência, distância, frieza ou até injustiça.
No meio dessas experiências tão diferentes, ouvimos a antiga promessa de Natal:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu;
o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será:
Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”
(Isaías 9.6 – ênfase do autor)
Entre todos os nomes dados ao Messias, talvez Pai da Eternidade seja o mais intrigante. Como pode o menino que nasce em Belém ser chamado de Pai? E o que isso tem a ver com o nosso Natal?
Pai, Filho e Espírito Santo
Isaías não está confundindo Jesus com Deus Pai. O profeta não trata aqui da relação entre as pessoas da Trindade, mas de como o Messias cuida de Seu povo. Ele é um Rei que trata os Seus como um pai trata seus filhos: com cuidado, proximidade, provisão e amor.
Assim como Paulo disse que gerou os coríntios em Cristo Jesus pelo Evangelho (1 Coríntios 4.15), muito mais Jesus, o Autor da vida, vê a Sua “posteridade” (Isaías 53.10) e gera filhos para Deus por meio do Espírito Santo. Jesus é Pai não porque ocupa o lugar do pai, mas porque nos dá vida nova e cuida de nós como um Pai perfeito.
Um Pai Ilimitado
Todo pai terreno é limitado. Mesmo o melhor pai do mundo envelhece, se cansa, erra, se vai. Mas o Pai da Eternidade não tem começo nem fim. Ele existia antes de nascermos, conhece cada um dos nossos dias e estará presente em cada novo ano que ainda nem começou.
Quando Isaías chama o Messias de Pai da Eternidade, ele está dizendo: Esse Rei nunca será substituído. Nunca será vencido. Nunca deixará Seus filhos órfãos. Jesus mesmo se apresenta assim: “Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 1.17b–18a).
O bebê na manjedoura é o Senhor do tempo, o Deus eterno que entrou na nossa história para nos adotar como filhos. Isso significa que não existe um único momento da nossa vida em que Ele não esteja presente, atento e soberano. Antes de existirmos, Ele já nos conhecia; depois que partirmos, Ele continuará sendo Rei; e, nesse meio tempo, Ele caminha ao nosso lado como um Pai eterno.
Um Pai Para Quem Tem Feridas Com Seus Pais
Para muitos, Natal é sinônimo de família reunida. Para outros, é a época em que a solidão dói mais. Faltam pessoas na mesa. Faltam histórias boas na memória. Faltam abraços que nunca vieram.
É aqui que o título Pai da Eternidade toca fundo: Jesus se revela como um Pai perfeito para filhos imperfeitos, cansados, confusos e feridos. Durante Seu ministério, Ele acolheu crianças, tocou leprosos, ouviu desprezados, cuidou de Sua mãe até na cruz.
Ele é tudo aquilo que um pai deveria ser: presente, atencioso, firme, compassivo. E, ao contrário de muitos pais terrenos, Ele não se afasta, não se esquece, não muda de humor, não abandona.
Talvez a palavra pai traga lembranças dolorosas. O caminho não é rejeitar o conceito de paternidade, mas deixar que Jesus o redefina. Quando Filipe pediu: “Mostra-nos o Pai”, Jesus respondeu: “Quem vê a mim vê o Pai” (João 14.8 e 9). Em Cristo, conhecemos, pela primeira vez, o que é ser realmente amados.
Um Natal Com o Pai Que Nunca Vai Nos Deixar
O Salvador que nasceu em Belém é o Rei eterno que reina hoje. E Ele estende Sua paternidade amorosa para todos os que creem. Você não está sozinho. Você não é esquecido. Você não é acidental. Você não é órfão. A criança da manjedoura é o Pai da Eternidade, e nEle encontramos segurança que nenhuma perda pode apagar e amor que nenhuma ausência humana pode anular.
Neste Natal, você não é convidado apenas a celebrar o nascimento de Jesus, mas a abraçar Aquele que veio para ser o Pai perfeito que nunca falha, nunca termina e nunca parte!
Editorial de André Negrão Costa

.png)



Comentários