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E Quando Não Consigo Obedecer?

Uma das grandes marcas de um cristão é a obediência a Deus (1 João 2.3–6). Porém, a obediência não é o que fazemos para sermos salvos e sim por sermos salvos (Efésios 2.8–10). Apenas quando somos salvos por Cristo, somos de fato, libertados da escravidão do pecado e somos, assim, capazes de obedecer (Romanos 6.14).


Por outro lado, também é fato que verdadeiros cristãos têm dificuldade em obedecer, evidência da luta entre o desejo da velha natureza de pecar e o desejo do novo homem de obedecer (Romanos 7.21–24). Esse conflito não deixa o cristão após a conversão e, portanto, o fato de haver luta não é motivo para desânimo.


No entanto, é necessário ter cuidado, pois é muito fácil nos acomodarmos em uma vida de desobediência e ainda achar que estamos fazendo o melhor na luta contra o pecado. Enquanto estamos aqui na terra, sempre há um próximo passo a ser dado. O objetivo deste texto é tentar guiá-lo por alguns pontos para crescer nessa compreensão.


Avaliar a nossa compreensão do pecado


Primeiramente, devemos avaliar como estamos entendendo a situação. Realmente entendemos a profundeza do nosso pecado e a profundeza do que significa obedecer? Para isso, precisamos da Palavra de Deus para nos confrontar e mostrar o tamanho do nosso pecado e qual é o padrão de Deus para a obediência. Não devemos nos deixar guiar pelo que achamos que é suficiente, pois provavelmente ficaremos só na superfície. Por exemplo, podemos estar caindo constantemente em maledicência porque estamos limitando nosso pecado apenas ao ato externo de falar mal, e não estamos aprofundando na percepção de que o pecado envolve julgar pessoas no pensamento e não as perdoar. Podemos estar recorrendo na procrastinação porque entendemos que o problema é atrasar a entrega de algo, e não estamos aprofundando na percepção de que fazer mau uso do tempo que Deus nos dá é pecado.


Avaliar a nossa efetividade na luta


Além de avaliar o nosso conhecimento do problema, precisamos avaliar se estamos, de fato lutando contra o pecado. Assim, devemos avaliar seriamente que passos efetivos estão sendo dados. E nesse sentido, precisamos, novamente aprofundar, pois as ações repetidas que estamos tentando não fazer mais, são alimentadas por outras mais sutis com que não nos preocupamos. Por exemplo, nossa constante queda em insatisfação pode ser porque não estamos deixando de alimentá-la com o que vemos nas redes sociais. Nossa dificuldade de relacionamento em família pode ser resultado de não estarmos proativamente buscando servi-la, alimentando uma visão utilitária dela.


Nesse ponto ainda, vale ressaltar que normalmente precisaremos de ajuda externa para enxergar alguns aspectos. Muitas vezes estamos tão acostumados com a situação do jeito que está que não conseguimos avaliar de forma objetiva. Por isso é importante procurar ajuda de cristãos maduros e estar aberto para ouvir coisas que não queremos.


Avaliar a nossa motivação para a luta


Outro aspecto importante é aprofundar na compreensão das nossas motivações por trás das nossas lutas. Normalmente, iniciamos a luta contra um pecado porque ele nos incomoda, traz constrangimento. Naturalmente, nossa primeira motivação acaba sendo encerrar o pecado para encerrar esse incômodo. Não é de se surpreender que uma consequência é acabar condicionando a obediência ao resultado que eu quero e, se eu não vir o resultado, acabo desanimando. Uma outra consequência é que eu posso acabar lutando contra o pecado só o suficiente para acobertá-lo, mas não para abandoná-lo de fato. Por exemplo, eu luto contra a gula apenas porque quero ter um corpo saudável, não porque quero comer para a glória de Deus. Eu quero parar de fazer gastos financeiros indevidos só para não ficar com dívidas, mas não quero ajustar o meu coração para ser um bom mordomo.


Uma outra dificuldade nesse sentido reside no fato de não estarmos considerando Deus e Sua graça no processo. Se estamos lutando motivados pela nossa própria força e capacidade, certamente cansaremos quando falharmos. Por exemplo, se estamos acreditando que nossa força de vontade irá nos livrar de um vício, é bem provável que diante de uma queda afundaremos em desesperança. Precisamos, no entanto, nos aprofundar no conhecimento da graça de Deus para saber o que significa viver pela graça. O poder de Deus é o que nos capacita mudar.


Portanto, em resumo, nossa dificuldade de obedecer provavelmente está associada a uma estagnação no nosso estado espiritual. Precisamos dar um próximo passo para aprofundar nossa compreensão do pecado, um próximo passo em ser mais rigoroso na luta contra o pecado e um próximo passo em entender as nossas motivações.


Para esse fim, precisamos muitas vezes ser despertados, seja diretamente pela Palavra de Deus, ou pela aplicação da Palavra por meio de um cristão maduro. Por isso, é essencial estarmos constantemente expostos à Palavra por meio da pregação pública, do discipulado e do aconselhamento bíblico, pois se abandonamos o meio em que a Palavra de Deus verdadeiramente nos confronta, tendemos a nos acomodar na nossa própria percepção da realidade.


Editorial de Tássio Cavalcante


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