Edifiquem uns aos outros

Sobre a série: Uns aos outros.

Durante o ano de 2020, temos refletido de forma intencional sobre "ser e fazer discípulos". Visitamos passagens bíblicas que instruem sobre a vida do discípulo e a prática de fazer discípulos. Reconhecemos que precisamos entender o que é um discípulo e como discipular pessoas e acabamos por redescobrir a simplicidade de nossa fé e passos práticos para o discipulado ao alcance de todos. Dentro dos assuntos tratados, é importante identificarmos as características da comunidade dos discípulos de Jesus Cristo. Ao longo da história da Igreja Batista Maranata, chamamos essas características de "mutualidades". Durante esta série traremos reflexões sobre os mandamentos bíblicos de reciprocidade, marcados pelos mandamentos conhecidos como "uns aos outros". A vida do discípulo acontece numa comunidade marcada por práticas que testemunham do caráter de Deus e Sua obra de salvação que nos transforma para o testemunho do Evangelho.


Edifiquem uns aos outros


Hoje, mais do que nunca, as tarefas de fazer discípulos e edificar uns aos outros estão sendo colocadas à prova. Em um cenário pandêmico, diversos obstáculos jamais encarados por qualquer um de nós se tornam verdadeiros desafios para a continuidade da propagação do Evangelho e para a edificação mútua. Entretanto, este cenário é desafiador apenas para nós, e graças a Deus por isso!


A continuidade da obra de Cristo não depende de nós, mas sim dEle, que governa e realiza todas as coisas (Romanos 11.36). Confiantes nisso, podemos meditar e nos preparar para uma vida de edificação mútua enquanto estamos parcialmente isolados. Digo parcialmente, pois Deus em Sua soberania nos deu a oportunidade de nos relacionarmos de outras maneiras através da tecnologia.


Neste contexto, o que significa edificarmos uns aos outros? Como podemos edificar e ser edificados apesar do distanciamento social?


- Amando

Um dos pilares de uma vida de edificação, é o amor. Ele é fruto de um coração que entendeu a obra salvífica realizada por Cristo no Calvário. Quando entendemos qual é o tamanho do amor que nos foi concedido (imerecidamente), somos impulsionados a amar. Amamos porque Ele nos amou primeiro (1 João 4.19). É impossível termos uma vida focada na edificação se não amamos. Se não amarmos aos outros mais do que a nós mesmos, seremos incapazes de sairmos de nossa zona de conforto para irmos até nosso irmão.


- Demonstrando amor e se importando

Ao longo do Novo Testamento, vemos vários exemplos práticos de Cristo se importando com as pessoas (João 5.5–9; 11.33-36; Marcos 5.25–34). Pelo fato de estar inserido no meio das pessoas, Cristo intencionalmente estava exposto às diversas necessidades ao seu redor, o que criava situações para que Ele pudesse ajudar.


Se importar com a necessidade do próximo e estender amor é cuidar do corpo de Cristo. Isso, também, é edificar uns aos outros.


E como podemos cuidar uns dos outros neste momento em que vivemos? Cuidando de nós mesmos espiritualmente e fisicamente. Podemos ligar para os irmãos e orar juntos, fazer compras para os idosos e para aqueles que são integrantes do grupo de risco, entre tantas outras coisas. Devemos nos importar com nossos irmãos apesar das dificuldades.


- Vivendo os “uns aos outros”

Em diversas passagens da Bíblia encontramos a expressão “uns aos outros”. Eis algumas: Amai-vos uns aos outros (Romanos 12.10), saudai-vos uns aos outros (2 Coríntios 13.12), suportai-vos uns aos outros (Efésios 4.2), confessai os vossos pecados uns aos outros (Tiago 5.16).


Como viveríamos o “uns aos outros” se não nos envolvêssemos com a igreja local? À medida em que vivemos a vida em comum, declaramos que estamos dispostos a viver em comunidade. Como consequência, isso gera expectativas dos irmãos para conosco e temos expectativas para com os irmãos — expectativas de crescimento, discipulado, serviço, aconselhamento e de caminhar juntos. A jornada cristã é individual, mas é desenvolvida em um contexto coletivo.


Não existe “super crente” ou coisas do tipo. Todos temos a necessidade de ajuda, e essa ajuda virá por parte de nossos irmãos e pastores. Quando vivemos essa vida em comum, nos expomos aos irmãos, para que eles possam apontar falhas em nossa caminhada espiritual, a fim de serem instrumentos de Deus no processo de santificação. Da mesma maneira, teremos a oportunidade de admoestá-los para que cresçam assim como nós, individualmente, temos crescido.


- Praticando os dons espirituais

Deus em Sua soberania, nos capacitou com dons espirituais para que pudéssemos edificar a Sua igreja. Já parou para pensar de quem é a responsabilidade de edificar a igreja? Sim, é nossa, os membros da igreja. Em Efésios 4.11–16, vemos que Deus concedeu diferentes dons espirituais para cada um de nós. Uns para pastores, outros para evangelistas ou profetas, enfim, são apenas alguns exemplos de alguns dons que nosso Deus nos deu, e todos estes dons espirituais possuem um único objetivo: a edificação do corpo (1 Coríntios 14.12). Se você é um salvo no Senhor, você possui um dom espiritual que, independentemente de qual seja, é importante e foi lhe dado para ser exercido.


É um erro muito comum cristãos colocarem a responsabilidade da edificação da igreja nas costas dos pastores e missionários. Sim, a responsabilidade é deles também, mas como vemos em Efésios 4.11, 12: “ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.” (ênfase do autor)


Nós somos os santos e os pastores nos dão as ferramentas para que possamos edificar a igreja de Cristo. Isso deve ser encarado com responsabilidade, entendendo que, acima de tudo, é um privilégio, pois Deus não precisa de nós para que a Sua igreja seja edificada.


- Orando

Finalmente, mas não menos importante, é fundamental que oremos uns pelos outros. Precisamos sempre nos lembrar de que somos apenas ferramentas utilizadas por Deus. Isso significa que não podemos fazer nada a não ser que Cristo opere através de nós. Acaso pode uma serra cortar sem que alguém a manuseie? Evidentemente que não. Da mesma maneira, se Cristo não operar através de nós, seremos ferramentas inúteis.


Gostaria de deixar aqui as indicações de dois livros que me ajudaram bastante a entender o que é discipulado e vida em comum na igreja: Multiplique, da editora Mundo Cristão, escrito por Francis Chan e Mark Beuving e 9 Marcas de uma Igreja Saudável, da editora Fiel, escrito por Mark Dever.


Agora, neste momento adverso que vivemos, nossa missão é continuar edificando uns aos outros. E no sentido da palavra edificar, devemos literalmente trabalhar para que cresçamos espiritualmente, trabalhar para que nossos irmãos desenvolvam suas vidas espirituais, pois essa é a vontade de Deus para a Sua igreja.


Mesmo em isolamento social, não somos impedidos de amar, demonstrar amor, viver além de nós mesmos, praticar nossos dons espirituais e orar.


Enfim, podemos continuar edificando a igreja de Cristo para a honra e para a glória do Seu nome. Amém!


Editorial de Rafael Ceron de Souza


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