Identidade em Cristo: Preservados por Deus

“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer,

e ninguém as arrebatará da minha mão.”

(João 10.28)


O que é a preservação


A doutrina da preservação dos filhos de Deus é um dos mais poderosos, consoladores e encorajadores ensinos das Escrituras. Como vimos no versículo acima do Evangelho de João, Jesus ensina que é simplesmente impossível que qualquer filho de Deus se perca definitivamente e deixe de fazer parte do Reino de Deus.


Jesus deixa clara a razão para isso: não depende do homem permanecer em Deus. Quem sustenta e garante a preservação dos filhos de Deus é o próprio Cristo: “ninguém as arrebatará da minha mão”.


Essa grande verdade, inicialmente pregada pelo próprio Jesus e pelos seus apóstolos, no início da história da igreja, foi se perdendo ao longo dos anos. Durante a Reforma Protestante no século XVI, no entanto, ela foi novamente afirmada pelos reformadores, que ensinaram a Perseverança dos Santos: àqueles a quem o Senhor escolheu desde antes da fundação do mundo, a esses o Senhor fará perseverar até o último dia.


Bases teológicas


O Novo Testamento está repleto de passagens que ensinam essa preciosa doutrina. Paulo afirma em sua segunda carta aos coríntios:


“Ora, é Deus que faz que nós e vocês permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu,

nos selou como sua propriedade e pôs o seu Espírito em nossos corações

como garantia do que está por vir.”

(2 Coríntios 1.21, 22)


Nessa passagem, o apóstolo deixa claro que é o próprio Deus que faz com que permaneçamos firmes em Cristo! Não existe a ideia de cooperação entre Deus e os homens na salvação. Alguém poderia pensar: “Deus já fez Sua parte ao me salvar, enviando Jesus. Agora eu preciso fazer a minha parte, que é perseverar até o fim”. Esse pensamento definitivamente não está de acordo com as Escrituras. A salvação, do início ao fim, é obra exclusiva de Deus. Ele quem nos salvou e Ele quem nos fará perseverar até o fim.

O fato de haver supostos crentes que abandonam a fé e a comunhão dos irmãos depois de longos anos na igreja não é evidência para acreditar que exista perda de salvação. O apóstolo João fala a esse respeito em sua primeira carta:


“Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque,

se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia,

eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.”

(1 João 2.19)


Se saíram do meio da igreja, há duas possibilidades: ou Deus os trará de volta em um momento oportuno ou eles não eram genuinamente convertidos.


Impactos no nosso dia a dia


Quando criança, lembro-me de ter pensamentos do tipo: “Acredito em Jesus como meu Senhor e meu Salvador. Mas será que se eu cometer um pecado bem na hora que Jesus estiver voltando e eu não tiver tempo de me arrepender, eu vou para o Inferno?”. Note que esse é um pensamento aterrorizante!


Levei alguns anos até ser exposto às maravilhosas doutrinas da graça. O meu pensamento infantil trazia a falsa ideia de que a minha salvação estava em minhas próprias mãos. Nada poderia estar mais longe da verdade! Se a minha salvação dependesse daquilo que eu faço ou deixo de fazer, o meu Salvador não seria Jesus, o meu salvador seria eu mesmo! Imagine que angustiante ter um pai que ameaça deixar de ser seu pai se você tiver um comportamento ruim. Esse não é o nosso Deus.


Nosso Deus é aquele que não somente nos ama incondicionalmente, mas nos escolheu na eternidade passada (Efésios 1.4) e nos selou com o seu Espírito Santo (2 Coríntios 1.22), como garantia de que somos Seus filhos e nunca deixaremos de ser!

Ter uma correta compreensão da segurança e da certeza de nossa salvação nos torna crentes mais confiantes, mais seguros e menos ansiosos. Descansamos na certeza do amor de um Pai que não irá nos abandonar em hipótese alguma. Como disse o grande pregador Charles Spurgeon: “Minha esperança de ser preservado até o fim se baseia no fato de que Jesus Cristo pagou caro demais por mim para deixar-me escapar”.


Como dar o próximo passo


Ter a certeza de que Deus nos guardará até o fim, independentemente do que fizermos de bom ou ruim hoje, não deve ser motivo para vivermos relaxados na luta contra o pecado. Pelo contrário, isso deve ser fonte de alegria, encorajamento e gratidão pela maravilhosa salvação que o Senhor nos tem dado! Gratidão que nos impulsiona a buscarmos viver uma vida de santidade ainda mais vibrante!


Além disso, ter esse conhecimento a respeito da palavra de Deus é um privilégio que nem todos têm. Certamente, ainda há crentes que vivem desanimados ou ansiosos, esmagados pelo pensamento de que poderão deixar de ser filhos de Deus se cometerem este ou aquele pecado. Isso nos encoraja a conhecer mais profundamente a Palavra de Deus e compartilhar os seus ensinamentos com as pessoas ao nosso redor, trazendo a elas a clareza e o consolo provenientes das Escrituras.


Que, com essa certeza em mente, possamos afirmar o que diz o antigo hino, com os corações cheios de alegria: “que segurança, sou de Jesus”!


Editorial de Fernando Saraiva