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O Imago Dei No Mundo Dos Algoritmos

  • 16 de jul.
  • 4 min de leitura

Fiz um post ontem à noite. Fiquei um tempo perguntando ao meu marido se as fotos que escolhi estavam boas. Depois, passei mais algumas horas escrevendo e reescrevendo o texto para colocar na legenda. No final, decidi colocar apenas um versículo e um emoji. Finalizei o post e fui dormir.

 

Logo pela manhã do dia seguinte corri para ver o impacto grandioso que meu post teve. Vinte curtidas. Só vinte curtidas? Como pode? As pessoas não me amam? Será que escolhi fotos ruins? Acho que postei no horário errado, as pessoas já deviam estar dormindo.

 

Quantos de nós já colocamos nosso valor na quantidade de curtidas, compartilhamentos e comentários nas redes sociais? Quantos de nós valorizamos mais os perfis que possuem milhares ou milhões de seguidores? Quantos de nós fugimos da oração e da leitura da Palavra de Deus para “descansar a mente” rolando o feed?

 

Em 1 Samuel 16.7, Deus nos mostra que, ao contrário do algoritmo, Ele se relaciona com pessoas em vez de classificá-las. Ele enxerga o coração em vez da aparência. “Porém o Senhor disse a Samuel: — Não olhe para a sua aparência nem para a sua altura, porque eu o rejeitei. Porque o Senhor não vê como o ser humano vê. O ser humano vê o exterior, porém o Senhor vê o coração”.

 

Quem define quem somos é o nosso Criador, não os dados contidos em nossos celulares. O algoritmo valoriza alcance, produtividade e relevância. Deus, porém, nos chama a servir, amar as pessoas e considerar os outros superiores a nós mesmos.

 

Alcance Sem Propósito

 

Imagine se fizéssemos o exercício de nos perguntar: “Isso glorifica a Deus?” antes das postagens que fazemos. Ou se olhássemos com contentamento para o que as pessoas postam, e realmente nos alegrássemos com as conquistas e com a vida uns dos outros. Imagine também se orássemos para que pessoas fossem alcançadas por meio da forma como apresentamos Cristo em nossas redes sociais.

 

Essa realidade muitas vezes parece distante, mas, pela graça de Deus, é possível usar a tecnologia de maneira diligente. Para que isso se torne possível, precisamos transbordar Cristo. Isso significa que nossa vida fora das redes sociais precisa ser cercada pela leitura da Palavra de Deus, pelo tempo a sós com o Senhor em oração, pelo serviço e pela comunhão com nossos irmãos.

 

As redes sociais são uma excelente ferramenta para o evangelismo quando as usamos corretamente. É possível alcançar e servir pessoas sem necessariamente sairmos de nossas casas. É possível glorificar a Deus em meio ao algoritmo. O problema nunca foi o alcance. O problema é quando buscamos ser vistos em vez de tornar Cristo conhecido.

 

Produtividade Sem Descanso

 

A tecnologia pode nos dar a falsa impressão de que somos capazes de produzir além da nossa capacidade. O interessante é que, com frequência, nos sentimos sobrecarregados e, ainda assim, temos a sensação de que não fizemos o suficiente.

 

Na tentativa de acompanhar esse ritmo, podemos facilmente esquecer o descanso para o qual o Senhor nos chama. Muitas vezes buscamos alívio nas redes sociais, quando, na verdade, estamos nos tornando mais ansiosos, preocupados e cansados.

 

Queremos usar as redes sociais como um anestésico para nossos sofrimentos e angústias, mas Deus nos chama a um caminho diferente. Em Filipenses 4.6, lemos que devemos levar a Ele nossas preocupações:

 

“Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo,

sejam conhecidas diante de Deus as petições de vocês,

pela oração e pela súplica, com ações de graças”.

 

O Senhor é quem nos sustenta. Nele encontramos o verdadeiro descanso e a paz que excede todo entendimento.

 

Relevância Sem Identidade

 

“De que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

 (Marcos 8.36)

 

A verdade é que ninguém tropeça em um elefante. Muitas vezes sabemos exatamente o que está acontecendo, mas ainda assim permitimos que isso ocupe um espaço que não deveria ocupar.

 

A cada dia, temos nos curvado mais às redes sociais, aos streamings, às inteligências artificiais e a tudo aquilo que a tecnologia pode nos oferecer. O algoritmo, por vezes, se torna aquilo em que depositamos mais valor do que deveríamos.

 

Podemos conquistar reconhecimento, influência e milhares de seguidores, mas nada disso tem valor se perdermos de vista quem somos em Cristo. Nossa identidade nunca esteve na quantidade de curtidas. Nunca esteve na quantidade de seguidores.

 

Nossa identidade está em Cristo! Quando essa verdade governa nossos corações, encontramos contentamento e descanso mesmo em um mundo cheio de ruídos.

 

Assim, deixamos de viver para sermos vistos e reconhecidos e passamos a viver para glorificar Aquele que nos vê.

 

Vinte curtidas ou dois milhões de curtidas: nada se compara ao Filho de Deus que foi morto em nosso lugar, que pagou o preço pelos nossos pecados, que morreu, ressuscitou e hoje vive.

 

“As pessoas me amam?” se torna uma pergunta pequena diante de “O Senhor me ama?”. E a resposta é: sim! Ele nos ama com um amor que permanece para sempre.

 

“Porque estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos,

nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir,

nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade,

nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus,

que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

 (Romanos 8.38 e 39)

 

Editorial de Camila Barbosa


 
 
 

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