Livres para amar

Atualizado: 19 de Set de 2018

Na carta de Paulo aos Gálatas vemos o apóstolo abordando a questão da liberdade que há em Cristo Jesus. Cristo nos resgatou para sermos livres, de forma que não dependemos das nossas obras para sermos salvos (Gálatas 5.1). Isso quer dizer que devemos abandonar nossas práticas religiosas que “têm aparência de sabedoria, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne” (Colossenses 2.23). Mais especificamente, em Romanos 14, Paulo aplica isso a algumas atitudes que eram consideradas pecados, mas que, segundo o evangelho, não eram mais (ou até mesmo nunca foram), abrindo espaço para a chamada “liberdade cristã”.


Nos últimos anos da Igreja é perceptível que muitas práticas foram indevidamente consideradas pecados e isso tem ocasionado uma luta cada vez maior pela liberdade. Porém, esse processo facilmente se mascara com o mundanismo que tem invadido as igrejas e o coração dos cristãos. Paulo adverte que nossa liberdade não deve ser para dar ocasião à carne e sim para servir outras pessoas em amor (Gálatas 5.13). Portanto, como saber se tenho lutado legitimamente pela liberdade ou se tenho sido contaminado pelo mundanismo?


1. Tenho crescido em amor pelas pessoas?

Minha liberdade deve ser usada para servir as pessoas não a mim mesmo. Se minha busca por liberdade tem me afastado das pessoas que pensam diferente de mim e me deixado insubmisso às autoridades instituídas por Deus, então provavelmente estou buscando da forma errada.


2.  Sou mais influenciado pela opinião bíblica ou pela opinião da sociedade?

Uma forma de se perceber isso é pensar como eu defino se algo é pecado ou não. Eu procuro a definição bíblica do que agrada a Deus ou eu uso o que a sociedade prega como algo que não tem problema? Como eu avalio questões que são moralmente aceitas pela sociedade (às vezes mesmo dentro da igreja), mas são claramente pecado (como trapaça em jogos, infrações de trânsito, pirataria, sonegação, etc.)? Isso mostra que talvez eu não esteja sabendo discernir e esteja sendo muito influenciado por padrões mundanos.


3. Meu ódio ao pecado tem crescido?

À medida que eu cresço na graça de Cristo, mais eu percebo que sou pecador e que mais careço de Cristo. Isso tem acontecido comigo? A cada dia que passa eu vejo mais claramente o meu pecado que preciso abrir mão ou as minhas liberdades que eu não tenho conseguido gozar? Além disso, quando falo de Cristo para as pessoas (sejam cristãs ou não-cristãs) o abandonar do pecado e das paixões vãs deste mundo têm sido tratados ou tenho constantemente buscado atenuar a realidade mostrando que as coisas não são tão erradas quanto parecem?


4. Tenho sido perseguido no meio de não-cristãos?

Jesus prometeu perseguição aos seus discípulos. Como não somos do mundo, o mundo nos odeia. O meu modo de viver escandaliza os não-cristãos? Se escandalizamos não é garantia de que é por causa de Cristo (pode ser por causa do nosso pecado mesmo), mas se não escandalizamos, certamente não estamos agindo corretamente. De forma análoga, nosso relacionamento com os outros cristãos é afetado. Tenho me sentido mais à vontade no meio do povo de Deus?


5. Tenho me aproximado de Cristo ou do mundo?

A minha luta pela liberdade tem amadurecido minha fé e me feito crescer? À medida em que vou lutando para fazer coisas “lícitas” (dentro da liberdade cristã), as outras áreas da minha vida têm sido marcadas pelo fruto do espírito? Alguém cheio do espírito jamais satisfaz as vontades da carne, inclusive na defesa de suas liberdades.


O convite à verdadeira liberdade é um convite para o amor ao próximo para que todas as áreas da sua vida sejam impactadas. Precisamos considerar o próximo superior a nós mesmos para realmente fazer o que Deus requer nessa área.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante



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