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O Presente Perfeito

Você já viu a reação de uma criança quando ela ganha roupa de presente? Eu me lembro de algumas situações quando era criança. É difícil reagir bem diante de um presente que você não quer, ou que você acha que não precisa.


Agora, quando estamos falando de Natal, estamos falando de um tipo completamente diferente de presente. E como a “qualidade” e a “importância” de um presente estão ligadas à necessidade que ele supre, faz muito sentido entender qual é a grande lacuna que o Presente oferecido no Natal preenche.


Então, a ideia é dar uma olhada nos três primeiros capítulos de Gênesis para entender o tamanho do buraco que nós nos enfiamos, e pular para duas passagens no Novo Testamento, para entender o tamanho da corda que Deus jogou para nós.


Gênesis 1–2


A primeira coisa que me chama atenção logo no primeiro versículo da Bíblia é que Ela simplesmente assume que Deus existe. Deus não está preocupado em ficar explicando quem Ele é, se Ele veio de algum lugar, porque Ele fez o que fez. O texto diz:


“No princípio, Deus criou os céus e a terra”.

(Gênesis 1.1)


E Ele não só existe, como também criou todas as coisas, como podemos ver no restante do capítulo 1. Deus nos criou, e Ele nos criou com um propósito. Gênesis 1.27 diz o seguinte:


“Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou;

homem e mulher os criou”.

(Gênesis 1.27)


O texto mostra que Deus nos criou com o propósito de representar nosso Criador. Nós, seres humanos, somos os representantes desse Deus invisível, que se faz visível em nós. E isso só é possível quando temos um relacionamento com Ele, como podemos ver acontecendo com Adão em Gênesis 2. Adão tinha um relacionamento perfeito com Deus, e por isso ele representava perfeitamente a Deus: ele cuidava do que Deus lhe deu, ele deu nome aos animais, ele liderava sua esposa, ele cultivava o jardim, etc.


Até aqui, tudo perfeito, mas aí vem Gênesis 3.


Gênesis 3


Aquele relacionamento que existia entre Deus e o homem foi destruído. A imagem de Deus no homem foi manchada. E é muito interessante ver o processo descrito em Gênesis 3, porque é exatamente o que acontece conosco hoje quando pecamos.


O primeiro passo é o engano. A serpente, astuta, começou a colocar coisas na cabeça de Eva (Gênesis 3.1). O diabo coloca mentiras na nossa cabeça, ele tenta nos enganar, ele tenta nos fazer duvidar daquilo que Deus nos diz.


E esse é justamente o segundo passo, a dúvida. Uma vida baseada em mentiras é uma vida cheia de dúvidas. Eva já não sabia mais discernir entre a verdade e a mentira (Gênesis 3.4, 5), ela estava com a mente cheia de dúvidas: “Será que isso é mesmo assim? Será que Deus disse mesmo isso? Será que isso realmente é errado? Será que tem problema eu fazer o que eu quero? Afinal de contas, eu quero...”


E o que podemos ver acontecendo é que dúvidas nos levam a desejos tortos, que é o terceiro passo. Ela começou a acreditar nas mentiras que a serpente contou, duvidou das verdades que Deus falou, e se entregou aos seus desejos. Gênesis 3.6 diz: ”Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu; e deu também ao marido, e ele comeu”. Ela viu algo que queria, e foi atrás. Quando nos afastamos da verdade, nossos desejos se afastam do ideal. Os desejos de Eva não tinham Deus como centro, mas ela mesma.


Mas a realidade é que o engano nos engana, nos cega, e os nossos desejos ruins começam a gritar, até que desobedecemos (Gênesis 3.6b), que é justamente o último passo. Não existe possibilidade das coisas caminharem bem quando vivemos para nós mesmos, porque Deus não nos criou para isso. A partir daí́, o que vemos são as consequências da desobediência:


Vergonha (Gênesis 3.7): O pecado nos faz sentir vergonha. Isso mostra, inclusive, que sabemos quando fazemos algo errado, mesmo que tentemos racionalizar e fazer parecer que não tem nada de errado.


Medo (Gênesis 3.10): Medo de perder o que temos, medo das consequências do nosso pecado, medo da morte. Ficamos preocupados, ansiosos, inseguros. Ficamos paralisados, nos escondemos, não conseguimos sair do lugar.


Culpa (Gênesis 3.12, 13): O pecado coloca sobre nós um peso enorme, que nos cansa e que não somos capazes de carregar. Por isso, tentamos transferir nossa culpa para as outras pessoas — o que também não resolve.


Morte (Gênesis 2.17): Esse é o tamanho do buraco no qual entramos. Em Romanos 6.23, o apóstolo Paulo deixa isso bem claro ao dizer que “o salário do pecado é a morte”.


O Presente


Mas o capítulo 3 de Gênesis não acaba aqui. Nossa história não acaba aqui. Deus não nos deixa sem esperança. Embora o homem esteja entregue ao engano, sem saber do que precisa, Deus sabe. Ele nos criou, Ele sabe quem somos, e Ele sabe exatamente do que precisamos — não só sabe, como nos deu exatamente o que precisamos.


Antes que desse tempo de Adão e Eva se desesperarem, Deus mostra que há uma resposta para o problema deles e nosso também. Gênesis 3.15 diz:


“Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.


Não foi Adão que pediu por uma solução — eu acho que ele nem saberia como pedir por isso. Não foi Eva também. Deus foi quem tomou a iniciativa e proveu uma solução, teria que partir dEle. O Natal é sobre isso — Deus provendo o Presente Perfeito para pessoas que não sabem que precisam desse Presente.


O homem está afundado no seu pecado, completamente cego, vivendo no engano, necessitando de perdão, até receber Cristo, o Presente Perfeito. Ele perdoa nossos pecados e nos dá salvação. Mateus 1.21 diz:


“Ela dará à luz um filho e você porá nele o nome de Jesus,

porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”.


O homem está sobrecarregado pela culpa dos seus pecados, levando um peso enorme nas costas, até receber Cristo, o Presente Perfeito. Mateus 11.28–30 diz:


“— Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim,

porque sou manso e humilde de coração;

e vocês acharão descanso para a sua alma.

Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.


O homem está caminhando para a morte eterna, tentando encontrar vida em coisas passageiras e que não resolvem seu problema, até receber Cristo, o Presente Perfeito.1 Coríntios 15.55–57 diz:


”’Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?

O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.

Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.


O Natal precisa nos fazer lembrar disso. Nós não temos, em nós mesmos, tudo o que precisamos. O mundo ao nosso redor é incapaz de nos oferecer o que realmente precisamos. Aquilo que nós mais precisamos veio do alto (Tiago 1.17), e é dado a nós como um Presente.


“Ele lhes deu vida, quando vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados.” (Efésios 2.1)


Para alguém que não entende o buraco que está, o Presente do Natal não vai fazer sentido. Para alguém que não está convencido de que é pecador, “não há necessidade” de um Salvador. Mas algo interessante de notar é que, depois que o Presente é recebido, a necessidade fica clara — de fato, os presentes que mais valorizamos são aqueles que vemos mais necessidade de receber. E não existe Presente mais necessário do que Cristo, porque não há necessidade maior do que o perdão dos nossos pecados.


Editorial de Gustavo Santos


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