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Pais, Instruam Seus Filhos

De uma hora para outra, tudo muda. Uma nova função começa, e começa sem treino. Ninguém nasce sabendo ser pai ou mãe. Quando você vê, o bebê está no seu colo. É hora de trocar fralda, de amamentar, de acalmar, de alimentar... E ao mesmo tempo em que algumas dessas tarefas são “intuitivas”, as principais não são. No final das contas, trocar fralda é fácil perto de ensinar. Dar comida é tranquilo perto de disciplinar. Brincar é “fichinha” perto de modelar e pedir perdão.

 

E ser pai ou mãe é sobre isso, muito mais do que sobre aspectos externos. Trocar fralda, limpar, brincar, entre outras coisas, podem ser feitas por qualquer pessoa. Mas instruir — e tudo o que isso envolve — é responsabilidade dos pais. Em Efésios 6.4, o apóstolo Paulo chama os pais a criarem, educarem, instruírem seus filhos.

 

O que significa instruir seus filhos? Qual é, de fato, a função dos pais?

 

Modelar

 

Em primeiro lugar, instruir é modelar. Antes de entenderem palavras, crianças entendem padrões. Elas observam muito, e rapidamente aprendem com aquilo que observam. Num certo sentido, criar filhos nada mais é do que discipular pessoas. E nesse ponto, nosso chamado como pais é mostrar Cristo através de nossas vidas, para que nossos filhos saibam como imitar a Cristo também (1 Coríntios 11.1). Portanto, devemos buscar ser modelo através de nossas atitudes.

 

Antes de ir para o próximo aspecto da instrução, uma atitude específica que eu quero destacar no que se refere a modelar é pedir perdão. Uma das coisas que mais falamos aos nossos filhos é “pede perdão”. E uma das coisas que menos fazemos é pedir perdão. Como queremos que eles aprendam, se eles não veem isso em nós? E ao contrário do que podemos pensar, pedir perdão não diminui nossa autoridade sobre nossos filhos — pedir perdão é parte do exercício da nossa autoridade. Pedir perdão revela o tipo de coração que cristãos devem ter uns para com os outros, porque revela o poder daquilo que Cristo conquistou por nós na cruz.

 

Ensinar

 

Em segundo lugar, instruir é ensinar. Não temos como cobrar nossos filhos de informações que eles não têm. Não temos como esperar obediência se eles não sabem ao que obedecer. Não temos como esperar transformação se não comunicarmos, claramente e insistentemente a mensagem do Evangelho. Quando Jesus dá a Grande Comissão aos Seus discípulos, Ele os manda “ensinar todas as coisas” (Mateus 28.18–20). Nossa responsabilidade como pais é inculcar a Palavra de Deus nos nossos filhos (Deuteronômio 6.7).

 

Corrigir

 

Em terceiro lugar, instruir é corrigir. Uma vez que o padrão foi estabelecido, tanto por modelo quanto por ensino, agora devemos corrigir nossos filhos quando eles fogem desse padrão. O importante a lembrar aqui é que o modelo e o ensino não são baseados em preferências, mas em padrões bíblicos. Portanto, a correção só é legítima quando aponta para uma quebra nos padrões bíblicos que foram ensinados aos filhos.

 

Especificamente com relação à correção, é importante que haja constância. Filhos ficam confusos quando não há um padrão. Se num dia é errado jogar comida no chão, e no outro não é, eles não saberão o que fazer e ficarão confusos quando a correção vier. E se você não explica por que está sendo corrigido, também temos um problema. Uma correção constante e clara é fundamental no processo de instrução dos filhos.

 

Servir

 

Finalmente, instruir é servir. Lembre-se: servir é suprir necessidades, não desejos. Logo, não é nosso papel fazer tudo o que nossos filhos querem que façamos. Isso não é amor, isso é loucura. Nossos filhos precisam de pais que estejam dispostos a renunciar ao seu conforto para servi-los sacrificialmente, como Cristo fez por nós. Dedique seu tempo, dedique sua energia, dedique-se completamente à criação dos seus filhos.

 

Instruir, portanto, é modelar, ensinar, corrigir e servir. Em tudo isso, contudo, precisamos ter bem claro em nossa mente que nossos filhos não são nossos, e sim de Deus. Deus não nos chama a fazer o que queremos para eles, mas a fazer o que Deus quer que façamos. O propósito da instrução é formar Cristo nos filhos.

 

Além disso, devemos sempre nos lembrar de que o nosso maior problema como pais nunca é nossos filhos, mas nós mesmos — nosso coração orgulhoso, que busca seus próprios interesses e não os dos outros (Filipenses 2.4).

 

E por fim, se o seu objetivo é obediência, você focará em comportamento, mas se o seu objetivo for Cristo, você focará em coração. É possível um filho obediente ir para o inferno. Mas um filho que conhece a Cristo, ainda que dê trabalho, tem uma esperança eterna.

 

Editorial de Gustavo Santos


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