A Santidade No Cotidiano Invisível
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Deus Vê o Coração
Quando Deus enviou o profeta Samuel à casa de Jessé para ungir um de seus filhos rei de Israel, Ele adverte o profeta dizendo: “o homem vê o exterior, porém, o Senhor, o coração” (1 Samuel 16.7). Deus escolheu Davi naquela ocasião não porque ele parecia bom exteriormente, mas porque ele realmente agradava a Deus em seu interior. Você já analisou esse versículo pela ótica de que essa é uma verdade para sua vida também? Os homens podem nos ver exteriormente e comprar a imagem que queremos vender, mas inevitavelmente, Deus enxerga nosso coração por completo.
Não há nada que possamos fazer para enganar ou esconder de Deus quem realmente somos. O autor de Hebreus afirma que "não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas" (Hebreus 4.13). Davi pergunta para Deus “para onde me ausentarei do Teu Espírito, para onde fugirei da tua face?”, e ele mesmo responde a sua pergunta no decorrer do Salmo concluindo que não existe lugar que seja oculto para Deus pois “até às trevas não lhe serão escuras” (Salmo 139.7–16). A face do Todo-Poderoso está voltada para cada um de nós, em todo tempo.
O Perigo De Viver Para a Aprovação Dos Homens
O amor às pessoas e ao que elas pensam sobre nós pode nos distrair ao ponto de nosso maior objetivo ser conquistar a aprovação delas, enquanto desconsideramos completamente a Deus. Talvez um dos maiores perigos da vida cristã seja justamente ansiar exageradamente pela aprovação dos homens e os privilégios que isso pode nos trazer, por isso Jesus em Seu ministério foi tão enfático nesse assunto. Sem percebermos, podemos passar a medir a nossa espiritualidade pelos elogios que recebemos, pelos cargos que ocupamos ou pela reputação que construímos na igreja.
“Nunca Vos Conheci”: o Alerta De Jesus
Um dos textos que mais me chama a atenção é Mateus 7.21–23:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor!
Porventura, não temos nós profetizado em teu nome,
e em teu nome não expelimos demônios,
e em teu nome não fizemos muitos milagres?
Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci.
Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.
Não consigo imaginar um cenário pior do que esse. Alguém passar a vida frequentando uma comunidade de fé, abrindo sua Bíblia dominicalmente, participando de eventos e acreditando que “fazer coisas de cristãos” garantirá uma vida eterna, e no dia do juízo ouvir do Senhor: "nunca vos conheci, apartai-vos de mim...". Infelizmente, é possível que muitas pessoas passem suas vidas frequentando a igreja e ainda assim não conheçam a Deus verdadeiramente, é sobre isso que o texto nos alerta.
Observe que aqueles homens apresentaram diante de Cristo uma lista de realizações impressionantes, e até muitos de nós os admiraríamos. É possível impressionar pessoas sem agradar a Deus. É possível construir um ministério admirável e ainda assim possuir um coração distante do Senhor. É possível usarmos a Bíblia apenas como instrumento de trabalho, útil para exortar os outros, mas não a nós mesmos.
O Que Fazemos Quando Ninguém Vê e As Máscaras Que Usamos
A verdadeira medida da nossa espiritualidade não está naquilo que fazemos apenas, mas nas intenções e motivações do nosso coração por trás das ações. Importa sim o que fazemos, mas também o porquê fazemos e para quem fazemos (1 Coríntios 10.31). Com que motivação fazemos tudo o que fazemos? Como agimos quando ninguém está observando? Como tratamos nossa família longe dos irmãos da igreja? O que acessamos quando usamos nosso celular sozinhos? São esses momentos que revelam o mais profundo do nosso coração.
Certa vez ouvi o testemunho de uma mulher que após um longo período de brigas intensas no casamento, o marido pediu o divórcio. Porém, na igreja eles eram vistos como “o casal perfeito”, inclusive eles guiavam os encontros de casais daquela comunidade. Seu pastor não fazia ideia das crises e suas amigas a tinham como uma mulher sábia e conselheira. Ela percebeu que sua máscara era tão grande que não conseguia pensar em uma única pessoa com quem pudesse chorar abertamente, ninguém a conhecia de verdade. Por misericórdia divina, eles permaneceram juntos, e Deus usou aquele momento doloroso para trazer o casal para mais perto dEle.
O orgulho e o raso contentamento em ter uma boa reputação diante das pessoas podem nos impedir de alcançar aquilo que é mais excelente. Esconder nossos pecados e mascarar nossa real condição nos impede de desfrutarmos de uma íntima comunhão com Deus e de termos nossos pecados perdoados. Não importa quão sujo nós estejamos, “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (Isaías 1.18). Isso porque há poder abundante no sangue de Jesus para perdoar todos aqueles que se arrependem de seus pecados.
A Santidade Nasce Do Relacionamento Diário Com Deus
A santidade na vida do cristão é fruto de seu relacionamento com Deus. Nós devemos ser santos porque Ele é santo (1 Pedro 1.16). À medida que crescemos em santidade, crescemos em semelhança a Jesus, Aquele que viveu perfeitamente, não para ser visto pelos homens, mas que felizmente ouviu do Pai: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mateus 3.17).
Que Deus não seja somente nossa programação de final de semana, mas nosso Senhor durante todos os dias, em cada momento. Que Ele seja o centro das nossas vontades e Aquele que ocupa os nossos pensamentos. Se Jesus for a videira, o Pai o agricultor e nós os ramos, então, daremos muitos frutos, frutos de justiça, que promovem a glória de Deus, e não a nossa (João 15). Nossa santidade não ocorre derivada da força do nosso braço, mas à medida que Cristo cresce em nossa vida e nós diminuímos.
E que, ao final de nossa jornada, não confiemos em títulos, ministérios ou realizações, mas na graça de Cristo que transforma pecadores e produz neles uma santidade genuína, perceptível não apenas nos cultos, mas também no cotidiano invisível.
Editorial de Alice Fagundes

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