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O Papel Do Pai Como Líder Espiritual Do Lar

  • há 50 minutos
  • 4 min de leitura

A presença e ausência paterna deixam marcas


O Dia dos Pais costuma despertar sentimentos diferentes em cada pessoa. Para alguns, é um dia de gratidão e alegria. Para outros, é um dia que traz lembranças difíceis, ausências e feridas que ainda precisam ser tratadas pelo Senhor.

 

Durante muito tempo, tive dificuldade de compreender muitas adversidades que enfrentei crescendo numa família de pessoas imperfeitas e pecadoras. O relacionamento com meu pai também foi afetado de diversas maneiras pela realidade comum do pecado, moldando a maneira como eu me enxergava, como eu entendia a família e até mesmo influenciou como eu viria a desempenhar o meu papel de pai.

 

Até mesmo o mundo já entendeu isso, o documentário Mostra-me o Pai (disponível em streamings e plataformas) retrata muito bem como a figura paterna exerce uma influência poderosa, tanto para o bem como para o mal, mostrando como a presença (ou ausência) de um pai pode impactar profundamente a vida de uma pessoa. Encorajo fortemente que você assista.

 

O Evangelho Revela Feridas e Oferece Cura

 

A beleza do Evangelho é que ele não apenas revela nossas feridas; ele também oferece cura.

 

Ao longo da minha caminhada com Cristo, o Senhor começou a tratar meu coração. Aos poucos, fui entendendo que guardar ressentimentos não mudaria meu passado, mas poderia comprometer meu futuro. Jesus me ensinou a olhar para minha história familiar com graça e misericórdia.

 

Fui entendendo que perdoar não significa negar a dor ou dizer que ela não existiu. Significa confessar tudo o que está por trás dessa dor e colocar nas mãos de Deus, clamando por graça e misericórdia, na expectativa de que Ele interrompa ciclos que poderiam ser repetidos na próxima geração.

 

Foi justamente nesse processo que comecei a refletir sobre o tipo de pai que eu desejaria ser.

 

A Responsabilidade de Discipular os Filhos

 

"E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira,

mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor."

(Efésios 6.4)

 

Hoje, quando olho para os meus três filhos, percebo que eles me observam. Eles veem como trato sua mãe, como administro meu tempo, minhas prioridades e como sirvo ao Senhor. Muitas lições que aprenderão de mim não virão dos conselhos, mas do exemplo.

 

Ser líder espiritual do lar vai muito além de prover sustento financeiro ou garantir conforto material. Significa discipular os filhos no cotidiano. Significa conduzir a família em direção a Cristo.

 

Esse discipulado acontece nas pequenas coisas: em uma oração antes de dormir, em uma conversa durante uma refeição, no carro, em um pedido de perdão quando erramos, na maneira como tratamos nossa esposa e em como administramos nosso tempo e recursos que Deus nos confiou. Os hábitos e ritmos do lar moldam o coração dos filhos.

 

Eles precisam ver pais que amam a Palavra de Deus, que oram, que servem, que são humildes para reconhecer seus erros e que demonstram, com a própria vida, que Jesus é o maior tesouro que possuem.

 

Pais Imperfeitos Apontando Para o Pai Perfeito

 

Nenhum pai é perfeito. Eu certamente não sou. Falho muitas vezes e continuo aprendendo diariamente. Mas tenho entendido que meus filhos não precisam de um pai perfeito; precisam de um pai presente, que os ame, que cuide de sua mãe e que busque sinceramente viver para Cristo.

 

Imagine que você vai à praia com a família; ao ver a placa que aponta para a praia, vocês param, sentam-se ao lado da placa e desfrutam por estar ao lado dela. Não faz sentido algum. Somos como “placas” para nossos filhos, apontamos para o nosso Pai perfeito. Nossos filhos precisam olhar para nós como “modelos imperfeitos” buscando o Pai que é perfeito, contando com a mesma graça.

 

Em Cristo, Uma Nova História Pode Começar

 

Talvez você seja alguém que também cresceu sem boas referências. Talvez nunca tenha experimentado uma liderança espiritual saudável dentro de casa. A boa notícia é que o Evangelho nos permite começar uma nova história. Nosso modelo perfeito de paternidade é o próprio Deus.

 

Ou, talvez você seja um filho(a) que ainda carrega dores relacionadas ao seu pai. Talvez existam mágoas, ressentimentos ou dificuldades de perdoar. Entregue isso ao Senhor. Não permita que as feridas do passado determinem o futuro destes relacionamentos. Em Cristo, ciclos podem ser interrompidos.

 

O Evangelho tem poder para transformar ausência em presença, dor em aprendizado e feridas em testemunhos da graça de Deus.

 

A Maior Herança Que Um Pai Pode Deixar

 

Neste Dia dos Pais, a minha oração é que Deus levante homens que compreendam a beleza e a responsabilidade da paternidade. Pais que discipulem seus filhos, amem profundamente suas esposas e façam de seus lares um ambiente onde Cristo seja conhecido e amado.

 

E que nossos filhos possam olhar para nós e, mesmo em meio às nossas imperfeições, encontrar uma referência de fé, serviço, amor e dependência de Deus.

 

Porque, no fim das contas, a maior herança que um pai pode deixar não é material. É o exemplo de uma vida que aponta para Jesus.

 

Devemos ser bons pais não para sermos adorados por nossos filhos, mas para apontá-los ao Pai perfeito, porque essa foi a tarefa que Deus nos confiou e que fazemos, inclusive, na qualidade de pais imperfeitos.

 

Editorial de Dimas Rodrigo.


 
 
 

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