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Aquela Voz Interior – Parte II

Atualizado: 30 de ago. de 2023

Na semana passada vimos uma definição de consciência, a perspectiva bíblica e um espectro que começou a trazer a questão de que a consciência de cada um pode variar dentro daquilo que é permitido (e às vezes fora disso também, infelizmente). Falamos também um pouco de como treinar a nossa consciência, fugindo e desencorajando aquilo que é tolo, isto é, aquilo que se aproxima do proibido, e buscando e encorajando aquilo que é sábio, ou seja, o que se aproxima do obrigatório, os mandamentos afirmativos de Deus.


No entanto, muitas vezes vemos que as pessoas, ao caminharem neste espectro, podem ter discordâncias. Isso se deve a níveis diferentes de treinamento e desenvolvimento de suas consciências ou simplesmente pelo fato de que Deus deixou algumas questões no âmbito da liberdade cristã, principalmente no domínio da prática de cada um. Ainda assim, isso pode gerar situações difíceis de lidar, o que dificulta o convívio com pessoas que têm consciências diferentes da nossa.


Consciências diferentes


Um dos textos que melhor definem a liberdade cristã é Romanos 14.1–15.7. Nele o apóstolo Paulo fala sobre a tolerância para com os fracos na fé, sobre não nos julgarmos uns aos outros, sobre o fato de que nada é intrinsecamente impuro, sobre a edificação mútua e sobre o exemplo de Cristo.


Na tentativa de sintetizar o que está contido nessa passagem (e em trechos das Escrituras), vamos apresentar uma figura¹ que mostra uma forma de lidar com consciências diferentes:

A ideia geral do fluxograma é que, quando as consciências são diferentes, a própria definição de pecado pode ser abalada e, portanto, gerar discordâncias. Quando isso ocorre, entramos no domínio do julgamento, que sendo de acordo com a nossa própria consciência, pode ser exatamente o que a Bíblia condena:


“Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer;

tu, porém, quem és, que julgas o próximo?”

(Tiago 4.12)


Comece pelo perdão

Independentemente do fato ser um pecado ou apenas uma questão da consciência (ou de sabedoria), nosso primeiro passo deve ser sempre o perdão:


“E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém,

perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.”

(Marcos 11.25)


O perdão vem de um coração que entende que nenhuma ofensa é indigna de ser perdoada e, dessa forma, rejeita qualquer intenção de fazer com que a outra pessoa seja punida por causa dela. Esse entendimento independe do que a outra faz depois e é fruto de uma comunhão intensa com o Senhor, bem como de um conhecimento profundo de Sua obra.


Prossiga para a reconciliação


Mesmo tendo perdoado, o pecado pode continuar a incomodar, tanto por afetar o relacionamento com o ofendido, quanto pelo estado espiritual que ele leva o ofensor a ficar. Por isso, é importante sempre que possível (Romanos 12.18) buscarmos a reconciliação:


“Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só.

Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.”

(Mateus 18.15)


Ainda que o pecado tenha sido perdoado no coração, é importante que o relacionamento seja reconciliado e restaurado, sendo o perdão tanto oferecido quanto recebido através do arrependimento.


E quando a ofensa não é contra mim?


“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta,

vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura;

e guarda-te para que não sejas também tentado.”

(Gálatas 6.1)


A ideia é corrigir (com brandura!) a fim de que o ofensor seja restaurado e de que sua consciência possa ser treinada em reconhecer que tal ofensa é pecado ou tolice (falta de sabedoria).


Concordando em discordar


Por vezes, o fato gerador da ofensa é algo que está dentro da liberdade cristã e que somente a consciência de cada um poderá julgar. Voltando a Romanos 14, vemos que Paulo entendia que essas discordâncias eram algo com que os crentes poderiam conviver em harmonia, sem desprezar um ao outro (Romanos 14.3), nem julgar (Romanos 14.4, 10, 13), mas edificando uns aos outros (Romanos 14.19).


Dessa forma, sempre que for lidar com discordâncias de consciências, tente estudar a Bíblia, buscando o máximo de passagens e princípios sobre a questão. Tente chegar a um acordo com relação ao princípio bíblico para depois abordar o comportamento.


Caso não seja possível chegar a um acordo, entregue a questão para Deus e tente conviver com essa discordância da melhor forma possível, sabendo que o que nos une é maior do que esses pequenos pedaços de consciências que diferem. Afinal, no final das contas, cada um é responsável por cada parte de seu ser, inclusive de sua consciência, perante Deus:


“A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus.

Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.”

(Romanos 14.22)


Editorial de André Negrão Costa

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