Levarei eu também minha cruz?

Atualizado: 22 de Ago de 2018

Ao celebrarmos a Páscoa, nos lembramos da morte e ressurreição de Cristo. Sempre nos alegramos com a mensagem da cruz, pois a obediência de Jesus ao Pai nos significou a nossa salvação imerecida. No entanto, a cruz também nos evidencia a humildade do nosso Senhor ao passar por grande humilhação: ele não murmurou, mas se alegrou por estar fazendo a vontade do Pai. Essa postura nos constrange a uma vida que demonstre igual humildade (João 13.14-17), de forma que a nossa reação às circunstâncias difíceis precisa ser transformada. Que esta Páscoa mude nossa postura ao lidar com...


1. ...pessoas que nos humilham

Jesus lidou com muitas pessoas que consideraríamos difíceis em seu ministério, mas vemos que no seu caminho para a cruz ele teve que lidar com isso mais intensamente. Sua postura não foi a de reivindicar direitos ou ficar revoltado com a situação (Lucas 23.34) – ao contrário, fez o que poderia ter feito de melhor por eles: morrer, o que significa se humilhar ainda mais.



Nós temos uma grande dificuldade em aceitar humilhação das outras pessoas. Nosso orgulho é facilmente ferido e consideramos isso algo ruim. Nossa reação, portanto, é oposta à de Cristo: queremos sair da humilhação a todo custo. Devemos lembrar que o amor ao próximo é provado justamente quando amamos os que nos fazem mal (Mateus 5.46) para que nossa resposta à humilhação de outras pessoas seja a de amá-las.

2. ...serviços que nos humilham

Em João 13 vemos que na véspera de sua morte Cristo está engajado em um tipo de serviço considerado humilhante. Não bastasse isso, sua atitude não é completamente compreendida e ele ainda serve àquele que iria o trair! Sua resposta a isso, novamente, não é revolta, mas de grande paciência e amor.


O serviço na igreja é feito por e para pessoas imperfeitas, portanto, é muito fácil nos depararmos com situações em que nossa vontade não será feita (e vamos nos sentir humilhados). Infelizmente, nossa natureza pecaminosa nos faz querer paradoxalmente sermos servidos mesmo quando estamos servindo, então precisamos lembrar o exemplo de Cristo que veio não para ser servido, mas para servir (Marcos 10.45) para que nossa resposta à humilhação devido ao serviço seja a de servir com ainda mais afinco.


3. ...opiniões que nos humilham

No seu julgamento, Jesus teve de ouvir diversas acusações infundadas contra si (João 18). Mesmo sendo bombardeado por mentiras, Jesus se manteve calado mediante as acusações, demonstrando mais uma vez não revolta pela injustiça sofrida e sim grande humildade e amor pelas pessoas.


No caso de Cristo, vemos alguém sem falhas sendo humilhado por defender a verdade. Certamente, algumas vezes vamos estar em situação parecida em que temos que defender nossa fé e devemos, então, seguir o exemplo de humildade de Cristo (não julgar, mas mostrar compaixão). No entanto, muitas vezes seremos humilhados porque nossas opiniões estão erradas e precisamos abandoná-las; e está aí uma das grandes dificuldades do homem. Isso vai desde de situações corriqueiras (reconhecer que votou em um candidato errado, por exemplo) até situações mais fundamentais da vida (reconhecer que sua visão de certo princípio bíblico está errada). Por mais contrário à nossa natureza que isso seja, é certamente melhor aceitarmos a nossa derrota e corrigirmos nossa postura do que nos mantermos no erro e cultivar nosso orgulho (Provérbios 16.19).


4. ...situações que nos humilham

Por fim, vemos que as circunstâncias de Cristo no momento da sua crucificação já eram, por si só, humilhantes. Não bastasse a humilhação da cruz em si, ele foi traído, abandonado pelos amigos, açoitado em público, preterido em lugar de um assassino e crucificado entre dois ladrões. E sem pecar!


No nosso dia a dia também temos situações pelas quais nos sentimos humilhados. É muito fácil acharmos que essas situações são injustas, que não as merecíamos. Ao invés de termos a resposta de humildade de Cristo, costumamos murmurar e até questionar a justiça de Deus mesmo que sem nos dar conta (Jó 40.8). Isso pode acontecer em situações banais (nosso time perdendo um jogo) ou em situações mais intensas (uma doença grave). Que possamos sempre lembrar: Deus não perdeu o controle nem deixou de ser justo quando... (complete a frase). Vamos perceber mais isso quanto mais estivermos alinhados com a sua vontade e seu plano, como Cristo estava.


Por mais que dizemos que queremos não ser orgulhosos, na prática rejeitamos qualquer situação que nos exija humildade (que nos humilhe). Queremos fugir a qualquer custo! Ainda bem que a história da Páscoa não é só sobre um exemplo para nossa vida, mas também sobre Cristo nos redimir para nos capacitar a seguir o seu exemplo para levarmos também nossa cruz.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante





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