Limpando o interior do copo

Atualizado: 19 de Set de 2018

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas,

porque vocês limpam o exterior do copo e do prato,

mas estes por dentro, estão cheios de roubo e de glutonaria!

Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo,

para que também o seu exterior fique limpo!”

(Mateus 23.25,26)


O texto acima mostra um discurso severo de Jesus em relação ao comportamento de um grupo específico de sua época: os fariseus. Esse grupo era caracterizado por uma série de costumes que impressionava as pessoas, mas que não refletia um coração que adorava a Deus sinceramente. A ênfase era na mudança de atitudes para maquiar o real estado do seu coração corrupto e não na mudança de coração que gera atitudes verdadeiramente piedosas.


Nos dias de hoje, infelizmente, muitos cristãos também têm vivido uma vida focada em comportamentos. Seja em si próprio ou nos outros próximos a si, o crente tende a querer apenas consertar atitudes externas que são socialmente condenáveis, mesmo que isso não implique em ter um coração mais voltado para Deus. Assim, precisamos analisar quando estamos tendo esta atitude.


1. Com nós mesmos

Precisamos sempre primeiramente avaliar a nossa situação (Mateus 7.1-5). Quantas vezes não estamos simplesmente nos esforçando para fazer boas ações ao invés de lidar com o pecado abrigado no coração (que originou a ação que queremos mudar)? Por exemplo: quando fico irritado por as coisas no ministério não serem feitas do meu jeito, eu me esforço para sorrir, mas não trato meu coração orgulhoso; quando não estou participando financeiramente da vida da Igreja eu me esforço para dar o dízimo, mas não trato meu coração ingrato; e quando eu não participo da vida da Igreja eu me esforço para arrumar tempo para ir no culto de domingo, mas não trato meu coração mundano. Todos esses esforços “têm aparência de sabedoria, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne” (Colossenses 2.23). Precisamos ir além do melhorar a atitude e resolver o real problema: o pecado no coração.


2. Com uma outra pessoa madura na fé

Uma pessoa madura na fé é marcada pelo fruto do espírito (pode ser seu cônjuge, um amigo da igreja, etc.). No entanto, mesmo que ela seja madura, ela irá falhar e nos afetará com suas atitudes. Muitas vezes, quando isso acontece, nossa tendência é instantaneamente querer que tal comportamento cesse o mais rápido possível, mesmo que não trabalhemos o coração da pessoa. Por exemplo: queremos que a pessoa pare de fazer brincadeiras depreciativas conosco, mas não nos preocupamos com ela desenvolver um coração benigno; queremos que ela nos ajude em tarefas, mas não nos preocupamos com ela ter um coração de servo; e queremos que demonstre ser uma pessoa menos ciumenta, mesmo que não tenha um coração menos cobiçoso. Nosso foco é a pessoa agradar a nós e não a Deus e, novamente, não resolvemos o problema.


3. Com uma outra pessoa menos madura na fé

Talvez a parte mais difícil é a de lidar com pessoas imaturas, que ainda têm dificuldade de assimilar as verdades do Evangelho (pode ser seu filho, aluno, etc.). Nossa tentação é fazê-las simplesmente aparentarem ser boas pessoas por meio das atitudes que forçamos. Não queremos ter o trabalho de limpar o interior do copo, sondando e corrigindo as reais motivações do seu coração pois esse trabalho é difícil e demanda tempo. Por exemplo:

queremos que elas compartilhem o que têm, e não lidar com o coração cobiçoso; queremos que elas parem de gritar conosco, e não lidar com o coração irado; queremos que elas não chorem quando perdem, e não lidar com o coração orgulhoso. E nesse caso, tendemos a pressioná-las para reagirem como queremos e, tipicamente, de uma forma que aguça o pecado no coração. Por exemplo: eu não quero que alguém saiba lidar com o temor do homem eu quero que ele tema (principalmente a mim); ou não quero que ele lide com a cobiça, quero que ele seja cobiçoso e, portanto, dependa de mim para ter o que cobiça.


Novamente, não resolvemos e, sim, pioramos o problema do pecado no coração.


Nós nos satisfazemos com muito pouco. Ao invés de buscarmos o plano perfeito de Deus que é o de pessoas com corações transformados, nos contentamos em sermos ou convivermos com pessoas aparentemente “boazinhas”. Certamente, o plano de Deus é infinitamente melhor e, graças a Cristo, se torna possível de alcançar para todos os que O têm como senhor.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante



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