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Morte, Ressurreição do Corpo e Estado Intermediário

há 3 horas
4 min de leitura

Minha esposa foi passear um dia desses e, durante esse passeio, experimentou uma sensação que me fez ficar pensativo. Minha filha estava subindo uma escada com o vovô e, em um instante, ela perdeu parte do equilíbrio. Não sei quanto tempo tudo isso durou (ou pelo menos, o quanto pareceu durar), mas minha esposa disse ter sentido um “embrulho” no estômago, esperando o pior. Graças a Deus, minha filha não caiu, mas a sensação que minha esposa teve me levou a pensar no porquê de nos sentirmos mal com a possibilidade de algo ruim acontecer e de como isso pode nos afetar sem que nada possamos fazer para evitar.

 

Infelizmente, vivemos numa condição na qual não podemos fugir de certos infortúnios. E um dos principais é a morte. Desde a Queda no jardim do Éden sofremos com a morte, não somente do risco iminente dela chegar a nós, mas também àqueles que amamos. O fato é que por mais que busquemos nos afastar dela, ela vai nos alcançar.

 

Temos, então, uma inimiga inevitável? Dado que não podemos vencê-la, que esperança temos nessa vida? Somos somente um conglomerado de átomos formados aleatoriamente com uma capacidade intelectual superior? Bem, essa é a forma que um mundo materialista pensa. Essa é a forma de pensar daqueles que se inculcam como sábios, sendo verdadeiramente loucos. Eles buscam sentido para suas vidas nas coisas que fazem, na tentativa de esquecer o terrível futuro que os aguarda.

 

No entanto, eles desconsideram que a nossa existência não é somente física. A história que Jesus contou sobre Lázaro e o homem rico mostra o destino que cada um tomou após a morte (Lucas 16.19–31). Por mais que o nosso corpo pare de funcionar e ao pó retorne, uma das partes que nos define como seres criados à imagem e semelhança de Deus, continua a existir. Essa essência, a não ser que redimida por Deus, tem um futuro terrível adicional. Isso pode ser chamado como o contrário de esperança: o desespero da morte eterna.

 

Esse era o futuro justo que todos merecíamos, pois nosso pecado havia nos separado de Deus. Mas Deus, em Sua infinita bondade, nos apresentou um novo caminho, mediante Sua irresistível graça. Um caminho marcado pelo sangue do Cordeiro, que foi morto em nosso favor. De forma que a Sua morte nos libertou do terror da eterna separação de Deus, pois, ao dar Sua vida livremente, Ele possibilitou que pudéssemos ter vida eterna com Ele.

 

Mas Cristo não está morto, Ele ressuscitou! E com isso, Ele veio a ser o primeiro dentre nós. Como Ele ressuscitou e recebeu um corpo glorificado, todos também ressuscitaremos e receberemos um corpo compatível à glória reservada para nós. Logo, de duas coisas temos certeza: a morte de Cristo nos livrou da morte eterna e Sua ressurreição inaugurou o último ato da redenção de Deus para com o Seu povo.

 

Logo, se todos que estamos em Cristo mantivermos os olhos neste glorioso amanhã, teremos uma consolação que o mundo não conhece. A morte corporal pode nos alcançar ou pode levar nossos amados irmãos, mas este não é mais o fim, graças a Deus! Um dia, estaremos todos reunidos com Cristo celebrando a vitória sobre a nossa antiga inimiga, que nem inevitável realmente era. A Bíblia também relata que, na volta do nosso Senhor, nós, os que restarmos, seremos transformados e reunidos com nossos irmãos de todas as épocas. A nossa guerra contra a morte terá sido vencida em todas as frentes.

 

Mas o que acontece durante o momento entre a morte e a ressurreição? A Bíblia é bastante enfática com relação à ressurreição. Isso é muito bom, pois não deixa espaço para dúvidas de que ressuscitaremos. No entanto, a Bíblia é bem mais sucinta com relação a este estado intermediário. Mas, ainda assim, é possível encontrar textos que ajudam a entendê-lo.

 

Em 1 Tessalonicenses 4.14, lê-se: “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem” (ênfase do autor). Eu entendo que dormir é somente um eufemismo para morrer, e não que os mortos estão mortos sem nada fazer a espera da ressurreição. Outras passagens podem ser citadas para corroborar essa interpretação:

 

  • “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Filipenses 1.23 – ênfase do autor).


  • “Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5.8 – ênfase do autor).


  • O ladrão na cruz: “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43 – ênfase do autor).


Com isso, sou levado a entender que os que morreram em Cristo estão com Ele à espera da Sua volta, quando ressuscitarão e receberão um corpo glorificado.

 

Que tremendo consolo temos em Cristo e na Sua Palavra. Por mais que o assunto da morte seja sensível e que muitos de nós já tenhamos sofrido por causa dela, lembrar do que ensina a Palavra de Deus nos anima e fortalece. Lembrar das verdades da Palavra de Deus nos norteia em meio às nossas dúvidas e questionamentos, onde o norte mostra que essa vida que vivemos é só um prelúdio de uma história da qual faremos parte eternamente com Deus. Lembrar da esperança ensinada na Palavra de Deus nos ajuda a glorificar e agradecer a Deus mesmo em meio ao luto e às saudades. Agradecemos, pois os irmãos que nos deixaram estão com Cristo e, um dia, os encontraremos novamente. Glorificamos porque a morte não vencerá no fim, mas Aquele que é digno de receber o louvor, a honra, a glória e o domínio venceu a morte por nós.

 

Para reflexão:


  1. A morte é realmente o fim?

  2. Onde estão aqueles que morreram em Cristo?

  3. O que a ressurreição de Jesus tem a ver com a nossa esperança diante da morte?

 

Editorial de Tafnes Barbosa


 
 
 

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