Hospitalidade: A Missão Que Começa Na Mesa
A Hospitalidade é Um Mandamento, Não Apenas Uma Obrigação
A hospitalidade é um mandamento para todo cristão e, quando o Senhor nos chama a obedecê-lo, devemos fazê-lo com um coração disposto a servir em espírito e em verdade.
Você já parou para pensar que a hospitalidade é uma porta aberta de oportunidades? Mas quais oportunidades?
A oportunidade de pregar o Evangelho! A oportunidade não somente de repartir o pão, mas também de oferecer o Pão da Vida!
Quando lemos Hebreus 13. 2, o autor nos chama a não negligenciar a hospitalidade. E, de forma mais profunda, essa palavra, negligenciar, nos leva a refletir sobre como nós, cristãos, não devemos tratar a hospitalidade apenas como uma obrigação ou como algo que fazemos para receber alguma coisa em troca, mas como uma missão: a missão de servir.
O nosso coração pecador pode querer usar a nossa mesa e a hospitalidade apenas por conveniência, ou até mesmo receber somente aqueles que são mais chegados. Mas Deus nos chama a compreender que esse serviço, por meio da hospitalidade, pode ter um significado muito maior para o avanço de Seu Reino.
A Hospitalidade Como Uma Missão de Servir
Se olharmos para a hospitalidade com o olhar de serviço ao nosso irmão, ela ganha um significado profundo e bíblico.
Mas servir como?
Esse serviço pode acontecer de diversas maneiras, pois nunca sabemos o que esse ato pode representar diante de Deus.
O que muitas vezes pode parecer apenas uma refeição pode ser usado como uma porta para a evangelização, para ouvir a dor de um irmão, alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram (Romanos 12.15), consolar e edificar uns aos outros (1 Tessalonicenses 5.11), exortar um irmão (Hebreus 3.13) e levar esperança ao seu coração por meio das Escrituras (Romanos 15.4).
Percebe que, ao negligenciarmos a hospitalidade, podemos estar deixando de servir de forma prática aquele irmão que necessita?
A mesa pode se tornar um lugar de missão, porque é ali que muitos relacionamentos começam.
A Hospitalidade Sem Murmuração: o Coração Por Trás do Serviço
Em 1 Pedro 4.9, Pedro nos chama a praticar a hospitalidade sem murmuração.
Às vezes, não recebemos nossos irmãos porque o nosso coração dá vazão ao pecado da murmuração. Podemos até receber bem aquele irmão por fora, mas o nosso coração está murmurando por dentro. Outras vezes, não queremos receber porque achamos que não temos uma comida mais sofisticada para oferecer, porque nossa casa não está tão arrumada ou porque estamos comendo apenas o básico. E então pensamos: como vamos dividir?
— Vou receber, mas vai dar trabalho.
— Minha casa vai ficar bagunçada.
— Não tenho uma casa tão aconchegante e boa quanto a do meu outro irmão. Ele vai conseguir receber melhor.
Quando murmuramos ao receber alguém, ou quando deixamos de abrir a porta da nossa casa por essas razões, isso pode revelar que não estamos enxergando o chamado da hospitalidade como uma missão de servir, mas estamos pensando em nós mesmos, com um coração voltado para os nossos próprios interesses.
O que Pedro nos ensina nesse versículo (1 Pedro 4.9), não está ligado apenas em dizer: “Minha casa está aberta”, mas em perguntar: “Como posso amar e servir meu irmão abrindo a porta da minha casa?”.
Marta e Maria: Quando os Detalhes Nos Fazem Perder o Foco
Um exemplo bíblico do qual podemos tirar uma grande lição é o de Marta e Maria, em Lucas 10.38–42. Quando elas receberam Jesus, encontramos ali uma exortação importante na atitude de Marta que estava tão atenta aos detalhes que acabou se esquecendo do mais importante.
E quantas vezes somos como Marta?
Tão preocupadas com o lanche, tão preocupadas com os detalhes, que muitas vezes são legítimos, mas que, dependendo da disposição do nosso coração, podem nos fazer perder o verdadeiro foco do serviço por meio da hospitalidade.
Outro ponto sobre o qual precisamos refletir é a necessidade de examinar o nosso coração.
Estamos mais preocupadas com Cristo sendo exaltado ou com o nosso cansaço, com a aparência da nossa casa ou com o sabor da comida?
Maria estava aos pés de Jesus, preocupada com a melhor parte. Marta, por sua vez, estava ocupada com os muitos afazeres e acabou perdendo o foco daquilo que era o mais importante: estar na presença de Cristo e dar a Ele a glória.
Hospitalidade não é sobre nós, mas sobre Cristo!
Maria estava focada na melhor parte, enquanto Marta estava tão envolvida com suas preocupações que demonstrou um coração inquieto e aflito. E isso também nos leva a refletir sobre as nossas próprias murmurações.
Se a maneira como estamos praticando a hospitalidade está impedindo que as pessoas sejam encorajadas pelo Evangelho, precisamos repensar nossas prioridades.
A pergunta que fica é: os holofotes da sua hospitalidade estão voltados para você ou para Cristo?
A Hospitalidade Começa na Mesa, Mas Alcança Vidas
O nosso maior exemplo de fé é Jesus Cristo. Encontramos muitas passagens bíblicas em que Jesus estava sentado à mesa. Mas a forma como Ele usava a mesa era intencional: era para abençoar pessoas, amar pessoas e servir pessoas, porque Ele ensinou, inclusive com a Sua própria vida, que o maior é aquele que serve.
Jesus usava a mesa para construir relacionamentos com um coração disposto a amar e servir, mostrando que ali também havia uma oportunidade de cumprir a vontade do Pai.
A hospitalidade pode parecer algo comum, mas pare para pensar em como Deus pode usá-la para o avanço do seu Reino! Olhe para a hospitalidade como uma missão, uma forma de serviço e, o mais importante, uma maneira de fazer tudo isso com o coração voltado para Cristo, sem dar vazão ao pecado da murmuração.
A hospitalidade é uma missão e, sim, pela graça de Deus, ela pode começar ali, na mesa da nossa casa, quando abrimos a porta da nossa vida para abençoar outras vidas, assim como Jesus fazia.
E, por fim, deixo uma frase de Rosaria Butterfield¹ como encorajamento para que possamos olhar para a hospitalidade como uma missão de servir e, acima de tudo, de apontar pessoas para Cristo:
“Aqueles que vivem a hospitalidade radicalmente comum não enxergam suas casas como propriedade sua, mas como um presente de Deus para o avanço do seu Reino”.
Para reflexão:
Qual foi a última vez que você abriu a porta da sua casa para receber pessoas?
Já parou para pensar que o pecado do egoísmo e da murmuração pode estar impedindo você de ser usado por Deus para abençoar outras pessoas?
Como compreender que o verdadeiro propósito da hospitalidade pode transformar o seu coração em relação a ela?
Editorial de Muriely Sette

¹Rosaria Butterfield, O Evangelho Vem com uma Chave de Casa (tradução livre).
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