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O Corpo De Cristo e a Unidade Da Igreja

  • 4 de jun.
  • 4 min de leitura

"Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim,

por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai,

em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.

Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos;

eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade,

para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”

(João 17.20–23)


Se você fosse criar uma estratégia para que o mundo creia que Jesus é o enviado de Deus, qual seria essa estratégia? Qual ferramenta você usaria para que o mundo conheça o Evangelho? Eu penso em evangelismo intencional, apologética, bons argumentos, etc. Mas a estratégia pela qual Jesus ora “para que o mundo creia” é a união Teocêntrica de Seus seguidores.


João 17 narra a oração sacerdotal de Jesus, oração que Ele afirma ser não apenas pelos discípulos presentes, mas também pelos que viessem a crer por meio da pregação deles (João 17.20). Jesus está orando por todos os Seus seguidores ao longo dos tempos.


Nessa oração, Jesus posiciona a união de Seus seguidores como um testemunho poderoso para o mundo sobre quem Ele é. De forma poética, Jesus repete parte de Sua oração destacando dois aspectos: um pedido por união Teocêntrica e o resultado dessa união.



Analisemos mais a fundo esses dois pontos destacados por Jesus:


1.    União Teocêntrica


Jesus usa a união existente na Trindade como exemplo: “como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti”; “como nós o somos” e também como fonte “em nós”; “eu neles, e tu em mim” da nossa união.

           

O relacionamento que há entre nós, discípulos de Jesus, é diferente de qualquer outro relacionamento existente no mundo. E a diferença é que esse relacionamento é (ou deve ser) Teocêntrico: centrado em Deus. Comunhão é algo que só pode ser experimentado em Jesus. Veja o que 1 João 1.7 fala sobre isso:


“Se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros”

(1 João 1.7a)


Se andarmos com Deus, “na luz, como ele está na luz”, mantemos comunhão com outras pessoas que estão andando com Ele. O conceito bíblico de comunhão implica que o elo que conecta as pessoas envolvidas é o próprio Deus. Deus não é um mero participante da comunhão, Ele é o centro da comunhão. A comunhão não é resultado de interesses comuns, gostos, hobbies. A comunhão acontece quando o elo que conecta os envolvidos é o próprio Deus. A comunhão acontece quando pessoas estão buscando a Deus (andando na luz) e se encontram nessa caminhada.

           

2.    O Testemunho Dessa União


Pense nas implicações disso. Se o elo que une a igreja é Jesus, o que o mundo entende ao ver desunião, divisões, rixas e fofocas entre nós? Quando o mundo vê divisões dentro da igreja, isso é um mau testemunho a respeito de Quem nos une.


Por outro lado, quando experimentamos dessa união Teocêntrica, testemunhamos sobre a fidelidade dAquele que nos une. A união da igreja não substitui a proclamação do Evangelho, mas testemunha o poder do Evangelho diante do mundo. Quando pessoas diferentes, com diversos gostos, classes sociais, etnias, opiniões, sendo judeus ou gentios andam na luz como Jesus está na luz, e mantêm comunhão uns com os outros, o mundo aprende sobre o nosso Senhor.


A vida cristã é uma vida comunitária. A palavra de Deus nos ensina a amarmos uns aos outros (João 13.35), servirmos uns aos outros (Marcos 10.42–45),  saudarmos uns aos outros (1 Coríntios 16.20), preferirmos uns aos outros (Filipenses 2.3 e 4), perdoarmos uns aos outros (Efésios 4.32), usarmos os dons do Espírito para edificar uns aos outros (1 Coríntios 12), e a lista continua. Quando isso acontece, pregamos ao mundo sobre Quem nos une e de Quem todas essas dádivas fluem.


É interessante e poderoso perceber como essa oração de Jesus começa a se cumprir na igreja de Jerusalém:


“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.

Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo entre todos,

à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo.

Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

(Atos 2.42–47)


Depois de descrever diversos aspectos da união Teocêntrica experimentada pelos seguidores de Jesus, o texto encerra dizendo que “o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos”.


Quando o centro de nossos relacionamentos for o Senhor, poderemos experimentar da comunhão Teocêntrica, glorificando a Deus, abençoando uns aos outros e sendo um testemunho para o mundo.


Essa união não é resultado de uma simples intencionalidade relacional. Bons relacionamentos com as pessoas são sempre resultado de um bom relacionamento com Deus. A união da igreja é fruto de andarmos e permanecermos com Deus, porque “se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros” (1João 1.7a).


Editorial de Timoteo Monteiro


 
 
 

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